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Personagens:
Demo: Figura do mal, caracterizado na região;
Salvador: simbologia do Senhor Jesus;
Ispedita: Mulher simples, ingênua e muito trabalhadora. Vive no
sertão Nordestino, onde ocorre grande seca. Para ganhar o pão
de cada dia, lava a roupa dos fazendeiros da região.
A história
Ispedita trabalha de sol a sol lavando roupa na beira de um riacho a uns
10 km de sua casa de tapera, para sustentar sua avó, seu pai e
sua mãe que já são idosos, 7 irmãos pequenos
e três sobrinhos que ficaram órfãos devido à
fome da seca. Seu sonho é que chova bastante para encher o rio
onde ela lava roupa, pois este já está secando, restando
apenas um fiasco de água barrenta. Mas um dia aconteceu algo extraordinário
com ela...
Cena 01
Ispedita entra em cena com um cesto de roupa suja na cabeça.
Ispedita: Êta que vida boa de miorá! Ô sacrifíciu
sem fim! “Lava a roupa todo dia, que agunia! Pra levá cumê
pra casa, que alegria!” Era bom se tivesse água pra lavá
a rôpa... (despeja a roupa na beirada do rio, tenta molhar a roupa
com a água barrenta do rio). Êta que as pessoa tem qui sê
igual aquele moço bunito da tv. Como é mermo o nome dele?
Acho qui é... Supera hôme! Isso mermo!
Neste momento o Demo avista Ispedita na beira do rio e segue em direção
a ela.
Demo: Oba! Hoje vô inganá mai um trôxa! (risos). Mai
vixe! Ia esquecendo de usa meus efeito especiá! Peraí qui
eu vô ajeitá! (e num estalar de dedos coloca uma música
sinistra com luzes piscando). Assim ta mió! (e vai falar com Ispedita).
E aí, muié? Como vai essa vidinha mizeráve?
Ispedita toma um susto: Êta bixo! De onde foi qui tu apariceu? (acalma-se
e repara nos chifres do Demo) Pareci inté qui ocê foi traído
por muié a vida toda, qui os chifre chega tá saliente! (risos).
Demo: Muié, tu num tem medo de mim não?
Ispedita: Eu, hein! Ocê só tem feiúra!
O Demo fica apreensivo, mas continua a conversar: To arreparando qui num
tem muita água nesse riacho. Como é qui tu vai fazer pra
moiá essa rôpa todinha?
Ispedita: Oxente, mai qui cabra mitido! Num é da tua conta! Vá
simbora, toma teu rumo qui eu to cum muito trabaio!
Demo se enche de ira, mas se contém
Demo: Se ocê quiser eu tenho uma proposta. Eu puderia inté
encher esse riacho todinho, mai como tu qué qui eu vá simbora...
(
Demo fica todo faceiro esperando uma reação de Ispedita.
Ispedita: (se espanta) E é? E pro mode, como tu ia encher esse
riacho todinho? Tu num é DEUS pra tê esse poder!
Demo: (se irrita) Êpa! Num pronuncia esse nome perto de mim! Tá
pensando o quê? (se acalma pra enganar Ispedita) Isso é segredo
meu! Mai só digo que eu posso sim encher esse riachindo de nada
pra ocê. (se achega à Ispedita colocando o braço em
seu ombro). Mai ocê num queria não vê esse riachinho
cheinho d’água, esborrotando, matando peixe afogado?
Ispedita: É... Esse era um dos meu maior sonho! Iria muda muito
minha vida... Meu trabaio iria ser mai fárcil e puderia trazer
mai dinheiro pra mode ajuda minha família. Cum o riacho sequinho
num dá pra trabaiá.
Demo: E intão! Mai im troca, ocê teria qui assinar um contrato
(e tira de dentro da calça um rolo de papel e o desenrola pra Ispedita
poder assinar).
Ispedita: Vixe! Só tem um pobrema: num sei assina não sinhô,
nem nome nem sobnome.
Demo: Ah, isso num é pobrema não... (e tira uma almofada
de dentro das calças). Ocê bota seu dedão. Eu já
sei qui é tu merma e tu também sabe qui tu é tu e
qui eu sou eu.
Ispedita: (meio receosa) É... Pro mode de num ter outro jeito...
Demo pensativo: Êta! A arlma dessa trôxa vai sê é
minha!!!
CENA 02
E Ispedita já ia colocando o dedão no contrato do Demo quando
aparece uma figura de branco.
Salvador: Ispedita, não precisa você colocar seu dedo no
contrato do Demo!
Ispedita: Vixe! Hoje eu to chêa de prertígio! Duas aparição
num dia só! Mai quem é ocê tão bunito, cum
brilho tão suave?
Salvador: Mas Ispedita... Você já esqueceu de mim, serva
minha? Eu sou aquele que te salvou! Morri na cruz pra expiar seus pecados!
Você não se lembra? E eu vim te salvar de novo, das garras
desse enganador, do Demo!
Ispedita: (espantada e ao mesmo tempo com vergonha de tê-lo esquecido)
Mai meu jisus Cristin! Poi num é o Sinhó meu Sarvador mermo,
aqui na minha frente! (olha para o Demo) Mai agora qui eu tô arreparando
qui ocê é o Demo mermo! Bem qui dizem qui é bixo fêoso!
E ocê me inganou mermo, seu disconjurado!
O Demo não conseguia encarar o Salvador e permanecia sempre evitando
ficar à sua frente.
Demo: Mai eu num inganei ocê não!!!! Ocê num queria
o riachinho cheinho d’agua pra acabar cum seu sofrimento? Ia dá
o q ocê quiria...
Ispedita: Mai seu enganador dos araque! Ocê tava se aproveitando
do meu sofrimento pra mim enganá?
Salvador: Ispedita, minha serva. O teu sofrimento não era em vão.
É no sofrer que se conhece os que são justos, os que permanecem
firmes na palavra. Você trabalhou duro de sol a sol na beira do
riacho que só tinha lama. E você já se perguntou por
que você ainda conseguia lavar toda a roupa?
Ispedita: (espantada) Não, mai... foi o Sinhô?
Salvador: Isso mesmo! Tu perseveraste e eu te abençoei. Tua alma
não esmoreceu um minuto, trabalhando para ti e para sua família!
E eu tive misericórdia da tua vida, enquanto tu ainda tiveste esperança
dela melhorar pela graça do Senhor. Nunca faltou trabalho nem alimento
na tua casa, apesar de ser de pouca quantidade e que te pôs de pé
para trabalhar duro. “Mais não só de pão vive
o homem, mas de toda a palavra que vem de Deus”. E pra mim, tu já
tinha ganhado teu galardão, presente que irias receber no paraíso.
E como dizem as escrituras antigas: “Bem-aventurados aqueles que
lavam suas vestiduras no sangue do cordeiro, para que lhes assista o direito
à árvore da vida”(AP 22:14). E você acabou esquecendo
de mim e de minhas promessas, Ispedita, fazendo contrato com o Demo?
Ispedita entristece: Mai e num foi... Mai foi causa desse Demo qui veio
me atanazar!
Salvador: Mais esse é o trabalho dele – atanazar e enganar
meus filhos, os justos – e os justos permanecerão fortes,
acreditando nas minhas promessas, pois sempre estarei com vocês,
não importa a dificuldade! Você ainda quer fazer contrato
com o Demo? “Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo
inteiro e perder sua alma? Ou que dará o homem em troca de sua
alma? (Mt 16:26)” . Um tanto de água?
Ispedita: Craro qui não, meu Sarvador! Eu já lhe tinha entregado
minha vida pro mode o sinhô abençoá! Sô eu,
tua serva quirida! Não quero ficar longe do Senhor!
Salvador: Então que o Demo volte pras trevas onde é o lugar
dele!
Ispedita: (pensando) Êta, quero só vê o Demo sair dessa
agora!
E o salvador expulsa o Demo que voltou para as trevas (efeito musical).
Ispedita agora se encontra sozinha na beira do riacho.
Ispedita: É, hoje o dia foi muito do agitado! Nun lavei a roupa,
quase vendi minha arlma pro Demo, vi meu Sinhó Sarvador... (suspiros).
Num sei mai o qui pode acuntecê.
E começa a relampejar e cai uma chuva forte!!!
Mensagem final
(fundo musical)
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