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“antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso
coração, estando sempre preparados para responder a todo
aquele que vos pedir razão da esperança que há em
vós,” (I Pe 3:15)
CENA 01
Em casa...
Márcio: Alô
Rafa: Fala cabeção! É o Rafa, beleza?
Márcio: Beleza.
Rafa: O que você vai fazer hoje?
Márcio: Ah, tenho uns baratos aí e depois eu ainda não
sei.
Rafa: Não sei que baratos são esses que você faz todo
o sábado, meu...
Márcio: Ow já falei, é uns baratos aí, meu.
Rafa: Ah sei, véio, vai rolar uma festa hoje, meu! Fala sério,
você não pode perder!
Márcio: Onde que vai ser?
Rafa: Onde que vai ser, onde que vai ser, ah fala logo que você
quer saber se a Taty vai, ô.
Márcio: Ah, não enche cara!
Rafa: Uh, uh, uh, tá apaixonado!
Márcio: Nem é, ô. Tanto que... (diminui o tom de voz)
...vou na festa e ficar com um monte de gatinhas.
Rafa: Ah, “muleque”! A festa vai bombar! É nóis,
é nóis!
Márcio: É nóis! Falou cara!
Rafa: Falou!
Márcio: Yesss... Mãe, hoje eu vou no cinema com o pessoal
da Igreja.
Mãe: Que horas você volta?
Márcio: Uma meia noite, uma hora...
Mãe: Meia noite?! Que horas é esse filme?
Márcio: Ah, mãe! Pega leve! A gente vai ficar batendo um
papo, fazer um lanche, só isso. Pode ficar tranqüila, é
tudo com o pessoal da Igreja.
Mãe: Está bem, filho, tenha juízo!
Márcio: Pode deixar que daqui a pouco é tô é
vendendo! (risos).
Márcio sai da cozinha enquanto a sua mãe abaixa a cabeça
e ora.
Mãe: Senhor, meu coração fica aflito toda vez que
o Márcio sai à noite. Não sei por que não
consigo confiar nele. Mas Deus, Tu sabes de todas as coisas. Protege o
Márcio. Se ele ainda não te conhece de verdade, dá
graça para que Ele te conheça e te sirva de verdade. Em
nome de Jesus. Amém.
CENA 02
Na cantina...
Márcio: Oi gente...
Todos: Oi.
Márcio: O ensaio não começou?
Dudu: Ainda não chegou ninguém.
Márcio: Ah...
Luciano: O que vocês vão fazer depois do ensaio?
Juliana: Meu, eu vou para uma pizzaria com um amigo...
Todos: Hummmmm...
Dudu: Olha só a Ju... Arrasando corações...
Jéssica: Apresenta o cara “aeh”. Quem sabe ele não
tem um irmão, assim, precisando de uma Jéssica.
Todos riem.
Juliana: Ah, nem dá, meu. Ele não é crente e já
disse que não se sente bem na Igreja. Fora o povo que fica falando.
Jéssica: Pelo menos o seu é sincero. Pior foi meu ex, que
vivia dizendo que iria vir para a Igreja, falar com meus pais... Seis
meses e nada! Depois ficou com uma “baranga”. Que raiva, meu!
Juliana: Fica assim não, “Jé”. Depois aparece
outro.
Jéssica: O que me dá mais raiva foi que eu tive que agüentar
o pessoal falando que era errado, meus pais pegando no meu pé,
pra depois ele nem vir na Igreja.
Juliana: Ai que idiota, meu. O pior é que o pessoal fala mesmo.
Márcio: Eu não estou nem aí com o que o povo pensa.
Hoje eu vou numa festa e... cá entre nós, vou beijar muito!
(risos)
Dudu: “Ó” o cara, aí. “Mó”
garanhão.
Claudinha: Oi gente. A paz do Senhor! Vamos subir! O ensaio já
começou há um tempão.
Luciano: A gente já vai!
Claudinha: Ok, não demorem então, senão daqui a pouco
o ensaio acaba e vocês nem subiram.
Todos: Falou.
Juliana: É melhor a gente ir. Depois a gente continua.
No ensaio, que a princípio tinha bastante gente...
Dudu: E aí, cara? Você vai ficar com aquela mina da escola
na festa?
Márcio: Cara, se ele me der bola, não tem pra ninguém!
Mas se não der, garota é o que não vai faltar.
Raquel: Meninos, meninos, o ensaio ainda não acabou. Como eu ia
dizendo, amanhã não teremos ensaio em virtude do Encontro
com o Coro, mas semana que vem voltamos ao normal.
Raquel inicia uma oração para terminar, enquanto Márcio
não pára de olhar para o relógio.
Raquel: Está terminado.
Márcio: Falou. Cara. Eu vou indo.
Claudinha: Paz do Senhor, meninos! Nós vamos nos reunir às
oito horas para estudar a Bíblia. Aqui mesmo na nossa sala. Vocês
não querem vir?
Dudu: Hoje não dá.
Márcio: Foi mal, Claudinha. Hoje não dá.
Claudinha: Tudo bem então, mas tem reunião todo sábado.
Quando puder, aparece aí.
Márcio: Valeu. Eu já vou indo.
CENA 03
Na escola...
Carol: E aí, Taty? Gostou da festa?
Taty: Ah, fala sério! Foi tudo de bom! Fiquei com dois gatinhos.
Ai que fofos...
Carol: Humm, depois me conta em detalhes. Mas... e o Márcio? Você
não ficou com ele?
Taty: Ah não, sei lá...Ele é até bonitinho,
mas acho que não combino com ele. Mas não é caso
perdido não.
Carol: Quando fala assim, pode saber que já tá a fim.
Taty: Vamos mudar de assunto, que aí vem os meninos.
Eles se cumprimentam.
Carol: E aí, vocês curtiram a festa?
Rafa: Foi massa! O Márcio que o diga...
Taty: O Márcio? Hum...O que aconteceu lá?
Rafa: Ficou com cinco minas, meu. Não tem pra ninguém (risos).
Carol e Taty: Cinco?
Márcio: Na realidade, foram quatro. O Rafa que é exagerado.
Taty: Mas mesmo assim é muito. Ai...Como vocês homens são
toscos!
Márcio: Você fala assim, mas bem que eu vi você com
dois moleques.
Rafa: Olha o cara, “aeh”. Ficou reparando. Humm...Tá
tá apaix...
Márcio interrompe Rafael.
Márcio: Que cara é essa, Carlinhos?
Carlinhos: Nada não.
Carol: Conta cara! Desembucha meu!
Carlinhos: Ah, foi uns lances “aeh”...
Taty: Conta logo, meu!
Rafa: Ai como mulher é curiosa!
Márcio: Ahhhh, mas conta aí, cara!
Carol: Nós que somos curiosas, né? Sei...
Carlinhos: Tá bom, tá bom. Eu conto. É que teve uma
mina lá na sua festa que não quis ficar comigo...
Márcio: Oh, coitada da criança. Vai fazer biquinho só
porque a mina não quis ficar com ele. Se liga, moleque! Essas minas
são cheias de frescura mesmo!
Rafa: É, cara! Liga não. Deve tá assim de mina querendo
ficar com você! Não liga pra essa “mocréia”
não!
Taty: Hei! Tem menina aqui. “Alôou”!
Carlinhos: Não é nada disso não, meu! Ela disse que
não ia ficar nem comigo, nem com ninguém, porque era evangélica
e tal...
Márcio: Eu vou beber água.
Rafa: “Ow”, mas você não trocou umas idéias,
meu?
Carlinhos: Troquei, disse que ia pra Igreja com ela, mas ela disse que
mesmo assim era errado, porque eu tinha que ir para a Igreja por amor
e não por ela. Até disse que ia por amor... a ela mas não
teve jeito.
Carol: Pô, cara, liga não. Deve ser uma prima minha que é
crente. Fica triste não. Com tanta menina, você foi se meter
logo com a que é crente?
Carlinhos: Ah...Eu não liguei não. Tanto que fiquei com
duas minas depois, mas sei lá, meu. Fiquei pensando...Ela é
crente, quer seguir as regras, e... Sei lá. E se eu morrer, acho
que eu vou é para o inferno. Sem direito a escala.
Todos riem.
Taty: Liga pra isso não, cara. Acho que esse negócio de
religião é uma baita furada. O que importa é o que
você pensa, meu. Se você é bom ou ruim.
Carol: Mudando de assunto e voltando para o mesmo, sabe quem eu vi saindo
da Igreja no domingo passado?
Todos: Quem?
Carol: O Márcio.
Taty: Ah, não acredito! Se esse aí for na Igreja, eu nunca
beijei (risos).
Márcio volta...
Carlinhos: Aleluia irmãos!
Rafa: Eu sou amigo de um pastor e nem sabia!
Márcio: Do que vocês estão falando, cara?
Carol: Ah, vai negar que você estava na Igreja na semana passada?
Márcio: Ah, é isso? Eu vou sempre lá, meu. Como é
que vocês acham que eu agrado a “veia” pra ela me liberar
geral?
Rafa: Então você é crente?
Márcio: Ah, eu vou na Igreja, pôxa. O que tem de mais?
Carol: Você crente? Hahá, então o Michael Jackson
é lindo!
Taty: Conta outra. Se esse aí é crente, eu sou uma freira.
Rafa: E eu, o próximo papa!
Márcio: Ai como vocês são idiotas! Dãããã.
Carlinhos: Abemus papa Rafael Ratzinger.
Todos riem, exceto Márcio que não sabe o que falar.
Márcio: Eeee, já encheu já! Vocês não
sabem falar de outra coisa?
Carlinhos: Olha só ele nervosinho...Deve ficar uma gracinha de
terno e gravata.
Carol: E a Bíblia enorme debaixo do braço.
Márcio: Nem é, ta?! Eu uso roupa normal.
Taty: Meu, falando sério agora, por que que você é
crente? Eu acho religião algo chato e desnecessário. Mas
com tanta religião, por que você resolveu ser crente?
Márcio: Por que eu sou crente?
Taty: Isso cara, por que que você é crente?
Toca o sinal.
Márcio: Depois eu te respondo.
Taty: Falou.
CENA 04
Na sala de aula...
Professora: Bom dia! Eu já tenho o resultado das provas. A maioria
passou, alguns eu melhorei a nota para chegar no mínimo. Mas Rafael
e Márcio! Eu não sei mas o que fazer com vocês. Venham
aqui por favor.
Rafael vai enquanto Márcio continua pensativo.
Professora: Márcio, Márcio! Hei, você está
no mundo da lua? Vem cá, já chamei!
Márcio: Desculpa.
Professora: O que eu vou fazer com vocês hein? Todo mês eu
dou chance e olha isso! 2,5 e 2,3, e a diferença só deu
porque você colou errado o final de uma questão.
Rafa: Desculpa, professora! Mas é que eu não tive tempo
para estudar.
Professora: Sei, a internet não deixou...
Rafa: Não é isso...O negócio é que eu tô
procurando um cursinho, e isso tá levando muito tempo. Me dá
mais uma chance? Vai, diz que sim...
Professora: Mas você ainda está no primeiro. Não é
muito cedo para querer fazer cursinho? Geralmente as pessoas fazem cursinho
no terceiro ano, ou quando acabam o 2º grau.
Rafa: Pois é, professora. Mas como eu sou um super aluno. Resolvi
fazer cursinho bem antes, para não ficar igual uns e outros que
não passam de primeira. Fala sério, vai! Eu sou um gênio!
Professora: E cara de pau também, né, pois pra quem não
gosta de estudar nem o básico, vai querer fazer cursinho três
anos antes? Mas eu nem vou discutir não. Você faz a prova
depois de amanhã, mas não terá outra chance!
Rafa: Valeu, “fessora”! Pode deixar que o Rafão aqui
não vai decepcioná-la!
Professora: Espero...E você, Márcio? Não me diga que
também não teve tempo!
Márcio: Antes fosse...Minha tia morreu. Ficou maior clima lá
em casa. Nem tive cabeça. Foi mal!
Professora: Engraçado...Como morre gente na sua família,
né, Márcio? Na prova passada, foi o cachorro, agora a tia.
Daqui a pouco você vai dizer que morreu e não teve como chegar
a tempo da prova. Ah...Faça-me o favor!
Márcio: Pô, fessora. O Rafael que ficou procurando cursinho
a senhora dá outra chance, mas pra mim que fiquei todo triste por
conta da minha tia, a senhora fica desprezando. Deixa quieto. Não
quer dá a prova não dá, mas não fala mal também,
né?
Professora: Ok, desculpe-me. Meus pêsames pela morte da sua tia.
Você faz a prova junto com o Rafael na quinta. Pode se sentar.
Márcio: Valeu, “fessora”!
Professora: Espero que não morra mais ninguém!
Márcio: Vixi, eu também! Bate na madeira!
Os dois se sentam.
Márcio: Eita menino estudioso, Jesus. Cursinho desde o primeiro
ano.
Rafa: Pior você que matou a tia (risos).
Márcio: Vamos embora “aeh”.
Rafa: “Peraê”, que eu vou chamar a Taty pra ela ir com
a gente.
Márcio: Tá... (pensamento) Ai meu Deus! A Taty não!
E se ela perguntar de novo? Ai, eu preciso achar a resposta.
Rafa: Márcio! Márcio!!! Ei cara, voltei! A Taty vai sair
com a Carol, nem vai com a gente não.
Márcio: Graças a Deus!
Rafa: Quê?
Márcio: (disfarça) Ééééé,
nada não. É que se não ela começa com aqueles
papos...
Rafa: Que papos cara? Ah, já sei. Tá com medo de levar um
fora da queridinha, né?
Márcio: É, é isso mesmo.
Rafa: Márcio, eu acho que tu bebeu e esqueceu. Deu até para
assumir que gosta da mina, meu! Eu vou indo. Falou!
Márcio: (pensamento) Ai como eu queria ter bebido! Tipo, porque
que essa mina tem que saber o porquê de eu ser crente? Nem eu sei,
oras!
CENA 05
Mãe: Como foi na escola, filho?
Márcio: Uma chatisse como sempre.
Mãe: Mas você parece preocupado. Aconteceu alguma coisa?
Márcio: Ah, foi uma ... Ah, não enche mãe!
Márcio vai para o quarto.
Márcio: Que coisa, meu. Como é que eu vou falar com a Taty,
meu. Ela podia perguntar porque o céu é azul, o que achei
das tranças do rei careca...Ah, mas dá licença. Perguntar
logo por que eu sou crente! Tipo, eu sou crente porque todo mundo é,
oras. O Luciano é, o Dudu, a Ju, um montão de gente é.
Pior que ela vai achar que eu tô disfarçando... É
isso! Vou disfarçar, fingir que não foi comigo. E qualquer
coisa, eu mudo de assunto. É isso! (fala consigo) Cara, tu é
um gênio! Mas, e se ela insistir? Meu, logo a mina que eu curto...Fora
que eu nem sei por que eu sou crente. Deve existir uma razão. Mas
qual? Não tem jeito. Vou ter que descobrir isso.
CENA 06
Na Igreja...
Márcio vê seus amigos, dá um oi e passa direto.
Dudu: “Aê”, cara! Tá fugindo da polícia?
Márcio: Tô não, meu. É que hoje eu tô
a fim de escutar a Palavra.
Luciano: Ih, gente. Abafa o caso, que esse aí aprontou alguma coisa.
No ensaio, Márcio escuta atentamente.
Raquel: Hoje eu queria deixar uma rápida meditação
sobre oração. Vocês já pensaram no privilégio
que é poder orar? Falar diretamente com Deus, poder contar nossas
dúvidas, problemas, agradecer... Às vezes nós achamos
que orar é algo muito complicado, mas não é. Orar
nada mais é que falar com Deus. Então quando você
orar, abra seu coração. Deus o entende. E se você
já tem orado e parece que a resposta não vem, persista!
Deus abençoe vocês.
Márcio: Ué, já acabou?
Claudinha: Já! Fica com Deus!
Luciano: E “aê”, cara? Vamos sair?
Márcio: Hoje não, meu. Tenho umas perguntas pra fazer.
Luciano: Tipo, quer ficar comigo, Taty? (risos).
Márcio: Né não, seu mané! Eu vou orar!
Luciano: Ah, sei. E eu vou pro curso de costura! Esse aí pensa
que me engana.
CENA 07
Mãe: Oi filho, já voltou? O ensaio acabou mais cedo?
Márcio: Não, normal.
Mãe: Mas você nunca chega esse horário.
Márcio: É que hoje eu resolvi prestar... ah deixa pra lá,
eu vou pro meu quarto.
Mãe: Esse menino anda tão esquisito.
No quarto...
Márcio: Ai, é tão mais fácil ajoelhar e fingir
que está orando... Eu nem sei por onde começar, mas .....
Deus, tipo, eu nem sei orar. Você sabe, né, eu nunca fui
dessas coisas. Mas Deus, é que... Deus, sabe aquela menina? Ela
me perguntou se tinha alguma razão para eu ser crente. Tipo, pra
ir na Igreja tem minha mãe, meus amigos, mas para ser evangélico,
eu não sei se existe alguma razão. Sabe, Deus, se eu falar
que não sei, ela vai me zuar. Fora que eu também queria
saber. Tipo, lá na Igreja tem um pessoal que é certinho.
Eu acho que isso deve ser muito chato. Tipo, o motivo é o medo
do inferno? Porque se for, tipo...Ah, eu sei que eu dou minhas escorregadas,
mas só de leve... Não, de vez em quando eu dou umas escorregadas
maiores, mas... tipo, só de vez em quando. Mas eu sou bom. É
sério! Mas isso não vem ao caso. Eu só queria saber
se existe motivo para ser crente. Assim algum motivo que faça com
que a pessoa não queira mas nada a não ser se tornar um
crente. Deus, por favor, me fala! Obrigado, tá Deus? E desculpa
qualquer coisa. Ah... Amém, né? É, amém.
Márcio: E agora, meu, acho que vou esperar.
Enquanto toca um hino de fundo...
Na Igreja...
Lílian: E então, gente? Não vem mais ninguém?
Claudinha: Eu liguei paras as meninas e nenhuma vai vir.
Lílian: Eu não sei para que eu pergunto. Esse povo parece
que não quer nada com Deus.
Cris: Pior que é verdade.
Raquel: Hei, meninas, não fiquem assim. Eu sei que é triste,
mas nem todo mundo não vem porque não quer. Têm os
que não podem também.
Mateus: É verdade. Três meninos não puderam vir porque
tinham visita em casa.
Lílian: Ah, mas, sem querer falar, que o pessoal anda meio sem
compromisso, isso anda.
Cris: Ai...Deixa pra lá e vamos começar logo.
Claudinha: Gente, vocês repararam como o Márcio tava diferente
no ensaio? Nem conversou.
Lílian: É, eu devia ter trazido guarda-chuva (risos).
Mateus: Ele eu nem chamei. Eu sei que não vem mesmo.
Raquel: Ai, gente coitado! Que preconceito... Cris, liga pro menino!
Cris: Ai, ta. Tudo eu, tudo eu...
No quarto...
Mãe: Filho, telefone.
Márcio: Alô.
Cris: Oi Márcio, é a Cris da Igreja, tudo bem?
Márcio: (tentando lembram quem é) Cris, Cris...(tom) Ah,
tá. Tudo, e você?
Cris: Tudo bem graças a Deus. Nós vamos ter uma rápida
devocional aqui na Igreja. Você não quer vir?
Márcio: Devocional?
Cris: É, devocional. Uma meditação na Bíblia.
É rápido. Você está ocupado?
Márcio: Não, mas já começou?
Cris: Ainda não. Se você quiser, nós te esperamos.
Márcio: Falou! Então, estou indo para aí.
Cris: Então tá bom. Tchau!
Márcio: Tchau!
Cris: Ai, que bom. Ele vai vir!
Lílian: Ai Cris, deixa de ser boba meu. É lógico
que ele não vem. Ele falou mesmo que vinha?
Cris: Falou, disse que já estava vindo.
Lílian: Só acredito vendo.
Claudinha: Ai, meninas deixem de discutir. Vamos esperar um pouquinho.
Se ele não vir, a gente começa.
Raquel: Isso mesmo.
Mateus: É bom que aí eu tenho mais tempo (risos).
Em casa...
Márcio: Mãe, eu estou indo pra Igreja.
Mãe: Igreja? Mas não está tendo culto. Deixa de conversa,
menino.
Márcio: Não é conversa não, mãe. A
menina acabou de me ligar me convidando para uma devo-sei-lá-das-quantas.
Mãe: Devocional?
Márcio: É isso mesmo. Ela disse que é rápido.
Posso ir?
Mãe: Pode, mas não chega tarde se não eu te proíbo
de sair! Onde já se viu, sair todo final de semana...
Márcio: Tá mãe. Fica fria que eu chego cedo.
O telefone toca...
Márcio: Atende aí, mãe, que eu já estou de
saída.
Mãe: “Oxe”, atende você. É pra você
mesmo.
Márcio: Alô.
Rafa: Fala cabeção! Tá a fim de uma baladinha básica
hoje?
Márcio: Hoje não, meu. Eu tô indo pra... eu tenho
um compromisso e já estou atrasado.
Rafa: Ih, ó o cara, aí! Vai amarelar?
Márcio: Ah, eu preciso ir, falou?
Rafa: “Eita”. O que deu no cara? Eu hein.
CENA 08
Na Igreja...
Lílian: Eita! Não é que ele veio mesmo.
Cris: Eu te disse.
Claudinha: Oi Márcio! Seja bem vindo.
Márcio: Ah, valeu.
Raquel: Então, já que estão todos aqui, vamos começar,
hoje vai ser o Mateus que vai dá a Palavra.
Mateus: Eu queria ler aqui em Mateus, viu que livro bonito (risos). Capítulo
seis, versículo 9: “Portanto, vós orareis assim: Pai
nosso que estás nos céus” só até aí.
Bom, eu queria falar sobre nosso relacionamento com Deus, Jesus tratava
Deus como um Pai, porque Ele é Filho dEle. E nós? Como chamamos
a Deus? Não digo do nome que usamos na oração, mas
como vemos a Deus, o que Ele representa para nós. Será que
temos visto Deus como pai? E mais, será que temos nos comportados
como Filhos? Jesus disse que a família dEle seria aqueles que ouvem
e praticam a Palavra de Deus. Como, pois, queremos ser filhos sem nem
ao menos nos comportarmos como tais? Devemos ter compromisso com Deus.
Se você não tem se comportado como Filho, ou não tem
compromisso com ele, não espere que caia um pedaço do céu,
ou que algum profeta venha te dizer que Deus tem uma obra em sua vida.
Tome uma atitude. Procure obedecer a Deus, orar e ler mais a Bíblia.
É isso, que Deus abençoe vocês.
Todos: Amém.
Cris: Como foi a primeira vez que o Márcio veio, eu sugiro que
ele ore para terminar.
Márcio: Ah...Eu não, eu não sei orar.
Raquel: Não precisa ficar com vergonha não, Márcio.
Lílian: Antes eu queria lhe pedir desculpas. Eu achei que você
nunca viria em uma de nossas reuniões.
Márcio: Nem eu (risos). Ta, eu oro. (fecha os olhos) Deus, obrigado
pela Palavra. Obrigado mesmo, por tudo Deus, obrigado.
Márcio: Valeu, gente! Quando tiver de novo, me chama.
Mateus: Vai com Deus, cara.
CENA 09
Em casa...
Márcio: Oi mãe! Cheguei!
Mãe: Oi Filho! Como foi lá?
Márcio: Muito bom! Mãe, você sabe onde está
minha Bíblia?
Mãe: Não, mas pegue a minha. Está aqui.
Márcio: Valeu.
No quarto, Márcio ora mais uma vez...
Márcio: Deus, uma coisa eu já descobri: que eu não
tenho sido um bom filho. Se é que eu sou filho, né?! Mas
Deus, eu queria ser Teu filho, sabe? Mas parece tão difícil...As
pessoas tiram sarro de quem é crente. Será que não
tem como eu ser teu filho sem ninguém saber? Acho que não,
né? Mas... o que faço então? Tipo, não tem
como mudar assim de uma hora para outra. Me responde, tá? E obrigado
por tudo.
Márcio pega a Bíblia de sua mãe que está marcada
em João 3.
Márcio: Nossa! Como é grande...Vou começar por aqui:
“se alguém não nascer de novo não pode ver
o reino de Deus.” Tá aí uma boa solução
pra quem nasceu feio (risos). Brincadeira, brincadeira... É isso
mesmo. Como é que alguém pode nascer de novo?(...) Nascer
da água e do Espírito? Acho que só assim eu conseguiria,
Deus. Como eu faço pra nascer de novo, Deus? Eu quero! Eu quero
ser crente de verdade! (...) “Todo aquele que nele crer”.
Crer? Então não basta ser bonzinho. Eu creio Deus, eu creio!
“Porque Deus amou... todo aquele que nele crer”. Então
é isso! Essa é a resposta! Deus, eu andei todo errado. Mas
eu preciso de Ti. Sem o Senhor, eu não vou conseguir ser um crente
de verdade. Me ajuda! Me perdoa! E muito obrigado por você ter morrido
por mim. Obrigado mesmo. E me faça nascer de novo. Me ajuda, Deus.
Obrigado. E eu também te amo!
CENA 10
Na escola...
Rafa: Ah, Márcio vacilão! Tu perdeu no sábado, meu.
Foi tudo de bom!
Márcio: Ah, tá.
Rafa: Meu, tu bebeu, foi?
Márcio: Claro que não! É que... Deixa pra lá.
Você não iria entender mesmo.
Rafa: Aff que você veio todo mordido. Eu hein.
Márcio: Vim mordido não, cara. É que aconteceu umas
coisa que me fizeram pensar.
Rafa: Pensar? Ah, dá licença. Que papo de biba esse seu,
hein, Márcio? Tô te estranhando, cara.
Carlinhos: E “aeh” gente! Márcio, sabe a Juliana do
2º ano?
Márcio: Sei, o que que tem?
Carlinhos: Então cara, a mina tá a fim de ficar com você.
Tá no papo, meu. É só chegar junto.
Márcio: Não, obrigado.
Carlinhos: Endoidou, cara?
Rafa: Liga não, Carlinhos. O Márcio tá esquisito
mesmo. Deve ter virado crente de vez.
Márcio: E se virei, qual é o problema?
Carlinhos: Ih, deixa quieto, meu.
Professora: Bom dia! Rafael, você tirou 4,5 na recuperação.
Mas para te ajudar eu arredondei.
Rafa: Valeu, “fessora”.
Professora: Mas você, Márcio, de novo 2,5. O que aconteceu,
rapaz? Só não me diga que morreu outro parente, que é
morte demais para uma família só.
Márcio: Morreu não, professora. Foi por que eu não
estudei mesmo. Desculpa.
Professora: Eu sabia que tinha aluno cara de pau. Mas desse porte não.
Espero que você estude para tentar passar de ano.
Rafa: Márcio! Meu, você andou bebendo, cara? Por que você
não inventou uma desculpa?
Márcio: Porque seria mentira.
Rafa: Como se você não tivesse feito isso antes.
Márcio: É, mas não faço mais.
Rafa: Cara, deixa de ser ridículo, meu. Nem parece o Márcio
que eu conheço.
Márcio: (pensamento) Ai Senhor, esse menino vai me deixar louco.
Pior que ele é meu amigo. Será que vale à pena, Deus?
Será que vale à pena ser crente e ouvir esse monte de “zuação”?
Professora: Vocês podem sair. Semana que vem teremos chamada oral.
Estudem!
Todos começam a sair, enquanto Márcio continua pensando.
Taty: O que você tem, Márcio? Parece tão diferente...
Aconteceu alguma coisa?
Márcio: Aconteceu. Lembra que você me perguntou se existia
razão para eu ser evangélico?
Taty: Lembro. E então?
Márcio: Pois é. Eu descobri.
Taty: Descobriu? Quer dizer que você não sabia por que era
crente?
Márcio: Não, porque eu não era crente. Eu só
ia à Igreja.
Taty: E porque você ia à Igreja?
Márcio: Por causa da minha mãe, por costume, amigos, enfim...
Mas só freqüentava.
Taty: Ah, tá. Tchau!
Márcio: Mas “peraí”! Você não quer
saber porque eu sou crente agora?
Taty: Quer dizer que você agora é crente? Bem que eu vi que
você tava com jeito de bitolado religioso mesmo.
Márcio: Quer ou não quer ouvir?
Taty: Quero. Fala logo, meu.
Márcio: Eu sei que você acha que religião é
algo desnecessário, e hoje eu sei que é mesmo.
Taty: Quê? Mas você não acabou de dizer que virou crente?
Márcio: Hoje eu sou cristão, mas descobri que muito mais
do que uma religião, nós precisamos de um relacionamento
com Deus.
Taty: Relacionamento?
Márcio: É, mas isso eu explico pra você depois. O
mais importante que descobri é que Jesus é o único
caminho para o céu e que tenho de crer nEle.
Taty: Ah, tá, entendi. Quer dizer que você virou crente por
medo de ir para o inferno.
Márcio: Não, eu me tornei crente porque descobri que Deus
me ama de um jeito que deixou o único Filho dEle morrer e sofrer
para que, se crer, eu seja salvo. Hoje eu sou crente porque eu descobrir
que vale à pena servir a Deus. Nãpo por medo, mas por amor,
que tudo que Jesus sofreu na cruz foi por amor a mim. Então, se
hoje você me fizesse aquela pergunta de novo, eu diria que escolhi
ser crente porque só Jesus pode salvar e porque Ele me amou como
ninguém poderia ter me amado.
Taty: Engole seco.
Márcio: Agora que você sabe o porquê de eu ser crente,
por que você não é?
Taty: Porque nunca ninguém me disse isso. Porque eu achei que tudo
o que se falava sobre Jesus era só para ter filme e passar em feriado.
Porque eu achei que Deus era injusto, mandando as pessoas que Ele mesmo
fez para o inferno. Mas pelo que você está falando, sou eu
que sou injusta quando não correspondo ao amor dEle. Amor... Isso
é tão forte... Eu pensei que Jesus tinha morrido para mostrar
que podia ressuscitar, mas não que o motivo principal era o amor,
e logo por mim... Márcio?(...) Como é que eu faço
para entender o amor de Deus?
Márcio: Não precisa entender, basta crer. Você acredita
que o sacrifício de Jesus por você foi por amor e que só
Ele pode te salvar?
Taty: Acredito sim. Eu era uma boba ao pensar que poderia ser outra coisa.
Márcio: Então, agora você se arrepende e muda de vida,
nasce de novo!
Taty: Eu quero mudar sim. Mas eu acho que vai ser difícil.
Márcio: É, fácil não é mesmo, mas se
você se entregar para Deus, Ele te ajuda. Ele tem me ajudado.
Taty: Você pode orar por mim?
Márcio: Senhor, aqui tá a Taty. Perdoe ela, ajude ela como
o Senhor fez comigo. Salve ela e que ela nasça de novo. Em nome
de Jesus, amém.
Taty: Obrigada por tudo, Márcio.
CENA 11
No caminho...
Márcio: Ai, que benção! Obrigado Deus! Realmente
vale à pena. Já pensou se todos meus amigos virassem crentes.
Aí seria um máximo. Agora com a Taty vão ser dois
para falar. Urhhhhh! Tipo, bem que agora ela podia namorar comigo, né?
Na escola...
Márcio: Oi gente, que cara é essa?
Carol: Você ainda não tá sabendo?
Márcio: Sabendo do quê?
Carlinhos: A Taty morreu, cara.
Márcio: Morreu, como assim morreu,? Pára de brincar, gente!
Rafa: Não é brincadeira não, cara! Ela sofreu um
acidente ontem na saída da escola. Foi fatal.
Márcio se retira e começa a pensar...
Márcio: Por que, Deus? Logo agora! Não é justo! Ela
te aceitou ontem, eu te perguntei se valia à pena sofrer tudo por
amor a Ti, e ela se converteu. Deus, se a resposta é sim, por que
ela morreu? Por que o Senhor não deixou que me ajudasse aqui? Por
que, Deus? Isso não é justo! Mas Deus...”Peraí”...E
se ela não tivesse te aceitado? Deus, e se eu não tivesse
falado do teu amor? Ai, Deus...Eu preciso falar para mais gente. E se
os meus amigos morrerem Deus? Ai, Deus...Eu não tenho coragem.
Eles vão me chamar de doido! Mas, por outro lado, se eles forem
para o inferno por minha culpa? Ai Deus, me ajuda!
Márcio volta para o meio de seus amigos.
Rafa: Ué, cara, você não ficou triste?
Márcio: Fiquei, mas ontem aconteceu uma coisa que vocês não
sabem.
Carlinhos: O quê?
Márcio: A Taty aceitou Jesus como seu Salvador.
Carol: Quê? Mas ela detestava religião.
Márcio: Eu sei, mas ela viu que a religião realmente não
levaria a nada, mas que sem Jesus ela iria para o inferno. Viu também
que o sofrimento de Jesus não tinha outra razão senão
o seu amor pela humanidade, inclusive por ela.
Carol: Por isso que você está diferente?
Márcio: É, eu também descobri que vale à pena
servir a Deus, que Ele me ama e que não existe outro caminho para
o céu além dEle. Que vale a pena negar o pecado e o mundo
por Ele.
Rafa: Cara, você é meu melhor amigo, mas se for para ficar
com essas conversas de crente, não precisa nem falar mais comigo.
Carlinhos: Lembra da menina que não quis ficar comigo porque era
crente?
Márcio: Lembro.
Carlinhos: Então, você acha que isso foi um sinal de Deus
para eu me tornar cristão?
Márcio: Sem dúvidas foi uma forma de você ficar sabendo
que vale à pena servir a Deus.
Carlinhos: Ai Deus, o que eu vou fazer agora? E se eu morrer! Como eu
faço para ter Jesus.
Márcio: Deixa Jesus te ter.
Carlinhos: Como assim?
Márcio: Entregue-se pra Jesus, creia nEle, se arrependa, enfim
o aceite como seu único Salvador.
Carlinhos: Eu aceito, cara. Eu preciso de Jesus.
Carol: Meu, eu não entendo muito bem, mas eu também preciso
de Jesus.
Márcio: Carol, não deixa isso morrer no seu coração.
Procure a Deus. Vá a uma Igreja evangélica. Em casa, fale
com Deus que você quer conhecê-lo.
Carlinhos: E eu, cara, o que faço?
Márcio: Conte a todos que você encontrar sobre o amor de
Deus. Não deixe que ninguém fique sem saber que Jesus os
ama e que morreu para salva-los, que o pecado vai levá-los à
morte eterna, mas Jesus é o único caminho que nos leva à
vida eterna.
Carlinhos: Mas eu não sei falar, meu!
Márcio: Não tem problema, fale com sua vida. Deixe que seus
atos falem por você.
Entra o solo.
FIM
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