Personagens: Jesus adulto, Jesus menino; Maria; José;
Isabel; Sacerdote 1; Sacerdote 2; Crianças (quantas quiserem ou
puderem); Adultos - homens e mulheres (quantos puderem ou quiserem); Voz
CENA 1
Jovem caracterizado de Jesus (adulto) entra no palco (altar) carregando
uma bola e a camiseta ou a bandeira de um time de futebol. Chega mais
para frente no altar ou palco e conversa com as crianças que estão
assistindo:
Jesus adulto: Olá criançada! Tudo bem?
Pois é, comigo também está tudo bem. Hoje é
o Dia das Crianças, não é mesmo? Pois bem, hoje eu
queria contar para vocês que eu também já fui criança,
igualzinho a vocês. Gostei de brincar, e correr, e pular, como qualquer
criança. Se eu tivesse nascido no Brasil, na época de vocês,
talvez eu iria gostar de jogar bola! (Pode tentar chutar a bola, ou fazer
embaixadinhas). Talvez eu fosse torcedor do time ...........(erguer a
bandeira). Lá na minha terra, a Palestina, as crianças brincavam
também, só que de outras coisas: de pique-esconde, de correr
atrás do outro, de imitar o mestre, de faz de conta, de correr
com os cachorros e as cabras, e de tantas outras coisas. Hoje vocês
vão passar um dia especial comigo quando eu era menino e ver uma
aventura que eu fiz quando meus pais foram para Jerusalém.
(nesse momento, ouve-se a voz de Maria, ainda escondida, chamando):
Maria: Jesus! Jesus!
Jesus Adulto (Faz um sinal com o dedo na boca): Shh! Eu agora preciso
sair!
(e retira-se do palco. Maria aparece):
Maria: Jesus, meu filho! Vem para casa que já está na hora!
(põe a mão sobre os olhos, procurando pelo filho)
Jesus menino entra correndo na Igreja
Jesus menino: Mãe! Mamãe! Eu tava brincando lá do
lado do poço com a minha turma! (dá um abraço na
mãe e os dois começam a conversar)
Maria: É mesmo, meu filho? E do que vocês estavam brincando?
Você está suado!!!
Jesus: Ah, nós estávamos brincando de faz de conta. Eu era
o profeta Daniel, o João era o Rei e a Ana, a Isabel, o Tiago e
o Jeremias eram os leões. (fala com muito entusiasmo) Mamãe,
o Jeremias fingiu tão bem que era um leão, que até
eu fiquei com medo! Até as garras do leão ele fez colando
espinhos nas mãos com cera de abelha! Foi um sucesso!!
Maria: Puxa, filho, que brincadeira boa! Mas eu vi que o Barnabé
e o André não estavam com vocês. Porquê?
Jesus: Sabe, mãe, é aquele velho problema... O pai e a mãe
deles não levam eles na Igreja. Dizem que eles ainda são
muito novos. Então, o que acontece: eles não conhecem as
histórias dos profetas, têm vergonha de brincar com a gente.
Em lugar disso, ficam só espiando de longe, brincando de luta e
de caçar passarinhos.
Maria: Mas que coisa triste, filho. Eu acho que eles iriam gostar muito
de participar da Igreja, não é mesmo?
Jesus: Ah, mas com certeza, mamãe! E além disso, eles iriam
aprender coisas boas, e não essas bobagens que eles fazem.
Maria: Você sabe, filho, José e eu já pedimos tanto
para os pais levarem o Barnabé e o André na Igreja. Mas
eles sempre inventam alguma desculpa: ou ainda não terminaram o
trabalho, ou estão muito cansados, ou vão receber uma visita,
ou precisam preparar a comida... (olha com desânimo para o chão)
E tudo isso são só desculpas. Se eles quisessem, poderiam
levar os meninos na Igreja. Eu tenho muito medo de que eles ainda vão
sofrer muito na vida por causa desses meninos. Afinal, se eles não
estão aprendendo coisas boas, certamente estão aprendendo
outras coisas, talvez não muito legais. Ontem mesmo nós
conversamos com a mãe deles, e ela disse que a gente não
tinha nada a ver com a vida deles, que cada um devia cuidar do seu nariz.
José e eu quase choramos!
Jesus: Mas em todo caso eu e minha turma não desistimos, mamãe.
Nós estamos sempre convidando eles para brincar conosco, e dizendo
para eles pedirem para os pais levarem eles na Igreja. Quem sabe um dia
isso muda! (abraça a mãe mais uma vez e dá um beijo
estalado, bem barulhento, em sua bochecha) Ah, mamãe, muito obrigado
por me levar sempre na Igreja!
Maria: Eu e José é que agradecemos todos os dias porque
Deus nos deu de presente você e os seus irmãos e irmãs.
Nós temos orgulho de ter uns filhos tão obedientes e educados!
(Maria olha para o céu e percebe que o dia está passando)
Nossa, filho, o tempo passou rápido! Já está na hora
de sairmos para a nossa viagem a Jerusalém.
Jesus: Jerusalém! Oba!!! Vamos poder ir de novo no Templo! Vamos
logo mamãe, porque eu quero ajudar o papai a guiar os jumentos!
(os dois saem do palco de mãos dadas, conversando animados sobre
a viagem)
CENA 2
Esta cena acontece no templo de Jerusalém. Ela inicia sem falas,
apenas com fundo musical. O cenário é divido em três
partes ou ambientes: em uma delas, os homens estão sentados, enquanto
que um deles, o sacerdote está um pouco mais alto(pode ser num
banquinho) com a Bíblia aberta e lê um trecho - tudo com
mímica. Em outro ambiente estão as mulheres, ajoelhadas,
orando. Num terceiro ambiente estão as crianças e um adulto
com elas. Algumas podem estar desenhando, outras cantando. Todas as pessoas
demonstram alegria de estar no Templo. Depois de algum tempo, os homens
e mulheres vão levantando, encontrando-se uns com os outros, buscando
as crianças e voltando para casa. Maria e José voltam com
seus filhos e outros adultos e crianças. Jesus não está
com eles. Vão caminhando bem devagar, conversando entre si, alegres,
pelo corredor da Igreja. Maria e José começam a procurar
por Jesus, sem o encontrarem. A música vai diminuindo aos poucos:
Maria: Isabel, minha prima, Jesus está com vocês?
Isabel: Não, Maria. Nós o vimos pela última vez lá
no Templo... Será que ele não está com os meninos
do Ezequiel?
Maria: Eu acabei de falar com eles. Jesus não está lá
não! (põe a mão na cabeça, desesperada) Senhor,
onde pode estar meu filho? E se ele estiver correndo perigo?
José (chegando apressado): Maria, já passei em todas as
famílias que estão viajando conosco e Jesus não está
com nenhuma delas. Todos viram Jesus pela última vez no Templo.
Maria: Mas então, José, vamos voltar e procurar nosso menino!
José: Eu também pensei em fazer isso, Maria. Estou muito
preocupado com Jesus! Vamos aproveitar e voltar logo para Jerusalém,
antes que o nosso grupo viaje para mais longe, e nós fiquemos sozinhos
para a viagem de volta! Eu já peguei água e um pedaço
de pão para a viagem (mostra a bolsa que carrega consigo)
Maria (voltando-se mais uma vez para Isabel): Isabel, você poderia
cuidar de nossos outros filhos enquanto José e eu voltamos ao Templo?
Isabel: Com certeza, Maria. Agora vão logo, que nós vamos
acampar aqui para esperar vocês!
José e Maria saem apressados para um lado, abraçados, enquanto
que o seu grupo sai pela porta da Igreja.
CENA 3
Esta cena se passa novamente no templo. Ao serem abertas as cortinas,
vê-se Jesus sentado no chão, junto com outros homens, sacerdotes
e professores. Todos estão com suas Bíblias abertas em Isaías
11. Um dos sacerdotes começa a ler:
Sacerdote 1: Vejam o que o profeta Isaías falou: "Virá
um descendente do rei Davi, filho de Jessé, que será como
um ramo que brota de um toco, como um broto que surge das raízes.
O Espírito do Deus Eterno estará sobre ele e lhe dará
sabedoria e conhecimento, capacidade e poder. Ele temerá ao Deus
Eterno, e conhecerá a sua vontade".
Sacerdote 2: Há muitos anos, todas as vezes que nós lemos
este trecho, perguntamos qual será o rei que Deus irá enviar
para nos ajudar. Este que agora nos governa nem é da casa de Davi.
E também o nosso povo não possui mais exército, para
este rei tomar o poder. O que vocês acham, amigos: de que aldeia
deverá vir o nosso futuro rei?
Jesus (Coloca-se em pé e fala): Peço licença aos
senhores. Eu acho que vocês não deveriam esperar por um rei
poderoso. Vejam que o texto do profeta fala que ele vai ter sabedoria
e conhecimento, que vai ter muito respeito por Deus e que o Espírito
Santo está com ele. (nesse momento José e Maria vão
entrando e ouvindo em silêncio, mostrando admiração
pelo conhecimento de Jesus) Mas o texto não fala se vai ser um
rei. Talvez pode ser apenas um menino, um filho de carpinteiro...
Sacerdote 1: Nossa, mas que menino inteligente!
Sacerdote 2: Que idéia revolucionária. E como conhece bem
a palavra de Deus!
Jesus: Pois é, isto é porque desde pequenininho meus pais
sempre me trouxeram para o Templo, e em casa me ensinaram as orações
e os cantos do culto.
Sacerdote 1: E como é seu nome, menino?
Jesus: Meu nome é Jesus, e vim lá de Nazaré... (José
interrompe)
José: Jesus! Você ficou para trás e perdeu-se do nosso
grupo. Nossa família já viajou um dia inteiro e sua mãe
e eu voltamos para lhe procurar.
Maria: Meu filho! Você me deu um susto tão grande!! Seu pai
e eu ficamos desesperados, pensando que algum mal poderia ter acontecido
com você! (Jesus sai da roda e abraça José e Maria):
Jesus: Mamãe! Papai! Perdoem-me! Eu não quis preocupar vocês!
Eu nem vi o tempo passar, e não percebi que vocês já
haviam partido! Mas vocês sabem que quando estou na casa de meu
Pai (mostra com gesto largo o Templo ao seu redor) eu esqueço de
tudo, esqueço até de comer! Mais uma vez, perdoem-me!
José: Tudo bem, meu garoto. Nós sabemos que você não
fez por mal. Mas agora vamos embora, que o pessoal acampou só para
nos esperar.
Maria: É, e com certeza vão rir muito da nossa aventura.
Mas por favor, não faça mais isso, que meu coração
de mãe não vai agüentar!
Os três saem do altar rindo, felizes. Pode-se colocar uma música
de fundo, que vai diminuindo de volume aos poucos enquanto uma voz fala.
Durante esta fala, todos os atores e atrizes voltam para o altar e dão
as aos. Quando termina a fala, curvam-se para agradecer à "platéia".
*Voz: "Jesus crescia no corpo e em sabedoria. Era um bom filho e
um ótimo amigo. Tanto Deus como as pessoas gostavam cada vez mais
dele."
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