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| NARRADOR Enom era uma pequena aldeia pertencente à cidade da Galiléia. Lá morava um homem querido pelo povo, Jairo. Ele era o líder local daquele lugar. Sacerdote observador da Lei Mosaica, Jairo aguardava dias melhores para seu povo e a esperança do Messias prometido. Jairo, além de ser o principal sacerdote, também era pai de um adolescente de doze anos, que era educado sob o temor do SENHOR e ouvia atentamente à instrução das Escrituras Sagradas. Neste tempo, Jesus Cristo estava ativo em seu Ministério Terreno. A jovem Zilá já ouvira falar muito dele, de suas pregações, curas e milagres que fazia no meio do povo e pelo grande amor que ele tinha pelas crianças. CENA 1 Jairo está se preparando para ir a Sinagoga quando Zilá o observa, com muito orgulho e admiração, o seu pai. Zilá – Pai, o senhor tem um carinho muito grande pelas coisas sagradas! Dia após dia, observo o zelo como se veste, como toca nas coisas do SENHOR... Tem um tempo para sai com a amada filha? Jairo – Tenho que está na sinagoga antes dos rabinos para repassar o estudo diário. Mas posso dispor este tempo para você. Zilá – Qual o tema de hoje? Jairo – (pega o Rdo, beija e em seguida abre o Pólo de Deuteronômio 18-15-19 e lê) Como está escrito, Moisés foi bem claro na anunciação de um profeta semelhante a ele. Líder, condutor, sábio, justo e salvador. Zilá – E o que acontecerá depois? Jairo – Como diz nos rolos de Isaías (Is. 54.1-17), será glorioso o futuro de Sião. Zilá – Pai, o senhor já ouviu falar de Jesus? Jairo – Como não poderia ouvir? Este homem é assunto em toda Jerusalém. Ele vem pregando a vinda do Reino de Deus, vem curando pessoas, já arrebanhou vários seguidores... Há cerca de um mês, estando eu na Assembléia Geral em Jerusalém, encontrei-me com Nicodemos, que em segredo me falou que ele é um homem dotado de grande sabedoria divina. Zilá – No seu ponto de vista, o que pensa sobre ele? Jairo – Zilá, na lei de Moisés temos que professar a Deus somente, e como culto único. Zilá – E se ele for o homem prometido nas Escrituras? Jairo – Boa pergunta, filha. Mas não acredito que seja ele. Estamos aguardando a vinda de um grande rei, forte e libertador. O rolo de Isaías nos promete isto... Não se decepcione, Zilá. Agora te pergunto: se ele for apenas mais um desses profetas que vivem iludindo e arrancando dinheiro do povo desesperançado? Zilá – Ouvi dizer que amanhã ele virá para nossa aldeia e depois tomará rumo a Nazaré. Posso ir vê-lo para matar minha curiosidade, papai? Irei com a mamãe até o Lago da Galiléia. Vai estar assim de gente. Jairo – Tudo bem, pode ir com sua mãe. Mas não vão me comprometer! (dá-lhe um abraço de despedida e percebe algo estranho em Zilá). Filha, o que você tem? Está febril?! *Ada, venha aqui! *Ada – O que foi, Jairo? Jairo – Zilá está febril! *Ada – Hoje pela manhã ela havia se queixado de uma pequena dor de cabeça. Vou preparar um chá para amenizar a febre. Jairo: - Zilá, se você não melhorar, não poderá ir ao lago. Se até o final da tarde estiver melhor, vá até a Sinagoga com os rabinos e deixe as ofertas de agradecimento no gazofilácio. Estou partindo, minha esposa (beija a testa da esposa e em seguida, a filha). Você ficará boa. Qualquer coisa, mande *Matatias me avisar. (despede-se com saudação Rabínica) SHALOM ADONAY! *Ada: - SHALOM ADONAY! Jairo sai de cena, acompanhado de sua esposa e filha. CENA 2 NARRADOR –Do outro lado do lago na cidade de Gadara, Jesus ensinava aos seus discípulos Pedro, João e Tiago as maravilhas do Reino de Deus. Próximo dali havia um cemitério, lá se escondia um homem, que gritava dia e noite. Nada, ninguém podia prendê-lo. Nem mesmo prender com as correntes era o suficiente forte para dominá-lo. Jesus está ao centro. Pedro, à sua direita. Do outro lado, os irmãos Tiago e João. Jesus: - Se alguém quiser me seguir, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Quem quiser salvar sua vida, perderá, mas aquele que perder sua vida por minha causa, a encontrará. E se alguém se envergonhar das minhas palavras, cada um receberá a recompensa diante dos seus próprios atos no dia da glória do Pai e dos seus santos anjos. Mas para que isso aconteça, é necessário que o filho do homem seja traído e morto pelos pecadores e no terceiro dia ressuscitará. Pedro – Senhor, isto jamais te acontecerá e eu jamais te abandonarei. Jesus – Pedro, isso tem que acontecer. Pedro – Não, Senhor. Se for preciso, darei minha vida por ti. Jesus: - Pedro, é da vontade do Pai, até que se cumpra a escritura. Pedro: - Não, mestre, isso jamais... (Pedro é interrompido) Jesus: - Para trás, Satanás! Tu és pedra de tropeço pra mim. Não tem em mente as coisas de Deus e sim dos homens. João (mudando o assunto) – Como precisamos fazer as obras de Deus? Jesus: - A obra de Deus é crer naquele que Deus enviou... (Jesus é interrompido por um estrondoso grito, entrando em cena o endemoninhado. Este corre em direção a Tiago, derrubando-o com um soco. João corre pra defender o irmão. Pedro coloca-se ao centro dos três. O endemoninhado toma uma pedra, seguindo em direção a Jesus que ordena com o dedo indicador, fazendo com que o endemoninhado caia de joelhos). Gadareno – O que temos nós contigo? Veio nos atormentar antes do tempo? Ainda não chegou a nossa hora. Rogo-te por Deus que não nos atormente. Sabemos quem tu és. O Santo de Deus. Jesus – Qual é o teu nome? Gadareno (tom grave) – LEGIÃO! Porque somos muitos (muda o tom para voz de coitadinho). Por favor, eu lhe suplico, filho do Deus Altíssimo. Não nos mande para o abismo, nem expulse desta região. Permita-nos entrar naquela manada de porcos. Jesus: - Agora te cala e sai deste homem, espírito imundo! NARRADOR – Então, os espíritos imundos saíram e entraram nos porcos, que se atiraram do precipício abaixo em direção do mar e se afogaram. Os cuidadores de porcos foram ver o que aconteceu e viu o homem em perfeito juízo. Cuidador 1 – O que aconteceu aqui? Vi meus porcos caindo no abismo. Cuidador 2 – Ei, eu conheço este homem! Era o endemoninhado que vivia nas sepulturas. Tiago – Isto falou com plena certeza. Era o endemoninhado, mas Cristo o expulsou a legião de demônios que foi para os porcos que caíram no mar. Cuidador 1 – Quanto prejuízo! Peço, por Deus, que se retirem daqui. Gadareno (corre em direção a Jesus que se retira) – Mestre, mestre! Deixe-me ir contigo? Jesus – Não, portanto volta para tua cosa, para tua esposa e teus filhos que te ama. Vai volta para tua casa e testemunha a tua família e teus amigos o que Deus fez por ti. Gadareno – Sim, mestre, retornarei à minha família e contarei a toda Decápolis como Deus teve misericórdia de mim (alegre). CENA 3 NARRADOR – Na manhã seguinte, Jairo aguarda ansioso por alguma notícia sobre a saúde da sua filha. Matias – Meu Senhor! Meu Senhor! Jairo – O que foi Matias? Notícias de minha filha? Matias – E não são boas, meu senhor. Ela piorou! Os rabinos que estiveram lá nos deram poucas esperanças; Talvez... ela não sobreviverá! Jairo – E agora, JEOVÁ JIRÉ? O que fazer? É a minha única filha. Ada não pode conceber outro filho. Matias – Meu Senhor, sempre fui seu servo fiel em tudo que me pediu. Aprendi não só a respeita-lo, mas honro-me em cumprir todas suas ordens. O senhor é um espelho para mim. Sinto-me como parte da família. Vejo como se Zilá fosse também minha filha. Senhor, ouça-me pelo menos uma vez! Não como servo. Já não há outro recurso. A não ser... Jairo – A não ser o quê, Matias? Matias – Porque o Senhor não recorre a Jesus, para que ele cure sua filha? Jairo – Enlouqueceu, Matias? Matias – Senhor, esqueça nossa tradição pelo menos por este momento! Quantas e quantas vezes quebramos nossos rituais por coisas fúteis e até para o nosso benefício?! Jairo – É uma escolha muito difícil... Se Jesus... Matias – Lembre-se de que é a vida de sua filha que está em jogo. Jairo – (pensativo, mas decidido) Você está certo, Matias! Chame um rabino para me substituir! Irei ao encontro de Jesus. Fique em casa! Ajude a minha esposa no que ela precisar. Matias – Sim, meu Senhor! Tomaste uma sábia decisão. O farei imediatamente. CENA 4 NARRADOR – Jairo estava com o seu coração cheio de esperanças e foi ao encontro do Mestre. No Lago de Enom, Jesus é aguardado por pessoas e abordado por um judeu. Ancião 1 – Senhor, ouve-me! Há um criado de um centurião que está sofrendo horrivelmente. Ele está em uma cama, paralítico, quase à beira da morte. O centurião ouviu falar dos teus feitos e pediu a nós que tu fosses curar o seu servo, pois ele é muito estimado. Senhor, este centurião é digno que ele lhe faça isto, porque é amigo do nosso povo. Ele mesmo nos edificou a sinagoga. Jesus – Eu irei pessoalmente à sua casa. Centurião – (se aproxima de Jesus) Senhor, não te incomodes. Não sou digno de que entres na minha casa. Mas apenas manda uma palavra, e o meu servo será curado. Pois também eu sou um homem sujeito à autoridade de Roma, tenho soldado às minhas ordens, se digo vai e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu servo: faze isto, e ele faz. Jesus – (admirado, volta-se para o povo) Em verdade afirmo que nem mesmo em Israel achei fé como esta. Muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abrão, Isaque e Jacó no Reino de Deus (toca o ombro do Centurião). Vai. Seja feito conforme a tua fé. Ancião 2 – Centurião! Centurião!! A doença dissipou! O teu servo foi curado (levando-o pelo braço, o Centurião alegre agradece com sorriso, tentando voltar para agradecer) * (Mt 7.5 – 13 / Lc 7.1 – 10). Jairo – (chega desesperado) Senhor, sou um pai desesperado! Minha única filha está morrendo! Vem comigo, impõe a tua mão sobre ela, para que se seja curada e viva. Jesus é tocado. Jesus – QUEM ME TOCOU? NARRADOR – Jesus foi com Jairo para casa, levando consigo os três
discípulos. |