A ÁRVORE DA FORTUNA

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Criança pensa em ajudar os outros, mas quer antes ter melhores condições. Aos poucos vai aumentando a sua riqueza mas nunca chega o momento de ajudar. Através de uma árvore que produz dinheiro uma menina enriquece e torna-se, cada vez mais, egoísta. Quando a fonte cessa ela tem a oportunidade de refletir, e com isso levar o público a reflexão.  <--break->

Criança pensa em ajudar os outros, mas quer antes ter melhores condições. Aos poucos vai aumentando a sua riqueza mas nunca chega o momento de ajudar.
Através de uma árvore que produz dinheiro uma menina enriquece e torna-se, cada vez mais, egoísta. Quando a fonte cessa ela tem a oportunidade de refletir, e com isso levar o público a reflexão.

PERSONAGENS: Antonieta, Alice, Vitor, Paulinho e Narradora.
CENÁRIO: a peça deve sugerir que se passa dentro de um quarto de criança.
PARA O CENÁRIO: brinquedos, quatro vasos, galhos de árvore (um pequeno e dois maiores de mesmo tamanho em que um destes seja seco), uma sacola plástica preta, uma mesinha com livros, cadernos e uma mochila de escola e uma bíblia para crianças com ilustrações.
FIGURINO:
Antonieta-   Dois vestidos durante a peça. O segundo deve ser mais novo que o primeiro. Usará uma sandália nova no final da peça e no começo estará descalça. Deve usar muitos acessórios a demonstrar que é de família abastada. Cabelo com um cocó lateral
Alice- Vestido rústico de cor sóbria. Chinelas Havaianas. Cabelo estilo Chiquinha
Vitor-   Calção, camiseta e boné de cores sóbrias. Chinelas Havaianas
Paulinho - Calção e camiseta de cores sóbrias. Sapato preto e longa meia branca.

CENA 1
NARRADORA:  Antonieta é uma menina muito inteligente e esforçada. Só tira dez na escola, não falta a um culto na igreja e, toda vez que pode, fala de Deus para as pessoas. Mas algo lhe aflige.
ANTONIETA:   Ah, se eu pudesse, eu ajudava todos os necessitados do mundo inteiro, porque eu tenho um coração bom.
Sabe, lá na minha escola tem uma menina chamada Alice. Ela é bem pobrezinha e nunca tem dinheiro pra merendar. Dá é pena. Eu não ajudo porque o dinheiro da minha mãe só dá pra mim mesma, senão eu ajudava...
Ah, perto daqui de casa também tem um pessoal bem necessitado. O Pedrinho, filho da vizinha não tem nenhum brinquedo. Só uma bola de leite toda remendada véia, que dá nem pra brincar direito. Se eu pudesse, eu comprava uns brinquedos pra ele. Mas é que o dinheiro da minha mãe só dá pra mim mesma...
Outro que também precisa de ajuda é o Vitor. Ele é lá da minha igreja. Ele é tão pobrezinho, que não tem dinheiro nem pra comprar uma bíblia com desenho, que nem a minha, coitado. Se desse, eu ajudava. Mas, sabe como é, né, o dinheiro da minha mãe só dá pra mim mesma.
NARRADORA:  É ruim querer ajudar e não poder, não é Antonieta? É como dizem, querer não é poder.
ANTONIETA:   Pois é, querer não é poder. Ô coisa ruim é não ter dinheiro. Se Deus me desse muito dinheiro, eu ia ajudar as pessoas. Ia ajudar a Alice que não tem dinheiro pra merendar. O Vitor que não tem nem um brinquedo que preste. E o Paulinho que não tem nem uma bíblia velha. Mas, é como eu disse. O dinheiro da minha mãe só dá pra mim mesma.
NARRADORA:  Mas, Antonieta, você já pensou em compartilhar aquilo que Deus lhe deu?
ANTONIETA:   Compartilhar?! Como é que eu vou compartilhar se eu já não disse que o dinheiro da minha mãe só dá pra mim mesma. Ora, ora, compartilhar...
NARRADORA:  Mas você tem certeza disso Antonieta?
ANTONIETA:   Você quer que eu repita de novo, minha filha? O-dinheiro-da-minha-mãe-e-do- dinheiro-do-meu-pai só dá pra mim e ponto final. Entendeu?
NARRADORA:  Tudo bem Antonieta, calma, calma, não precisa se alterar. Eu só fiz um pergunta.
ANTONIETA:   Quem disse que eu tô alterada? Não tem ninguém alterado aqui, não! Não tem ninguém alterada.
NARRADORA:  Mas, Antonieta, e se, de alguma maneira, você pudesse ganhar dinheiro pra ajudar seus amiguinhos.
ANTONIETA:   Como assim? Como assim? Eu sou uma criança e não posso trabalhar, eu ainda estou no terceiro ano do ensino fundamental, ora, ora!
NARRADORA:  Você tem razão. Você ainda é muito pequena pra ganhar dinheiro trabalhando. Então, vejamos.
Já sei, ora. Uma maneira muito fácil de ganhar dinheiro é jogando na loteria? Dá pra ganhar uma fortuna sem trabalhar e ainda dá pra ajudar os necessitados. Por que você não faz isso, Antonieta, joga na loteria? Talvez dê certo.
ANTONIETA:   Ora, ora, jogar na loteria! Essa aí precisa é se converter.
NARRADORA:  Perdão, Antonieta. Foi só pequeno deslize meu. Mas, continuemos pensando numa maneira de ganhar dinheiro para ajudar os outros.
ANTONIETA:   Já sei! E se eu plantasse uma árvore que desse dinheiro.
NARRADORA:  Como!? Árvore que dá dinheiro? Isso não é possível, Antonieta. Onde já se viu?
ANTONIETA:   Fala baixo, senão os outros vão ouvir e roubar a minha ideia.
NARRADORA:  Menina Antonieta, sem querer lhe desestimular, mas acho essa ideia um tanto absurda. Como você vai fazer isso? Pra começar, nem existe semente de planta que dá dinheiro.
ANTONIETA:   Tá vendo, irmãos, quando a gente se levanta pra fazer a obra de Deus, tá vendo o que acontece? Sempre tem alguém pra atrapalhar. Isso aí já é o inimigo se levantando. Eu querendo ajudar os necessitados com a minha grande ideia, e essa aí dizendo que não vai dar certo. Eu, hein!
NARRADORA:  Tudo bem. Perdão, Antonieta, não queria parecer má. Mas você sabe, é que às vezes a fé nos falta. Se você quer plantar uma árvore que dá dinheiro, vá em frente. Eu apoio.
ANTONIETA:   Pois é! Hum!
NARRADORA:  Bom, agora tenho que ir. Boa sorte com a sua ideia mirabolante. Até mais.
ANTONIETA:   Tá certo... Já vai tarde... Bom, agora, vamos ver. Vou pegar esse vazo de planta aqui. E agora essas moedas. Qual moeda eu coloco? A de dez ou a de cinquenta? É melhor colocar a de dez mesmo, que com a de cinquenta eu compro um xilito. Mas será que se eu colocar a de dez só vai nascer moeda de dez? É, né! Então é melhor é melhor plantar a de um real, que aí dá mais dinheiro... Tomara que dê certo, aí que vou ficar toda rica! Chique e glamorosa! Quer dizer, vou poder ajudar as pessoas, né. Como Jesus ensinou... Agora eu vou é comprar um chiclete véi com esses dez centavos. Só dá pra isso mesmo! (Sai cantarolando)
(Apagam-se as luzes. Uma música leve de suspense. Enquanto isso, o vazo sem planta é trocado por outro com uma pequena muda. Anexado a esta uma cédula de dois reais. Ascendem-se as luzes. Antonieta entra)

CENA 2
ANTONIETA:   Será que a minha ideia deu certo, vamos ver... Ó, meu Deus, meu Deus, nasceu, nasceu! A minha ideia deu certo! Nasceu dois reais. Urru! Dois reais! E agora, o que eu vou fazer? Bom, vou guardar, né. Vou guardar e quando eu tiver juntado bem muito, eu vou ficar toda rica, chique e glamorosa. Quer dizer, vou poder ajudar os necessitados, né? Como Jesus ensinou. (Apagam-se as luzes. Enquanto isso, o vazo é trocado por outro com uma planta já grande)
NARRADORA:  Como vocês puderam ver, a ideia da menina Antonieta deu certo. Ela plantou uma árvore que dá dinheiro. Primeiro nasceu só dois reais. Mas o tempo foi passando... passando... e começou a nascer cédula de cinco, de dez, de vinte. Um dia desses nasceu uma onça, digo, uma cédula de cinquenta. Só não nasceu nota de cem. Ainda. Mas, pelo jeito que anda, logo, logo a árvore da Menina Antonieta vai dar, também, nota cem reais.
(Acendem-se as luzes. Antonieta segura uma grande sacola cheia de dinheiro. Ela traja outro vestido e calça uma sandália)

CENA 3
ANTONIETA:   Eita, meu Deus, é tanto dinheiro, tanto dinheiro que eu não sei nem onde guardar. Deve ter uns quinhentos reais aqui. Ô coisa boa é dinheiro. Agora eu tou ficando rica. Posso comprar tudo o que eu quiser, que essa árvore aqui dá dinheiro sem parar. Todo dia dá dinheiro. Todo dia. Inclusive, deixa eu ver se ela não deu mais dinheiro hoje... hum... vamos ver... vamos ver... Olha só! Uma nota de cem! Nasceu uma nota de cem! Meu Deus, eita, que agora é que eu fico estribada mesmo! Ô negócio bom. Com o dinheiro da minha árvore eu já comprei foi muita coisa. Esse ursinho aqui. Esse vestidinho novo. Comprei sabe mais o quê? Essa sandalinha de marca, que passa na televisão. Um monte de coisa. E isso só com o dinheiro da minha árvore.
NARRADORA:  Muito bem, Antonieta, parece que a sua ideia foi um grande sucesso.
ANTONIETA:   Claro que foi! Eu tô cheia de dinheiro agora, olha. Daqui uns dias, eu vou poder comprar uma loja de brinquedo todinha, só pra mim. Agora eu sou rica, chique e glamorosa.
NARRADORA:  Que bom que você tem mais que o bastante, Antonieta. Agora dá até pra ajudar Alice, sua amiguinha pobre da escola, o menino Vitor, seu vizinho, que não tem nenhum brinquedo, e o Paulinho, da sua igreja, que não pode comprar nem uma bíblia nova.
ANTONIETA:   A-a-ajudar... Você disse ajudar?
NARRADORA:  Sim, Antonieta, ajudar. Você não tinha dito que não ajudava seus amiguinhos porque não tinha dinheiro. Agora você tem de sobra.
ANTONIETA:   Quem disse isso? Quem disse que eu tenho de sobra?
NARRADORA:  Ora, você mesmo disse que daqui uns dias vai poder comprar uma loja de brinquedo só pra você.
ANTONIETA:   Eu e a minha boca grande... Bom, mas é que... é que eu exagerei. Eu não tenho tanto dinheiro assim, não. Sabe como é, né, a gente exagera. Foi isso que aconteceu. 
(Antonieta escode a sacola)
NARRADORA:  Mesmo assim, Antonieta, com o dinheiro que você tem, dá pra ajudar seus amigos e ainda sobra um bocado pra você. 
ANTONIETA:   Bom... na verdade... eu tava pensando que... é melhor esperar um pouco mais sabe? Juntar mais. Bem muito. Pra aí sim eu poder ajudar os necessitados. É melhor, né?
NARRADORA:  Mas, Antonieta, seus amiguinhos estão precisando da sua ajuda.
ANTONIETA:   Mas o meu dinheiro ainda não dá. Tenho que juntar mais, senão não vai dar nem pra eles nem pra mim.
NARRADORA:  Tudo bem, se você diz. Você é quem sabe.

Cena 4
ANTONIETA:   Estou ouvindo passos. Será que alguém esta vindo. Vou esconder a árvore. Se alguém ver pode até roubar.
ALICE:   Oi, Antonieta, como você está?
ANTONIETA:   Olá, Alice. Eu estou bem. E você, está bem também?
ALICE:   Comigo está mais ou menos.
ANTONIETA:   É? E porque está mais ou menos?
ALICE:   É que eu estou meio triste porque não tenho uma roupa nova pra ir à festinha da escola.
ANTONIETA:   E por que você não compra uma roupa nova, ora?
ALICE:   É que meu pai não tem dinheiro, sabe? Será que não teria um vestido velho pra me dar?
ANTONIETA:   Vestido velho? Tenho não, Amiga. Se tivesse lhe emprestava mesmo. Mas...
ALICE:   Tudo bem. Tem problema não, vou ver se eu resolvo de outro jeito.
ANTONIETA:   Sei. Bom, se eu tivesse dinheiro eu lhe emprestava, quer dizer, eu lhe dava. Mas as coisas aqui em casa tão mais difíceis a cada dia.
ALICE:   Ah, se lá em casa fosse difícil igual aqui. Aqui tem um monte de brinquedos mesmo com as coisas difíceis. (Alice passeia no recinto de forma que Antonieta se incomoda, por causa da planta)
ANTONIETA:   Pois é, né... Já tá tarde, né?
ALICE:   Tá tarde não. Vamos brincar!
ANTONIETA:   Brincar? Não! Quero dizer, não posso brincar agora. É que eu tenho que estudar. Ainda não fiz o dever de casa. E tem um monte de questões pra responder.
ALICE:   Sabe, Antonieta, você anda tão estranha ultimamente.
ANTONIETA:   Eu, estranha? Tô não. É que são muitas responsabilidades, sabe.
ALICE:   Sei... Pois já que você não pode brincar, eu vou indo. Vou ver se outra amiga pode me emprestar uma roupa pra eu ir à festinha da escola. Tchau, Antonieta!
ANTONIETA:   Tchau, Alice. Até a próxima... Ufa! Quase que ela descobre a minha planta.
NARRADORA:  Antonieta, por acaso esta menina é aquela menina da escola de quem você falou?
ANTONIETA:   Sim. A pobre não tem nem dinheiro pra comprar merenda.
NARRADORA:  E por que você não a ajudou, Antonieta? Você tem tanto dinheiro aí, nessa sacola. E a sua árvore dá dinheiro até não querer mais.
ANTONIETA:   Não! O que eu tenho é pouco. Mal dá pra mim mesma. Quando eu tiver mais eu ajudo a Alice. Por enquanto, não posso ajudar.

Cena 5
(Vitor entra)
VITOR:   Oi, Antonieta. Tudo bom. Minha nossa, Antonieta, quanto brinquedo você tem aqui, no seu quarto! Vamos brincar!
ANTONIETA:   Agora? Agora não dá, Vitor. Eu estou ocupadíssima.
VITOR:   Ocupada? Ocupada com o quê? Não tô vendo você fazer nada!
ANTONIETA:   Eu tenho que fazer o dever de casa. Ainda nem comecei.
VITOR:   Queria que meu pai tivesse dinheiro pra comprar muitos brinquedos, como você tem.
ANTONIETA:   Ora, não seja invejoso, Vitor.
VITOR:   Invejoso? Eu?
ANTONIETA:   É, fica aí só de olho nos meus brinquedos.
VITOR:   É que eu só tenho essa bola de leite velha, e ainda tá toda remendada. Será que você não tem nenhum brinquedo velho que não queira mais, pra me dar?
ANTONIETA:   Não, Vitor, como você é pidão, eu hein! Não tenho, não. Eu ainda brinco com todos os meus brinquedos. Não posso lhe dar nem um.
VITOR:   Mas você tem tantos brinquedos que eu pensei...
ANTONIETA:   Pois pensou errado. Não se preocupe, quando eu puder, tiver condições, eu lhe dou uma bola nova, por enquanto, não posso.
VITOR:   Você tah falando sério?!
ANTONIETA:   Sim, eu falo sério. Eu só sei falar sério.
VITOR:   Tudo bem, então. Se você está dizendo. Vou indo então.
ANTONIETA:   É bom mesmo, Vitor. Que agora eu vou fazer meu dever de casa.
VITOR:   Tá bom. Até mais Antonieta...
ANTONIETA:   Até mais...
NARRADORA:  Antonieta, por acaso este menino é aquele seu vizinho pobre de quem você falou?
ANTONIETA:   Sim, este é o filho do vizinho. O pobre não tem dinheiro pra comprar nem uma bola de couro.
NARRADORA:  E por que você não o ajudou, Antonieta? Você tem tanto dinheiro aí, nessa sacola. E a sua árvore dá dinheiro até não querer mais.
ANTONIETA:   Não! O que eu tenho é pouco. Mal dá pra mim mesma. Quando eu tiver mais eu ajudo a Vitor. Por enquanto, não posso ajudar.

Cena 6
(Entra Paulinho)
PAULINHO:  Oi, Antonieta, faz tempo que não lhe vejo.
ANTONIETA:   Não acredito! Mais um? Oi, Paulinho...
PAULINHO:  Você vai pra igreja hoje?
ANTONIETA:   Não vai dar, não. Ainda tenho que terminar o dever de casa.
PAULINHO:  Ah, bom. Ei, você viu minha bíblia nova? A irmã Léa que me deu.
ANTONIETA:   Deixa eu ver. Ih, que bíblia feia, Paulinho. Nem tem desenho. E ainda tá toda rasgada. Toma... (Antonieta pega a bíblia dela) Prefiro a minha, que é cheia de desenho, ó! Tem o Noé... Tem o Moisés... O Abraão...
PAULINHO:  Mas eu não posso ter uma bíblia dessas, com desenhos. Então é melhor eu me conformar com a que eu tenho, mesmo. Quando meu pai tiver condição, ele me dá uma dessas aí, mas por enquanto, melhor eu ficar com essa mesmo.
ANTONIETA:   Você que sabe. Eu é que não ia querer uma bíblia dessas; Feia que só!
PAULINHO:  Tá achando ruim, então me dá uma melhor. Aposto que aquele urso deve custar umas três bíblias dessa que você tem.
ANTONIETA:   Bom... Se eu pudesse lhe dava uma bíblia melhor, mesmo, mas é que as coisas aqui em casa tão ruins, sabe? O dinheiro tá pouco.
PAULINHO:  Tá certo. Vou indo então, até mais...
ANTONIETA:   Até...
NARRADORA:  Antonieta, por acaso este menino é aquele menino pobre da sua igreja de quem você falou?
ANTONIETA:   Sim. O pobre não tem dinheiro nem pra comprar uma bíblia nova.
NARRADORA:  E por que você não dá uma bíblia nova a ele, Antonieta? Você tem tanto dinheiro aí, nessa sacola. E a sua árvore dá dinheiro até não querer mais.
ANTONIETA:   Não! O que eu tenho é pouco. Mal dá pra mim. Quando eu tiver mais eu ajudo o Paulinho. Por enquanto, não posso ajudar.
NARRADORA:  Antonieta, tenha cuidado. Não deixe que a ganância tome conta do seu coração. O que Deus nos dá é para ser compartilhado com nossos irmãos.
ANTONIETA:   Não se intrometa. O dinheiro é meu e eu faço o que eu quiser com ele.
NARRADORA:  Tudo bem, menina Antonieta. Você é quem sabe. Vou indo. Até mais.
ANTONIETA:   Eu tenho que esconder a minha árvore. Senão aparece alguém, descobre ela e rouba ela de mim. Mas onde eu vou esconder? Já sei!
(Durante esta cena, ao som de alguma música cômica, Antonieta tentará esconder a árvore em alguns lugares sem obter êxito, provocando risos da plateia. Por último ele resolve cobrir a planta com uma grande sacola)
ANTONIETA:   Ai, ai, agora sim, está tudo certo. Ninguém vai descobrir a minha árvore da fortuna. Posso ficar tranquila, tranquila... Pronto, minha plantinha da fortuna. Fique bem quietinha, coração. Bem escondidinha, dando bem muito dinheiro. Quando for daqui a uma semana vou ver quanto dinheiro você deu. Aposto que eu vou ficar mais rica ainda! Ai, ai!
(Apagam-se as luzes)

Cena 7
NARRADORA:  Antonieta não percebe, mas seu coração está tomado pela ganância. A ambição não lhe deixa ver que não precisa de mais dinheiro para ajudar seus amiguinhos. Ela já tem o suficiente. O pior é que o medo de que sua árvore milagrosa seja roubada por alguém tem lhe deixado paranoica. O tempo foi passando... Dia após dia... Por uma semana, Antonieta deixou sua árvore da fortuna escondida, debaixo de uma sacola plástica. Sem perturbá-la. Antonieta acredita que na tranquilidade árvore dará mais notas de cem. Será que ela tem razão. Vamos ver.
(Acedem-se as luzes. Antonieta sentada brinca com um ursinho)
ANTONIETA:   Peraí, hoje faz uma semana que deixei a planta descansando. Já tá na hora de eu ver quanto dinheiro ela deu. Aí, meu Deus, eu estou ansiosa demais. Aposto que ela só deu nota de cinquenta pra cima. (Antonieta segura a sacola por cima e faz certo suspense) Será que eu puxo, será que eu não puxo. Eu puxo ou não puxo. Puxo! Não puxo... Ah, eu estou muito ansiosa.  Agora é que eu fico rica de vez! (Antonieta puxa a sacola com rapidez. A árvore está completamente seca) Ma... Ma... Ma... Mas o que é isso! ? (Antonieta fica em estado de choque, depois procura nos galhos algum dinheiro, logo após balança arvore de diversas formas até que, sem querer a arranca do vazo e começa a chorar desesperada).
NARRADORA:  Menina Antonieta, porque você está chorando? O que aconteceu?
ANTONIETA:   A minha árvore. Minha árvore que dá dinheiro morreu. Eu deixei ela debaixo de uma sacola pra que ninguém encontrasse ela. Deixei ela quieta por uma semana pra ver se dava mais dinheiro. Quando eu fui ver, ela tava toda seca e sem nenhum tostão. Agora, eu não sei o que fazer. Eu quero morrer, morrer, morrer!
NARRADORA:  Mas porque você quer morrer, Antonieta?
ANTONIETA:   Por que eu perdi tudo o que eu tinha! Tudo! Eu não tenho mais nada, mais nada. Perdi tudo! Tudo, tudo, tudo!
NARRADORA:  Tudo, Antonieta? Tem certeza? E sua família? E seus amigos? Você tem uma casa onde dormir. Como pode dizer que perdeu tudo? Você não perdeu tudo.
ANTONIETA:   Então, por que eu estou tão triste assim?
NARRADORA:  Antonieta, você agiu mal. Dedicou a esta árvore a maior parte do seu esforço. Você só pensava nela e no que ela podia lhe dar. Deixou a ganância tomar o seu coração. Em nenhum momento você pensou em compartilhar esse milagre que aconteceu. Tudo que você pensava era em tirar mais e mais dinheiro dessa árvore para fazer o quê? Tudo, menos ajudar seu amigos. Jesus disse: “onde estiver o seu tesouro, ali estará o seu coração”. Você acreditou que o seu maior tesouro era essa árvore, por isso seu coração ficou tão triste... Antonieta, nosso maior tesouro não está na terra, onde a traça e a ferrugem consomem. O nosso maior tesouro está no céu, onde a traça e a ferrugem não podem consumir e os ladrões não podem roubar... Veja, Antonieta, quem vem ali, são seus amiguinhos!
ALICE:   Oi, Antonieta!
VITOR:   Como você vai?
PAULINHO:  Faz tempo que não vemos você.
ALICE:   É mesmo, Antonieta, você anda muito sumida.
ANTONIETA:   É que eu tive alguns problemas pra resolver.
VITOR:   Mas você está bem?
ALICE:   Pois é, você parece muito... sei lá, angustiada.
ANTONIETA:   Estou bem, sim, não se preocupem... Ah, eu tenho algo pra vocês. Esperem aqui. (Antonieta pega a sacola com o dinheiro) Eu queria pedir desculpa a vocês.
PAULINHO:  Desculpa, pelo quê? Você não fez nada.
ANTONIETA:   Me desculpem por não ter ajudado vocês. Alice, pegue. Esse dinheiro é para você comprar roupa, que eu sei que você precise. Vitor, isso é pra você comprar aquela bola de couro que tanto queria. E, Paulinho, isso é pra você comprar uma bíblia nova, com desenho e tudo mais.
PAULINHO:  Eita, Antonieta, e onde você conseguiu tanto dinheiro assim? Olha só! Assaltou um banco, foi?
ANTONIETA:   Ih, Paulinho, mas isso é uma longa história. Tão grande que não dá pra contar agora. Depois eu conto. E então, vamos brincar!
OS AMIGOS – Brincar? Vamos! Êêêêêê! (As crianças se sentam para brincar)
NARRADORA:  É claro que não existe árvore que dá dinheiro. Todos nós sabemos disso. Mas a historinha que nós acabamos de assistir reflete bem o que o que muitos de nós vivemos no dia a dia. Lembre-se bem, nosso maior tesouro não está aqui, está no céu. O que Deus nos dá é para o nosso bem e o bem de nossos irmãos. Tenha cuidado do que você considera seu maior tesouro, pois, como diz em Mt 6:21 onde está nosso tesouro, ali está o nosso coração. Se o seu tesouro está em Jesus, nada pode te abalar.
Sugestão: logo após a última fala da narradora, um coral de Crianças canta “É bom Amar”, da cantora Elaine de Jesus.

 

É BOM AMAR

Ah, como é bom amar! Ah como é bom amar!
E conhecer as promessas de Deus
Ah, como é bom amar!
Vou espalhar pra onde for
A semente do amor
A cada coração vou alegrar
Ah, como é bom amar!
Ah, como é bom amar!
Ah, como é bom amar!
E conhecer as promessas de Deus
Ah, como é bom amar!
Mesmo na rua 
Eu não posso esquecer
Que com amor devo dizer
Obrigado! Por favor!
Não há de quê!
Bom dia! boa tarde
Boa noite pra você!

(Refrão)
Sei que aos outros
Eu devo amar
Foi Jesus quem ensinou
Na palavra de Deus escrito está:
Amai-vos como ele nos amou
(Oh yes!)

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