A CONSCIÊNCIA DE SARINHA

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A  CONCIÊNCIA DE SARINHA Peça teatral que personifica a voz da consciência para efeito de encenação. Uma menina desobedece à sua mãe e ainda mente ao culpar o próprio irmão pela desobediência cometida por ela mesma. Então, a menina se sente incomodada, e repara o erro confessando-se culpada diante da mãe depois de um “diálogo com sua própria consciência” (“pecar contra a consciência é pecar contra Deus”).

 

Aqui encontras o vídeo de uma montagem desta peça A CONSCIÊNCIA DE SARINHA
 

Cena I
Entra mamãe com olhar alegre. Sarinha pergunta:
Sarinha – Mamãe, o que é isso que você tem na mão?
Mamãe – É um relógio muito bonito e caro que seu pai me deu de presente de aniversário.
Sarinha – Eu posso ver?
Mamãe- Pode sim, mas na minha mão.Depois, nada de mexer nele de novo.
Sarinha- Tá bom, mamãe. Pode deixar.
(Mamãe mostra o relógio e sai)
Entra em cena Tales, o irmão de Sarinha. Enquanto Tales desamarra o tênis, Sarinha faz a seguinte pergunta:
Sarinha – Tales, você já viu o relógio novo da mamãe?
Tales – O que tem ele de mais?
Sarinha – Ele é o relógio mais bonito que já vi, e a mamãe falou que ele é muito caro também.
Tales – E daí? É só um relógio de mulher. Eu vou é tomar meu banho.
Sarinha – Não sei por que os homens são tão insensíveis. A mamãe pediu pra eu não mexer mais no relógio. Hum... Ele é muito bonito mesmo! Ela não saberá que eu mexi se eu colocá-lo só um pouquinho no meu braço ... Ops!! (o relógio cai do braço de Sarinha e ela chora). Oh! meu Deus, tomara que minha mãe não resolva usar este relógio tão cedo (fala limpando as lagrimas e sai).
Tempo depois entra mamãe, pronta para sair. Ela grita para Sarinha em outro cômodo da casa.
Mamãe – Sarinha, vou me encontrar com seu pai no escritório e de lá vamos almoçar juntos. Avise ao Tales quando ele chegar da escola. Vou usar o lindo relógio que ganhei...(percebe o relógio quebrado) O que isso? Quem quebrou meu relógio? Sarinha, venha já aqui!
Sarinha – (pergunta cinicamente)O que foi mamãe?
Mamãe – O que foi? “O que foi” digo eu, mocinha. O que aconteceu com meu relógio?
Sarinha – Eu não sei, mamãe, eu deixei onde estava.
Mamãe – Tem certeza, menina?
Sarinha – Claro que tenho! Aliás, por que não pergunta ao Tales? Tenho quase certeza de que foi ele, aquele menino atentado!
Mamãe- Bem, se não foi você, só pode ter sido o Tales mesmo. Ele vai ter o castigo que merece e vai aprender a não mexer no que não lhe pertence. Desculpe por ter a acusado injustamente, filha.
Sarinha- Posso ir?
Mamãe- Pode sim.(Sarinha sai e mamãe fala desconfiada) Hum! Eu acho que não foi o Tales, ele não seria capaz disso. Mas Sarinha sim, ela ficou fascinada com o relógio. Vou esperar, tenho certeza de que amanhã ela vai querer me dizer alguma coisa.

CENA II

À noite, Sarinha tenta dormir mas não consegue.

Sarinha- Não estou conseguindo dormir. Estou sem sono. Deve ser o calor...(fica pensativa) O que será que a mamãe fez com o tales? Bem... Seja lá o que for, ele agüenta bem! Afinal, ele é homem!
(Entra alguém vestindo trapos escuros).
Consciência- Oi Sarinha! Tá difícil dormir?
Sarinha- Ai meu Deus! Quem é você?
Consciência- Calma, não se assuste, não vou te fazer mal. Calma, calma...
Sarinha- O que você quer?
Consciência- Bom, primeiro vou te dizer quem sou. Eu sou a sua consciência.
Sarinha- Minha o quê?
Consciência- Consciência!
Sarinha- O que é uma consciência?
Consciência- Consciência é aquela voz que avisa lá dentro de você, quando você faz alguma coisa errada, quando você engana alguém... É aquela voz baixinha, mas muito forte, que a incomoda e não a deixa dormir.
Sarinha- Ah! Então é você que não está me deixando dormir?
Consciência- Sim, mas por enquanto, só até você me ajudar.
Sarinha- Te ajudar? Está doente?
Consciência- Mais ou menos, mas está vendo como eu fiquei? Esta roupa horrível, suja, esfarrapada...
Sarinha- Por que ficou assim?
Consciência- Porque sou sua consciência e você fez uma coisa errada e muito feia. Cada vez que você faz alguma coisa errada, eu fico assim, tão feia quanto aquilo que você fez. Por isso eu tiro seu sono e incomodo seus pensamentos até você consertar tudo o que fez de errado. Então eu fico bonita e limpinha de novo, e você pode dormir tranqüila novamente.
Sarinha- Mas o que eu fiz não dá pra mudar. O relógio já está quebrado.
Consciência- Não estou falando do relógio e sim da mentira que contou à sua mãe, fazendo uma acusação mentirosa. Você foi desobediente e covarde.
Sarinha- (pergunta de cabeça baixa) O devo fazer?
Consciência- Conte a verdade à sua mãe e peça perdão ao seu irmão.
Sarinha- Tá bem! Sei que ela vai me castigar, mas eu mereço. (respira fundo e chama) Mamãe!!

Cena III

Mamãe- O que foi, filha? Não está dormindo?
Sarinha- Eu não conseguia dormir porque minha consciência me tirou o sono e incomodou meus pensamentos.
Mamãe- Você fez algo de errado?
Sarinha- Bem...é...quer dizer...fiz sim. O relógio que papai lhe deu, fui eu quem o quebrou.
Continuação
Mamãe- (séria) E por que você mentiu pra mim?
Sarinha- Porque tive medo.
Mamãe- Sarinha, quando foi que lhe dei motivos para ter medo de mim? Filha, os pais esperam que os filhos os respeitem e os amem. Saber que você tem medo de mim me entristece muito. Pais e filhos precisam ser amigos e confiar uns nos outros. E, é claro, eu lhe chamaria a atenção pela sua desobediência, mas isso seria inevitável. Você errou e precisa aprender a responder pelos seus erros. Assim terá a consciência limpa.
Sarinha- É, agora eu sei...(fala olhando para a consciência, que está ali no canto o tempo todo. Esta ri e pisca para Sarinha enquanto tira os trapos escuros, deixando surgir a roupa clara que está por baixo).
Sarinha- Mamãe, ainda podemos ser amigas?
Mamãe- Claro, filha, se você quiser.
Sarinha- Então me perdoe. Mesmo que me castigue, me perdoe.
Mamãe- As pessoas devem ser castigadas para aprenderem as lições, e você já aprendeu a sua. E claro que eu lhe perdôo. Senão,que tipo de mãe eu seria?
Sarinha- E tenho que falar com o Tales! Será que ele também vai me perdoar?
Mamãe- Ele não sabe nada sobre esta história, querida. Eu também tenho uma consciência, e ela me avisou que Tales não era culpado. Se eu o tivesse castigado, minha consciência iria me incomodar muito. Agora vamos tomar um copo de leite e depois vamos dormir tranqüilas.
Saem as duas. Fica a consciência e fala às crianças sobe suas consciências.A
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