A VITÓRIA DE DEUS

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Teatro CristãoPersonagens: Mãe-Nazaré, Pai-Isaque, Filha-Ana, Amigo-Mateus, Irmã-Glória, Missionária-Eva.

Pai desviado, a família que luta, NÃO, é o próprio pai que luta pra não se entregar...

A porta se abre e entram mãe, pai e filha.

Mãe-Nazaré:
Oh! Isaque quando é que você vai deixar de ir à Igreja apenas para buscar a gente?
Quando é que você vai resolver voltar para os braços do Pai?
Pai-Isaque:
 
Pare de me encher Nazaré, eu fico muito bem sozinho aos domingos, no bar com meus amigos, bebendo minha cervejinha sem ninguém pra me perturbar...
Filha-Ana:
Mas pai, você não sente saudade do pessoal lá da igreja não?
Mãe-Nazaré:
é Isaque, você não sente falta dos trabalhos que você realizava na igreja, não sente falta de adorar, de sentir Deus falando com você?
Pai-Isaque:
Não. Eu não sinto saudade não, realizei muitos trabalhos lá naquela igreja, mas eu acho mesmo é que os meus esforços estão fazendo falta lá, poucos trabalhavam como eu, e isso ninguém pode negar...
Mãe-Nazaré:
Mas pelo jeito não te serviu apenas servir a Deus, faltou amar a Deus como seu Pai, e a Bíblia diz que “o servo não fica para sempre em casa, o Filho fica para sempre” (João 8:35) e foi o que te aconteceu não foi Isaque?
Filha-Ana:
Puxa, Pai! Eu acho tão bom adorar a Deus, louvar, trabalhar na igreja pensando que é para a obra do Senhor e não para agradar nenhum dos meus irmãos. É tão bom trabalhar em grupo para engrandecer o nome de Deus, evangelizar para ganhar vidas pra Cristo sem esperar elogios de homens, mas esperando agradar o Pai, porque é isso que Deus quer de nós, que tenhamos o compromisso de fazer o melhor para honrá-lo, para honrar a morte do seu filho na cruz para nos salvar.
Pai-Isaque:
Nossa filha, onde você está aprendendo essas coisas?!
Filha-Ana:
Estudando a Bíblia, e ouvindo Deus falar comigo, através das mensagens e dos novos cânticos que estão sendo apresentados à igreja, e do jeito que você era animado, sempre rodeado de jovens, você iria adorar esses novos cânticos, pai.
Mãe-Nazaré:
Isaque, você não sente falta de trabalhar com os adolescentes, dos passeios...
Pai-Isaque:
Não, eu já disse que eu não sinto saudade de nada disso, mas que coisa! Chega disso. Porque vocês não vão almoçar? Vão logo, saiam, e me deixem em paz!
Filha-Ana:
É mãe, é melhor irmos almoçar, você não vem com a gente pai?
Pai-Isaque:
Não, não vou para não ter que aguentar vocês e depois eu como lá no bar do Zé.
Mãe-Nazaré:
Mas pense bem no que conversamos está bem?!
Pai-Isaque:
Ta bem, quando eu estiver disposto a largar essas coisas que hoje me alegram, aí sim eu pensarei em voltar pra igreja, mas por enquanto me deixem quieto.
Mãe-Nazaré:
Deus te ama como você é, e Ele te quer de volta do jeito que você está! Ele quer a sua adoração, Ele quer que você viva para adorar a Ele, Ele quer cuidar de você, Ele quer que você queira ser abençoado, para depois abençoar os que estão na sua vida, e nós também queremos te ver feliz novamente, te ver crescendo na graça, e ver a nossa família servindo ao Senhor! Mas Deus proverá! Olha nós vamos voltar em casa antes de irmos pro culto da noite, pense se você não vai mesmo querer ir conosco.
Pai-Isaque:
Já fiquem sabendo que a resposta é não, eu vou pro bar assistir o jogo lá com o pessoal. Todo domingo é o mesmo sermão e a minha resposta é sempre a mesma, vocês ainda não perceberam isso, não?
Mãe-Nazaré:
Já percebemos sim Isaque, infelizmente...
Pai-Isaque:
Então porque continuam insistindo?
Filha-Ana:
Porque nós servimos a um Deus que nos ensina a perseverar.
Mãe-Nazaré:
Está bem, fique com Deus!
Filha-Ana:
Tchau pai, que Deus o abençoe!
Mãe e filha saem, Isaque fica sozinho lendo jornal e resmungando:
Pai-Isaque:
Vai, vai.... Que chatice, que insistência, eu tô bem do jeito que eu tô... Parece que elas gostam de me ver irritado.
Nessa hora toca a campainha, e Isaque vai abrir a porta:
Pai-Isaque:
Quem será? Esse povo não almoça, não?!
Amigo-Mateus:
Oi meu irmãozinho... (dá um abraço forte em Isaque com muito carinho).
Pai-Isaque:
(bem menos empolgado) Olá Mateus, como vai?
Amigo-Mateus:
Oh! Irmão, eu vou bem, mas ando sentindo muito a sua falta lá na igreja...
Pai-Isaque:
 
Ah é? Porque você não volta outra hora para falarmos sobre isso, desculpe, mas agora eu estou muito ocupado...
Amigo-Mateus:
(Mateus percebe o desinteresse do amigo) Ok! Isaque, mas não é de mim que você está fugindo não, é de Deus, mas Ele nunca te deixará, mesmo vendo o quanto você se afastou dEle, vendo você se afogando na bebida Ele continua te amando.
Mateus sai e Isaque olha direto para um baú que fica na sala! O Coral começa a cantar enquanto ele abre o baú e pega uma garrafa dá uma golada e olha de novo pra dentro do baú e vêm as lembranças, e aparecem fotos dele no telão: fotos dele ajudando na recepção, na garagem, em um passeio com os adolescentes, e então ele pega uma roupa de coral e aparece a foto dele cantando no coral da igreja! E ele abaixa a cabeça, e a campainha toca de novo, ele esconde a garrafa fecha o baú e vai atender:
Pai-Isaque:
Quem será dessa vez? (é a sua irmã Glória)
Irmã-Glória:
Isaque, já almoçou?
Pai-Isaque:
Não, perdi a fome Glorinha...
Irmã-Glória:
Porque, tá passando mal?
Pai-Isaque:
Não, estou bem, só não estou com fome hoje...
Irmã-Glória:
Cadê a Nazaré e a Ana?
Pai-Isaque:
Foram almoçar no shopping...
Irmã-Glória:
Porque você não foi? Você está esquisito, calado, triste, não é fome não?
Pai-Isaque:
Não é fome não, e eu também não estou esquisito coisa nenhuma...
Irmã-Glória:
Você mudou muito depois que se afastou lá da igreja e de Deus, além de estar bebendo, parece que você ta mais fechado, mais insatisfeito, mais...(Ele a interrompe)
Pai-Isaque:
Chega! Eu não aguento mais vocês falando essas coisas no meu ouvido, eu to insatisfeito sim, insatisfeito com toda essa falação que vocês vêm fazendo na minha cabeça.
Irmã-Glória:
Não dá pra acreditar que você seja a mesma pessoa que falou coisas lindas naquela minha festa de aniversário, lembra? Foi depois daquela festa que eu aceitei ir lá na igreja e lá na primeira vez em que fui, foi que eu aceitei a Jesus como meu Salvador. Você se lembra disso?
Pai-Isaque:
Sim... eu lembro, mas não estou entendendo porque você está me dizendo essas coisas...
Irmã-Glória:
Porque Deus quer que sirvamos uns aos outros, eu vim te ajudar, Deus quer você. Deus quer ver aquela igreja bem estruturada através dos nossos serviços prestados à casa do Pai, sem esperar retorno de homens, pois se nós todos fôssemos nos espelhar em homens estaríamos todos perdidos, temos que nos espelhar em Cristo, Ele sim é exemplo! Oh! Isaque, queira Deus de novo na sua vida...
Pai-Isaque:
Glorinha, vou pensar em tudo o que você me disse mas agora me deixe sozinho!
Irmã-Glória:
Sozinho não, vou te deixar na presença do Pai, fique com Ele. Tchau!
O Coral volta a cantar!
Glória levanta e sai, e Isaque não a acompanha até a porta, continua sentado, e volta ao baú, pega a garrafa novamente, e pega também a sua primeira revista de escola dominical e se lembra de quando era criança, e da felicidade que tinha em servir à Deus, e aparecem algumas fotos dele pequeno, na EBD. Toca a campainha de novo e ele irritado põe a garrafa dentro do baú :
Pai-Isaque:
Será que Nazaré e Ana esqueceram a chave... Ou será que é mais alguém pra vir me falar de Deus?
Missionária-Eva:
Meu querido irmão lembra de mim? Sou eu, Eva, a irmã em quem você investiu muito para que a obra de Deus na minha vida fosse realizada...
Pai-Isaque:
(muito emocionado ele responde) Sim, claro que eu me lembro!
Missionária-Eva:
Que bom revê-lo! Vou contar um pouco do que Deus vem fazendo naquele lugar através de mim. gostaria que você soubesse que a primeira escola que abrimos na África se chama Isaque Proença em sua homenagem, por tudo o que você fez, por tudo o que você investiu na minha viagem missionária.
Pai-Isaque:
Oh! Minha irmã, é muita emoção ouvir isso. Fico muito feliz por você estar bem lá. Por estar dando tudo certo pra você, e por essa viagem ter sido realmente de Deus, só não precisa me agradecer, pois fiz o que foi posto no meu coração, investi porque acreditei na obra que você me mostrou, nos planos e no trabalho que você queria realizar.
Missionária-Eva:
Claro que preciso agradecer, ninguém iria investir tanto dinheiro numa obra missionária, e você investiu com um amor, e uma satisfação admirável. Eu e meu marido somos extremamente agradecidos. Mas irmão como está todo mundo na igreja, e quais são as obras que Deus lhe deu para realizar nesses últimos 5 anos em que fiquei longe? Acabei de chegar e ainda não fui lá...
Pai-Isaque:
Ah! Então você ainda não foi na igreja! Na verdade... na verdade eu não tenho feito muita coisa, não...
Missionária-Eva:
Mas como não Isaque, nunca vi naquela igreja alguém que se interessasse tanto em realizar as obras de Deus quanto você, o que foi que houve?
Pai-Isaque:
Depois que eu perdi meus pais em um acidente de carro, eu perdi meu emprego, perdi a vontade de trabalhar, de servir, e depois de perder a vontade de estar com Deus eu saí da igreja.
Missionária-Eva:
Você saiu da igreja? Não posso acreditar, não é verdade, não creio, você irmão que sempre acreditou em todas as obras de Deus naquele lugar, que sempre incentivou os chamados missionários, sempre orou por missões... Não pode ser... Ana e Nazaré também saíram?
Pai-Isaque:
Não, elas continuam lá. Eu é que saí e... não pretendo voltar (meio incerto).
Missionária-Eva:
Não, eu não posso permitir que isso fique assim, irmão em nome de tudo o que você fez por mim, eu só volto pra África depois que o irmão voltar pra igreja enquanto isso não acontecer eu vou ficar orando por você aqui no Brasil.
Pai-Isaque:
Não irmã, não faça isso, é o seu chamado, é o trabalho de Deus que você está realizando lá, você precisa voltar! Pelo amor de Deus!!!
Missionária-Eva:
Será pelo amor de Deus por você que é filho dEle que Ele irá resgatar a sua vida. Tenho certeza que você ainda se preocupa com as obras do Pai, então volte pra casa do verdadeiro dono da sua vida! Assim como eu estou parando os meus trabalhos por causa do seu afastamento, muitas outras pessoas também estão com as vidas paradas esperando você, quantas vidas você está deixando de evangelizar, imagina... Escute, você continua desempregado?
Pai-Isaque:
Não 3 meses depois d’eu ter saído da igreja eu consegui um emprego parecido com o que eu perdi.
Missionária-Eva:
Está vendo Isaque, mesmo longe da casa dEle, Deus continua sendo fiel a você, cadê a sua gratidão, Isaque Deus não quer te perder Ele te quer de volta. Agora eu preciso ligar para o meu marido para avisar que eu não vou voltar para África enquanto você não se reconciliar com Deus. Eu quero estar aqui para ver a sua reconciliação com Deus, e depois disso eu volto para a África. Fique com Deus!
Pai-Isaque:
Vá com Ele também Eva!
Depois de ficar só Isaque pensa alto:
Pai-Isaque:
Preciso dar uma volta pra ver se esqueço todas essas coisas que ouvi hoje, e se tiro essas lembranças da cabeça, eu vou é beber pra esquecer.
Isaque sai e o Coral entra para cantar! Depois do Coral Isaque volta e continua com todas aqueles pensamentos:
Pai-Isaque:
Eu saio pra fugir das lembranças, dos pensamentos, e além de não conseguir beber por causa dessas coisas que estão martelando na minha cabeça eu ainda encontro mais um pra me evangelizar... quer dizer pra me atormentar.(com um panfleto de evangelismo na mão).
Ele para pra ler o panfleto e se lembra dele evangelizando nas ruas distribuindo os mesmos panfletos, e as lembranças no telão... Os pensamentos são interrompidos pela entrada de Nazaré e Ana:
Filha-Ana:
Ué pai, não foi na casa da tia Glória almoçar não?
Pai-Isaque:
Não fiquei em casa mesmo, até porque algumas visitas não me deixaram sair...
Mãe-Nazaré:
Que visitas foram essa?
Pai-Isaque:
Ah! A Glória, o Mateus e a Eva...
Filha-Ana:
Que Eva, Pai, a Missionária, que estava na África???
Pai-Isaque:
(desanimado) Ela mesma.
Mãe-Nazaré:
Mas porque esse desânimo, ela não está bem? Alguma coisa deu errado pra ela? Mas ela tava tão animada quando foi pra lá, fala o que foi que houve...
Pai-Isaque:
Se você deixar... Não aconteceu nada com ela e nem com o marido dela... Quer dizer, não tinha acontecido até ela vir aqui!
Filha-Ana:
O que foi pai, o que você falou, ou fez com ela, diz...
Pai-Isaque:
Eu não disse nada demais, apenas falei que eu tinha saído da igreja e ela então decidiu não voltar pra África enquanto eu não me reconciliar com Deus, vê se pode...
Filha-Ana:
Pode pai, o que não pode é você continuar amargurado, e a gente preocupado com esse seu afastamento desnecessário, puxa pai, você não vê que estamos todos sofrendo com você, vendo você bebendo e se destruindo desse jeito...
Mãe-Nazaré:
Eu e Ana estávamos lembrando da classe de batismo que você liderava na época em que ela se batizou, é muito triste ver você longe de tantos ministérios depois de saber quantos frutos esses seus trabalhos renderam à Cristo, e eu não acredito que você não sinta falta. Vamos filha, vamos nos arrumar pro culto.
Filha-Ana:
Você não vai mesmo pai?
Pai-Isaque:
(Um pouco duvidoso) Não... mas vou tomar banho para levar vocês.
Todos saem e o Coral canta!
Quando todos estiverem prontos, a campainha toca, e é Glória.
Irmã-Glória:
Passei para irmos juntos.
Pai-Isaque:
Estava pronto para levá-las mas, sendo assim vocês vão com Glorinha.
Filha-Ana:
Vai ficar mesmo, pai?
Irmã-Glória:
Vai ficar aí nesse sofá a noite toda?
Pai-Isaque:
Não. Vou pro bar daqui a pouco.
Mãe-Nazaré:
Você sabe onde vamos estar, se precisar de nós, vá até lá meu querido!
Pai-Isaque:
Não vou precisar de nada, bom culto pra vocês, e até mais tarde!
Depois que elas saem o Coral entra, e enquanto o Coral canta Isaque fica um tempo pensativo, pega a garrafa no baú, mas antes de levá-la a boca, ele pega uma Bíblia., aparece no telão ele quando se converteu, recebendo a Bíblia de um irmão que o aconselhou, e ele começa a chorar, e coloca a garrafa em cima do baú. Depois que o Coral terminar de cantar, Isaque se ajoelha abraçado com a Bíblia, e ora:

Pai-Isaque:

Senhor, me perdoa Pai, eu não sabia o que estava fazendo, venho me humilhar, pedir perdão por cada garrafa que bebi, por não ter ouvido as pessoas que o Senhor levantou para me fazer enxergar as minhas falhas e faltas, me faça nascer de novo Deus

Quero Te obedecer, quero me livrar das minhas culpas, quero pedir que perdoe cada palavra de deboche que saiu da minha boca para ofender outras pessoas por causa da bebida, quero ouvir Tua voz falando ao meu coração novamente.
Distante de Ti não posso viver não vale a pena Pai, quero realizar as Tuas boas obras quero voltar a viver em comunhão com os meus irmãos, olhe pra dentro de mim, e tire com a Tua mão poderosa tudo que há de ruim no meu coração, não vou mais me enganar quero estar na tua presença sim, quero voltar aos Teus braços, preenche o meu vazio, sacia minha alma, quero ser uma nova criatura
Quero que minha família se orgulhe de mim novamente
Quero que Tu se orgulhes de mim meu Pai, me dê visão para viver os teus sonhos
Tu és o dono do meu coração, me aceite de volta...

 

Depois disso Isaque sai e o Coral entra depois aparece no telão ele entrando na igreja, levantando a mão para se reconciliar com Deus, e indo lá na frente, abraçando o Pastor e a última foto que aparecerá e que ficará no telão será ele na igreja fazendo sinal de positivo para a câmera.
 
Em seguida um refletor foca a garrafa que será derrubada e fará um barulho de vidro quebrando e FIM!

 

Diversos: