A VOLTA DO QUE NÃO FOI (sem Jesus você tá morto)

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Sem Jesus você tá mortoHistória hilária de Frederico Fabio, metido, falador, esperto, se acha "the best". Ele foi atraido, seduzido, ficou encantado com a namorada do maior valentão da escola...

A peça se passa em uma escola, os personagens adolescentes estão todos de uniforme. Entra Frederico Fabio conversando com Teodora Inês num clima de paquera. Se despedem confirmando algo. Ela sai. Frederico fica suspirando tipo romântico. Entra Elza Maria.

 Pra quem quer ver a montagem / Adaptação Cia. de Teatro Blessing Assista Aqui

 ELZA MARIA — Mas que cara de apaixonado, Frederico!
FREDERICO FABIO — Cara e o resto... Estou todo apaixonado!
ELZA MARIA — Mas que benção! E quem é a felizarda?
FREDERICO FABIO — Teodora Inês.
ELZA MARIA — Que bom que você encontrou alguém... mas espera: a Teodora Inês não é namorada do Tonicão Braço-de-Martelo??!!
FREDERICO FABIO — Isso é só um detalhe.
ELZA MARIA — Meu querido, isso não é só um detalhe. Primeiro, que o fato da garota ter namorado implica em muita coisa; segundo, o namorado dela é o Tonicão!!! O cara é Pit-bull, é mau, dizem que no outro colégio onde ele estudava, o cara arrancou os olhos de um garoto só porque olhou pra menina que ele gostava! Também dizem que lá onde ele mora já deu surra em todo mundo, até na própria mãe! O cara é mau.
FREDERICO FABIO — E você acha que vou me deixar intimidar por esse sujeitinho mal-encarado? Cara feia pra mim é fome, e digo mais: Eu sou um ungido do Senhor e ele não pode tocar em mim! (cheio de fé)
ELZA MARIA — Bate na boca, seu herege! Paquerando a namorada dos outros e vem se dizer ungido do Senhor? Cuidado que com Deus não se brinca.
FREDERICO FABIO — Mas quem é que está brincando? Falo seríssimo. Esse Tonicão está sendo um instrumento do diabo para abalar minha fé, mas eu creio que Deus me dará a vitória sobre o inimigo!
ELZA MARIA — Que inimigo? Você está mais para cúmplice do diabo do que pra inimigo dele. Acha que Deus se agrada de ver alguém tomar o que não lhe pertence? Você tinha era que pedir perdão a Deus por cobiçar o que é dos outros e aguardar com paciência que Deus lhe dê a pessoa que Ele preparou pra você. E cá pra nós: essa garota é bem sem-vergonha, né não?
FREDERICO FABIO — Elza!! Elza Maria!! Elza Maria, minha amiga, como ousa me colocar como amigo do diabo??!! Como ousa insultar a honra da mulher que eu amo, a dona do meu coração??!! (indignado) Além do que Deus está em dívida comigo, por isso não preciso esperar nada.
ELZA MARIA — Senhor!!! Meu Deus!!! Eu não ouvi isso, eu não ouvi isso!!! (aos céus) Que história é essa de que Deus tem uma dívida com você? (para Frederico)
FREDERICO FABIO — Sabe o que é, há algum tempo atrás eu entrei num propósito com Deus para que Ele tirasse da minha vida esses desejos, esse fogo, essa coisa (se empolgando, mas para quando vê que Elza fica envergonhada)..., bom resumindo, Deus não me abrasou. Então já que Ele permitiu que eu continuasse assim, Ele tem que me recompensar de alguma forma. E essa recompensa se chama Teodora Inês. Ai, ai... (suspirando)
ELZA MARIA — Você é um tremendo de um sem-vergonha e a culpa é de Deus?
FREDERICO FABIO — Pô, Elzinha, quem te ouve falar assim pensa que você nem é minha amiga.
ELZA MARIA — Frederico Fabio, há quanto tempo a gente se conhece?
FREDERICO FABIO — Desde pequenos.
ELZA MARIA — Já te pus em alguma furada?
FREDERICO FABIO — Que me lembre, não.
ELZA MARIA — Me escuta então, não é isso que Deus quer pra você. Eu entendo que você tenha lá suas vontades, é normal ou você acha que é só com você que isso acontece? Eu também tenho minhas vontades e desejos. Na adolescência a gente tem hormônio pra dar e vender e isso meche com a gente, mas Deus tem um propósito para tudo e pra gente, pra nossa idade, não é tempo pra realizar esses desejos, apesar da vontade que dá na gente. Eu entendo também que fica mais difícil ainda quando tem umas meninas mais assanhadas por perto, mas não é Deus quem tem que controlar seus impulsos, é você mesmo. Você não está apaixonado por essa menina, você está atraído por ela, fisicamente, sabe? Escuta o conselho da tua amiga: sai fora dessa história que isso não vai terminar bem.
FREDERICO FABIO — Será?... Eu marquei de ir me encontrar com a Teodora. Vou conversar com ela sobre isso.
ELZA MARIA — Você não entendeu nada mesmo, hein?! Você não tem nem que ver essa menina...
FREDERICO FABIO — Vou resolver isso agora!! (sai sem dar atenção pras palavras de Elza)
ELZA MARIA — Caramba... tomara que pelo menos ele não caia em tentação e faça a coisa certa. (sai)
 
Entram Frederico Fábio e Teodora Inês conversando.
 
FREDERICO FABIO — ... E foi isso que minha amiga me disse.
TEODORA INES — Poxa, eu não sabia que a sua amiga é que mandava na sua vida. Pensei que estava trocando um namorado nervoso por um esperto. Já que você deixa ela ficar decidindo as coisas na sua vida, vai ficar com ela que eu vou cuidar da minha vida!
FREDERICO FABIO — Não, minha rainha, não é isso, não. Eu é que mando na minha vida. Eu só queria contar pra você a... a... a besteira que essa garota, que nem é muito minha amiga, andou falando.
TEODORA INES — E você também acha que Deus não gosta do nosso namorinho secreto? (se insinuando)
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Claro que não, meu amor. Deus está abençoando nosso amor!
 
Começam um agarramento. Aparece alguém que vê os dois e se espanta. Esse sai correndo. Os dois saem. Volta o sujeito que viu o namoro junto com Tonicão. Cochicha no ouvido dele.
 
TONICÃO — O quê???!!! Um miserável estava beijando minha namorada???!!! Eu acabo com esse sujeitinho!! Quem é o futuro defunto?
 
Durante a fala de Tonicão entra Elza Maria. Cochicha novamente.
 
TONICÃO — Frederico Fabio??!! Mas esse cara não é crente??!! Mas isso não importa, eu vou acabar com a raça desse infeliz!! (sai nervoso com o sujeito atrás)
 
Elza fica apreensiva.
 
ELZA MARIA — Jesus, tem misericórdia! Que besteira o Frederico fez...
 
Entra Frederico.
 
ELZA MARIA — E então??
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Conversei com ela e já está tudo resolvido. Acabou tudo, ela chorou, esperneou, mas eu fui firme como uma rocha. Disse pra ela: “Deus está em primeiro lugar na minha vida. Está tudo acabado.” Ela ficou triste, mas supera. Vou levar o nome dela pra oração.
ELZA MARIA — Deixa de ser mentiroso que já não tem mais tempo pra isso.
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Que papo é esse de mentiroso??
ELZA MARIA — O Tonicão já descobriu que você estava com a Teodora e está uma fera atrás de você!
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Ai meu Deus do céu!!! (apavorado) E agora Elzinha minha amiga, quê que eu faço?? Esse monstro vai me matar, vai me trucidar, vai fazer picadinho de mim!! Eu tô lascado!!!
ELZA MARIA — Fica calmo! (dá um bofetão) Vai pra casa. Ele não sabe onde você mora. Amanhã a raiva dele vai ter diminuído e você vai poder se explicar pra ele...
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Me explicar??!! Tá doida?? Eu vou é sumir do país, vou pra Argentina torcer pro Boca Junior... (apavorado)
ELZA MARIA — Já disse pra ficar calmo! (outro tapa) Você não pode se esconder pra sempre. Tem assumir as conseqüências de seus atos. O máximo que pode acontecer é o sujeito te dar uns tapas bem dados, mas com um curativo já-já passa.
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Só uns tapas??!! Só uns tapas??!! (apavorado) Argentina no chores por mi!!! (portunhol)
 
Elza levanta a mão como se fosse dar outro tapa.
 
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Não, não! Já acalmei.
ELZA MARIA — Melhor. Vai pra casa, que a besteira já está feita. Amanhã é outro dia. (saem)
 
O que se segue agora é um sonho de Frederico. Entra Frederico, amedrontado, com Teodora.
 
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Eu não acho uma boa idéia a gente ficar junto, não. Alguém pode ver a gente.
TEODORA INES — E daí? O Tonicão já descobriu mesmo. Você não me disse que não tinha medo dele? Então agora eu estou com você e se ele vier você põe ele pra correr.
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Pensa que é fácil?
TEODORA INES — Isso a gente vai ver agora, olha o Tonicão aí.
TONICÃO — Seu pilantra, cara-de-pau! Ainda vem abraçado com ela?! Eu vou te matar!!
TEODORA INES — Cão que ladra não morde. Fica sabendo, seu Toniquinho, que o Fredão é muito valente e me disse que vai te por com o rabo entre as pernas!
TONICÃO — O quê???!!! Você é muito valente ou é muito doido!! Vou botar todos os seus dentes pra dentro da sua goela!!
TEODORA INES — Pode vir! Tá achando o quê? O Fredão vai acabar contigo!
TONICÃO — Eu acabo com você!!! AAAAHHH!!!
 
Tonicão corre atrás de Frederico que foge para a rua. Sai de cena mas Tonicão fica. Ele para bruscamente.
 
TONICÃO — Seu doido sai da rua!
 
Som de freada e batida.
 
TEODORA INES — Tonicão, o Frederico foi atropelado! O que você fez? (foge apavorada)
TONICÃO — Eu vou é me mandar!! (foge também)
 
Frederico entra correndo pelo outro lado.
 
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Ué... cadê o monstrengo?? Já sei: ele descobriu meu plano. (enquanto fala entra o anjo e fica observando) Meu plano de deixar o Tonicão cansado com a corrida e depois dar uma surra nele. Ele descobriu e fugiu a tempo. Mas na próxima... (esbarra no anjo ao virar-se) Que susto!
ANJO — Desculpe, não quis te asustar.
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Tudo bem. Tenha um bom dia. (vai saindo)
ANJO — Vai aonde?
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Desculpa...
ANJO — Vai aonde?
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Por que quer saber?
ANJO — Pra evitar que você se assuste de novo.
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Com o que?
ANJO — Com todas as pessoas te ignorando como se você tivesse morrido.
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— E por que elas fariam isso?
ANJO — Porque você morreu.
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Ah tá.... O quê??!!!
 
Enquanto falam entra o velório de Frederico no fundo.
 
ANJO — É isso aí, cabeção! Ou você realmente achou que podia desviar daquele carro no estilo do Matrix?
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Eu pensei que podia, né...
ANJO — Pensando morreu um burro!
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— E quem é você?
ANJO — Tô todo de branco, quem você acha que eu sou?
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Caramba!! Morri e virei espírito de macumba! Tu é um pai-de-santo que tá me invocando!
ANJO — Cara... você é impressionante! Eu sou o Anjo do Senhor, sua mula!
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Tu é bem grosso prum anjo, hein?
ANJO — Olha pra trás.
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Quê que é isso??? (espantado)
ANJO — O quê poderia ser? É o seu velório.
 
Se aproxima do caixão, curioso, olha a sua volta.
 
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Até que eu fiquei um defunto bacana. Tadinha da minha mãe, sente muito minha falta. Olha como chora.
MÃE — E agora! E agora! Quem vai carregar minhas bolsas de compras?? Quem vai varrer a casa pra eu ver a novela?? Quem vai ficar debaixo de um sol de quarenta graus batendo o tapete mais de uma hora pra tirar toda a poeira?? Quem, quem??? (inconsolável)
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Pô, mãe. Eu era teu filho ou teu empregado? (a mãe sai chorando dizendo”ai meu filinho”) Em compensação meu pai não perde o estilo dos homens da família. Mesmo mediante a dor da perda ele não se abala. Firme e impenetrável como uma rocha!
 
Subto, o pai se joga, desesperado, sobre o caixão.
 
PAI — Me leva junto! Me leva junto! Meu bebê! (chora desesperado. Se acalma e sai)
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Pô, pai. Perdeu a linha. (entra Tonicão) Peraí! Quê que esse cara tá fazendo aqui?
TONICÃO — Eu não queria que isso tivesse acontecido. Se arrependimento matasse... se fosse pra desfazer a besteira que eu fiz eu deixava você ficar com a Teodora Ines. Não vale a pena perder a vida desse jeito. Espero que um dia eu possa ser perdoado. (sai muito triste)
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Ele ficou triste mesmo. (enquanto falam sai o cenário do velório)
ANJO — Pois é. As pessoas nem sempre são o que aparentam. Você só pode afirmar algo de alguém que você conhece de verdade.
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Tem razão. Ouviu o que ele disse? Que deixava eu ficar com a Teodora! Tadinha, deve estar tão abalada que nem pode ver o corpo do seu amado.
ANJO — A gente pode dar uma olhadinha no choro da sua amada.
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Ah, sim.
 
Entra Teodora de mãos dadas com o sujeito que contou a traição para o Tonicão.
 
TEODORA INES — Ai, é tão bom ter um rapaz valente e esperto como você. Tão diferente da besta do Tonicão e daquele outro idiota que foi atropelado, qual era mesmo o nome dele? Deixa pra lá. Vamos meu amor. (vão saindo mas são interrompidos por Elza Maria)
ELZA MARIA — Como você tem coragem de ficar desfilando com outro quando o Frederico está sendo velado por sua causa?
TEODORA INES — Ih, garota! Se enxerga! (Elza sai chorando dizendo “meu amigo” e os dois saem pelo outro lado)
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Coitada da Elzinha.... ô Teodora, pelo menos deixava o defunto esfriar, né?
ANJO — Não lembrou nem seu nome.
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Morri a toa.
ANJO — É o que parece.
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Mas chega de conversa. Me leva para os braços do meu Deus! (abre os braços)
ANJO — Enlouqueceu?
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Por que?
ANJO — Vamos ver: você brincou com o nome de Deus, ignorou a vontade dEle para sua vida, traiu sua melhor amiga dizendo que não era sua amiga, paquerou e ficou com a namorada de outro, contava um monte de mentiras.... Meu jovem, acho que o seu destino é outro.
 
Acende a luz vermelha com a fumaça na saída. Muitos gritos e gemidos.
 
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Não! Espera, eu não posso ir pro inferno. Eu ia na igreja, orava, cantava os hinos. Eu fazia parte do ministério de adolescentes da minha igreja, todo mundo sabia que eu era crente. Eu quero ir pro céu! (desesperado)
ANJO — Agora é tarde. Deveria ter pensado nessas coisas quando estava vivo! (empurra Frederico, aos gritos, pro inferno)
 
Sai o Anjo e entra a mãe de Frederico. Dirige-se a saída.
 
MÃE — Acorda, Frederico! Vai se atrasar pra escola!
 
Frederico sai desnorteado do quarto que é a mesma saída.
 
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Mãe?? Como é que a senhora veio parar no inferno??
MÃE — Que conversa é essa, menino? Você devia estar sonhando. Anda vai pra escola que já está ficando tarde.
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Claro mãe, é isso! (dá um beijo na mãe) Foi um sonho! Foi um sonho! (feliz volta pro quarto e mãe sai sem entender nada)
 
Entram Elza Maria e Tonicão. Tonicão fica mais ao fundo oposto a Elza. Entra Frederico pelo lado de Elza Maria.
 
ELZA MARIA — Frederico, que bom que você não fugiu. Orei muito por você, nem dormi direito.
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Pode ficar tranqüila, que suas orações foram ouvidas. Eu já sei o que fazer.
ELZA MARIA — Agora não é hora pra historinha.
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Fica tranqüila. (vai na direção de Tonicão que se projeta)
TONICÃO — Você é muito valente de aparecer aqui de novo.
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Tonicão, quero te dizer que eu errei. Dei em cima da sua namorada e isso não tem desculpa. Você pode fazer o que quiser comigo.
TONICÃO — Pois eu vou te arrebentar todo! (pega pelos colarinhos)
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Vai lá. Pode bater.
 
Tonicão arma o golpe.
 
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Apesar de que eu não sou o único culpado.
TONICÃO — Como é?
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Mas tudo bem. Pode bater.
 
Tonicão arma o golpe.
 
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Se a Teodora Inês não ficasse se oferecendo ninguém daria em cima dela. Mas tudo bem. Pode bater.
 
Tonicão arma o golpe.
 
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Afinal ela tem namorado e deveria respeitar esse namorado. Não só comigo mas com outros também.
TONICÃO — Outros??!!
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— É, mas liga não. Pode bater.
 
Tonicão arma o golpe, mas para e solta Frederico.
 
TONICÃO — Quer saber, pode ir embora. Eu vou ter uma conversinha com a Teodora. (sai)
ELZA MARIA — Frederico, eu não acredito! Que demais, como você fez isso?
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— O quê?
ELZA MARIA — Se livrar do Tonicão.
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Mas eu não fiz nada. Quer dizer, quase nada.
ELZA MARIA — Como assim?
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Quando a gente leva a palavra de Deus a sério, as coisas simplesmente acontecem. Eu sabia que estava errado, só que ela também estava. Eu entreguei nas mãos de Deus e deixei acontecer.
ELZA MARIA — E se ele te batesse?
FREDERICO FABIO ­­­­­­­— Ia doer um bocado. Mas ia ser melhor do que eu correr. Mas vamos pra sala logo que a aula já começou. (saem)
 
 
F I M

 

 

Diversos: