CHAVES E CHAPOLIN em A CHAVE PARA O PERDÃO

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CHAVES E CHAPOLIN em A CHAVE PARA O PERDÃO Com os personagens do famoso seriado de TV, na mesma vila começam a desaparecer objetos. As acusações recaem sobre o Chaves.

Acusado, acuado, humilhado resolve abandonar a vila.

Mesmo sem o Chaves as coisas continuam sumindo...

O Chapolim Colorado é chamado para ajudar a desvendar...

Chaves, foi para a igreja, buscando entendimento e perdão...

Outras peças com a Turma do Chaves:

SONÂMBULOS - com a Turma do Chaves
A BANDINHA DA VILA

 

Personagens:
Chaves / Chapolin
Seu Ramón
Zé Vareta
Cente
Mimi 
Flor de liz
Pati 
Chaves está brincando com bilboquê quando vê um sanduíche de presunto escondido num canto:
CHAVES: (Corre agitado) Um sanduíche de presunto! Mas eu não posso comer... Provavelmente, foi o Quico, aquele “bochecha de buldogue velho” quem deixou aqui. E eu não sou nenhum roubão! (Ele bota no lugar e olha para o público, mas fica tentado) Eu tenho de pegar ou não, hein? O Quico sempre tem sanduíche de presunto, ele nem vai sentir falta. (Vai pegar novamente, mas não consegue) Não! Eu não vou pegar. ‘Tá certo que o Quico é um burro, que ele não me dá nada, nem empresta seus brinquedos... (Fica andando de um lado para o outro), mas Quico é meu amigo. E mesmo que não fosse, eu nunca roubei e nunca voltarei a roubar! (Volta a brincar com o bilboquê, mas não se concentra. Fica lambendo os beiços) Talvez só um pedacinho. Ninguém ‘tá vendo mesmo... (Ele vai até o sanduíche, mas retorna e começa a orar) Ai, você sabe que eu não quero pegar, então me ajuda! Eu quero ser um menino bonzinho...
CENTE: (Aparece tranquilo) Olá, Chaves! Quanto tempo eu não te vejo!
CHAVES: (Assustado) Quem é você?
CENTE: (Espantado) Oh, Chaves! Não se lembra de mim? (Chaves afirma com a cabeça e nega com a voz) Já dividimos comida juntos.
CHAVES: (Alegre) Ahhh.. Esquizoberto (Cente faz uma cara feia). Ah, não! Certo! Você não gosta que te chamem assim. Por isso te chamamos de Cente!
CENTE: Exato! (Fala satisfeito) Falando nisso, Chaves, qual é o seu nome de verdade?
CHAVES: Bom, meu nome de verdade é... (Eles são interrompidos por Seu Ramón que aparece gritando)
SEU RAMÓN: Moleque! O que você está fazendo aqui nesta vila (Aproxima-se de Cente e puxa-lhe a orelha) Veio importunar meu primo também?
CENTE: Ai, eu vim aqui ver meu amigo Chaves (Fala ainda sendo maltratado por Seu Ramón) E o senhor? O que faz aqui? (Chaves está assustado)
SEU RAMÓN: (Nervoso) Seu amigo Chaves? Desde quando menino de rua tem amigo? Mas será possível que até meu primo tem de aborrecer com você! (Dá-lhe um tapa na nuca)
CENTE: O Chaves é meu amigo, sim! (Ele chora, puxando o lábio inferior para a esquerda)
CHAVES: (Fala com medo) Oh, Seu Ratón. O Cente é meu amigo, sim! Nós somos pobres, mas somos honrados. Nós até dividimos comida quando temos.
SEU RAMÓN: Olha aqui, moleque! Pra início de conversa, eu não quero conversa com você. E pra final, com que direito me chama de Seu Ratón. Meu nome é Ramón! Agora dá licença que eu tenho que falar com meu primo.
CENTE: (Cochicha para o público) Oras, com essa cara de rato que ele tem, quem é que não vai confundir o nome e chamá-lo de Seu Ratón...
CHAVES: Mas afinal, quem é seu primo? (Fala petulante)
SEU RAMÓN: Ora, não te interessa! (Retorna para ele e pergunta) Afinal, sabe dizer se o Seu Madruga está em casa?
CHAVES: Da parte de quem?
SEU RAMÓN: (Furioso) Como assim da parte de quem? Da Chapeuzinho vermelho é que não pode ser, né?
CENTE: (Cochicha para o público) Ele parece mais o Lobo mau! (Vira-se para o Chaves) CHAAVES! Por que você não vem conhecer o lugar onde eu moro?
CHAVES: (Para Seu Ramón) O Seu Madruga saiu e disse que só volta quando estiver empregado. (Para Cente) Jase, e jase e aí.. e jase....
SEU RAMÓN: (Irritado) Que, que, que, como? Você vai levar mais um moleque lá pra vila. Já não basta um na minha vida! (Sai nervoso)
CENTE: Não liga pra ele, Chavinho. Eu vou te apresentar a Tati, a Flor e até a maluca da Mimi! Talvez role até um lanchinho.
CHAVES: (Sonhando) Um lanchinho... e com a Pati... É comida de verdadinha, né?
CENTE: Chaves, não é Pati, é Tati! E eu falei talvez... role um lanchinho. (Chaves entusiasma-se) Tem também um inquilino novo que chegou lá na vila, muito magricela, engraçadão... (Sai falando com o Chaves)
Flor de Liz aparece com uma lupa na mão investigando algo. Seu Ramón aparece depois
FLOR DE LIZ: Mas será possível! Objetos desaparecendo na vila! Furtos ou bruxarias. Isso é um caso para Flor de Liz. Investigarei este caso e descobrirei a chave do mistério ou não me chamo Flor de Liz.
SEU RAMÓN: (Entra irritado) Mas será possível?! Será possível?! (Flor de Liz olha intrigada)
FLOR DE LIZ: O que houve seu Ratón?...
SEU RAMÓN: (Ele a interrompe) Que, que, que, como? Como me chamou, senhorita?
FLOR DE LIZ: Oh, perdoe-me. É porque as crianças te chamam assim e a gente acaba....
SEU RAMÓN: (Debochado, a interrompe de novo) Sim, sei! E há pessoas que não tem opinião própria e repetem tudo o que outros dizem, de acordo?
FLOR DE LIZ: Ora, senhor (Contrariada) Não é bem assim? É que...
SEU RAMÓN: (Ele a interrompe novamente) Não quero saber! A única coisa que eu quero saber é onde foi parar meu ferro. Mas será possível?
FLOR DE LIZ: Hum, interessante... (Ela faz ar de mistério)
SEU RAMÓN: (Irritado) Onde é interessante o meu ferro sumir, senhorita?
FLOR DE LIZ: O caso é que não foi somente o seu ferro que sumiu? Sumiu um quadro dos Martines. A panela da Matildes e a...
SEU RAMÓN: (Ele a interrompe) Quer dizer que andam sumindo coisas na vila. Mas agora que eu não pago mais o aluguel. Na violência que nos encontramos agora. Eu exijo segurança!
FLOR DE LIZ: Ora, e desde quando você paga o aluguel? O que andam dizendo por aí que o senhor está em 9 meses.
SEU RAMÓN: (Debochado) Onde me vê grávido, senhorita.
FLOR DE LIZ: Não banque o engraçadinho. O que dizem é que o seu aluguel está atrasado em 9 meses já, e inclusive torna-se suspeito dos sumiços. (Ele se assusta) Mas não se preocupe: eu estarei investigando, pois este é um caso para Flor de Liz. (Ela sai de cena com a lupa)
SEU RAMÓN: (Nervoso) Ora, que absurdo o que andam falando. É por isso que eu fui atrás do Madruga pra ver se ele poderia me ajudar a pagar esse aluguel. (Fala olhando para o público) Eu tenho de limpar a minha honra ou não me chamo Seu Ratón... digo, Seu Ramón! (Sai de cena)
Quando ele sai cruza com Tati e a maltrata .
TATI: Ai, eu nem acredito que consegui achar esse exemplar do Chapolin Colorado. (Deita-se no chão para ler)
CENTE: (Entra com o Chaves) Nossa! Uma revistinha do Chapolin Colorado! Deixa eu ler?
TATI: Ah, lá vem você, Cente! É minha e não vou emprestar. Você é muito chato, eu nem...
CHAVES: (Chaves a interrompe) As pessoas boas devem amar seus inimigos.
TATI: Oi! (Ela se encanta com o Chaves) Que bonito o que você disse. Qual o seu nome?
CENTE: Ele é o Chaves que eu já tinha falado.
TATI: Ah, você também não tem papai nem mamãe, Chavinho... (Acaricia o ombro. Cente fica com ciúmes.)
CHAVES: (Contrariado) Claro que tenho! (Eles olham assustados) Mas nós ainda não fomos apresentados.
CENTE: (Alegre) Eu convidei o Chaves pra comer comigo hoje?
TATI: E o que você vai dar a ele, se não tem nem pra você?!
CENTE: (De forma malandra) Eu pensei em falar contigo pra preparar alguma coisa pra mim. É porque a gente sempre divide a comida.
TATI: Ah, engraçadinho... eu não vou preparar nada pra você! Que você não ‘tá merecendo.
CHAVES: (Fala triste) Mas comida não tem a ver com merecimento. (Olha para o público) Tem a ver com direito. Todos têm direito à alimentação, principalmente as crianças. E eu sei que assim como eu e o Cente há muitas crianças que passam fome no mundo.
TATI: Ah, Chavinho... (Toda carinhosa com ele, depois com preocupação) E você já comeu?
CHAVES: Claro! Oras...
CENTE: (Olha zangado) Você já comeu e nem falou nada e não dividiu comigo?
TATI: Que horas você comeu Chavinho? Hoje cedo?
CHAVES: Não, hoje eu não comi. A ultima vez que eu comi foi na semana passada... (Cente e Tati abaixam a cabeça)
TATI: Espera, Chavinho! Eu vou preparar alguma coisa pra você e já trago. (Chaves se entusiasma)
CENTE: (Revoltado) Oras, e para mim. Ninguém pensa?
CHAVES: (Fala amigável) Não se preocupe, Cente! Não importa o quanto ela traga, eu vou dividir com você, pois nós dois somos amigos.
CENTE: É isso aí! Há amigos mais chegados que irmãos.
CHAVES: (Fala amigável) E não se esqueça, Cente. Ainda que te falte todos os amigos, há um que nunca vai faltar. O amigo de todos os amigos e que cuida de todas as crianças e de todos os homens.
CENTE: Sim, eu sei. Nós aprendemos na igreja.
Tati entra e os três cantam “Ouça bem”
TATI: Chavinho, minha tia já preparou a mesa com biscoitos e café para a gente, vamos?
CHAVES: Jase, jase e jase... (Ele para) Mas o Cente vai poder ir também, né? (Cente abaixa a cabeça) Porque se ele não puder, eu não vou também.
CENTE: Jura Chaves, que você não vai se eu não puder ir?
CHAVES: Como que eu vou poder comer sabendo que alguém próximo a mim também está com fome? (Olha para o público) Alguém consegue?
TATI: Está certo, Chavinho. Ele já iria mesmo. (Chaves e Cente comemoram)
CENTE: Mas, Chaves! Mesmo a gente indo comer ainda haverá alguma criança com fome em algum lugar do mundo... Então, não podemos comer?...
TATI: Agora eu entendi uma coisa que a minha tia sempre me ensinava e eu não percebia. (Ela olha para eles e para o público) Ela sempre diz que temos de agradecer ao nosso Pai que está no céu pelo alimento, pois muitos não têm. Acho que a gente pode fazer isso agora: agradecer.
CHAVES: (Entusiasmado) Sim, e depois pedir para que os próximos do mundo todo tenham comida todos os dias e nenhuma criança possa passar fome. (Fala extasiado)
TATI: (Ela ora agradecendo a Deus pelo pão nosso de cada dia e pede por todas as crianças que passam dificuldades. Eles saem depois da oração.)
CHAVES: (Ele continua depois do amém) Ah, e antes que esqueça: muitississississimo obrigado por enviar o Cente pra me salvar na hora da tentação. (Ele fala com o publico) Eu não peguei o sanduíche do Quico e o Senhor me deu uma mesa farta. Isso, isso, isso, isso... (Ele sai de cena)
Zé Vareta passa e rouba algum objeto da cena. Mimi entra em cena
MIMI: (Olha para o chão e dá um grito) Eu não acredito! (Para e olha para o público) A revista do Chapolin Colorado! (Grita de novo)
TATI: (Entra com os meninos) É, mas, esta revista é minha!
MIMI: Como assim? Eu achei e é como dizem, achado não é roubado!
CENTE: Mas é verdade, Mimi! Ela estava lendo quando nós chegamos. Depois nós saímos e ela esqueceu aqui.
MIMI: Ah, mas agora eu quero ler a revista do maior de todos os heróis.
CHAVES: Todos nós gostaríamos de ler... Por que cada um não lê em voz alta um pouquinho para todos?
TATI: Ai, Chavinho! Você é o máximo! Se fosse mais velho poderia ser o Chapolin Colorado. (Ele fica todo bobo e Cente com ciúmes) Já que o Chaves deu a ideia, ele começa lendo.
MIMI: O Chapolin não é uma coisa que se divida. E também eu não gosto de dividir nada, principalmente o que é meu.
CENTE: Então você fica sem nada, pois eu gostei da ideia do Chaves. Temos de compartilhar, assim todos ficam felizes. (Mimi sai irritada)
TATI: Pode começar, Chavinho! (Ela fica à esquerda e Cente, à direita)
CHAVES: Jáse, jase... (Começa a ler) Chapolin Colorado em “O três ouros de amantes”
TATI: (Ela se assusta) Como é que ‘tá escrito, Chavinho? (Ele repete)
CENTE: Ah, Chaves! O título é “O tesouro de diamantes” Provavelmente é uma história de piratas.
CHAVES: (Ele continua) Na cara velha, os pirados possuíam seus demônios...
CENTE: Ai! Chaves! Deixa eu ver. (Pega a revista e lê) Diz: “Na caravela, os piratas possuíam seus domínios.” Claro, eles estavam chegando no território pelo barco. Vai, diz o que o pirata falou nesse próximo balão?
CHAVES: (Fala com cuidado) A very gay mysteriow...
TATI: Chaves, você leu em inglês? (Ela fala espantada)
CHAVES: Eu? Em inglês?!
CENTE: Ah, até parece! Ele não ‘tá sabendo nem ler em português!
TATI: Claro que leu! Leia de novo, Chavinho! (Ele repete) Viu? Olha’í!
CENTE: Deixa eu ver! (Ele pega a revista) Diz assim: “Averiguei o mistério!” O pirata descobriu algo. (Ele se aborrece) Ah, chega! Deixa eu ler agora. Pow, Chaves. Tem estudar pra não passar essas vergonhas. A gente é pobre, mas é honrado e com estudo se melhora de vida.
CHAVES: Eu também não quero ler mais nada, se quer saber. (Ele sai e volta) E eu estudo, sim, se quer saber. (Ele se afasta e volta) O Mestre linguiça me toma a leitura toda aula, se quer saber. (Ele retoma o passo) E eu vou ser melhor de vida, se quer saber. (Retorna) E, além disso ...
CENTE: (Interrompe, gritando) Aaaahhh! Chega! Deixa eu ler agora e pronto!
CHAVES: Ninguém tem paciência comigo! (Fala mexendo no suspensório)
TATI: Porque você se a revista é minha. Deixa eu ler! (Ela toma a revista)
CENTE: Oras, você deixou o Chaves, que não sabe nem ler! Por que eu não posso? (Toma a revista e puxa o cabelo dela)
TATI: Aaiii!... pois agora que eu não vou emprestar mais nada mesmo!
Chaves (Amigável) A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena. (Os dois abaixam a cabeça)
TATI: Mas ele me machucou e eu estou muito triste, vou embora. (Sai chorando)
CENTE: (Olha para o Chaves) ‘Tá bom! ‘Tá bom! Eu vou lá pedir desculpas a ela (Ele sai)
Zé Vareta aparece assustado segurando uma calça jeans
CHAVES: Olha! Que calça bonita! O senhor comprou agora?
ZÉ VARETA: Eu? (Fica assustado) Essa calça?
CHAVES: Ih, você é o vizinho novo que o Cente falou?
ZÉ VARETA: Cente? Que Cente? Falou o quê? (Fica mais assustado)
CHAVES: De um vizinho novo que chegou na vila, magricela e buurro... (Zé Vareta olha contrariado para o público) Você deve passar fome também, né? Olha, sobrou uns biscoitinhos que eu botei no bolso e posso te dar porque...
ZÉ VARETA: (Ele interrompe o Chaves e joga os biscoitos no chão) Ah, não fale besteira. Eu não quero biscoito nenhum!
CHAVES: Não faça isso com os biscoitos, que é pecado desperdiçar comida. (Ele cata do chão e põe no bolso)
CENTE: (Debocha, irritado) Se eu sou burrinho, você é um porquinho, que fica catando comida do chão.
CHAVES: (Agachado) Éh, mas isso se resolve com educação, agora a burrice... (Entram todos os outros personagens por lugares diferentes) Ah, lá vem o Cente com uma senhorita.
ZÉ VARETA: (Nervoso) Olha, fica com esta calça que eu estou saindo. Estou te dando de presente.
CHAVES: Puxa! Uma calça novinha pra mim. Como o pessoal desta vila é legal. Vou falar com Seu Madruga e a Chiquinha que...
FLOR DE LIZ: (Mostra-se imponente, segurando a lupa) Então é você quem está roubando as coisas. LADRÃO! (Chaves fica assustado e olha para os outros que o chamam de LADRÃO cada um a seu tempo)
No escuro, Chaves sai ao som de música triste. Acendem-se as luzes e Cente com Tati aparecem
CENTE: Ninguém lá na outra vila sabe dele, Tati! E estão preocupados também...
TATI: Foi nossa culpa... (Ela chora) Nós não devíamos ter feito assim... (Cente abraça Tati e Mimi entra com Flor de Liz)
MIMI: Por que está chorando, Tati? Alguma celebridade morreu?! (Ela grita e chora também)
FLOR DE LIZ: Chorando, por quê? Agora que o caso dos objetos roubados foi resolvido! (Ela diz toda prosa)
CENTE: Tati chora por nossa culpa, inclusive sua, Flor do brejo!
FLOR DE LIZ: (Indignada) Como assim? Eu resolvi o caso!
TATI: Você não resolveu nada. Simplesmente viu uma situação e deduziu o que era bom pra você.
FLOR DE LIZ: Está insinuando que aquele menino não era o ladrão que estava roubando as coisas aqui?
CENTE: O Seu Ratón disse que objetos sumiram antes de eu trazer o Chaves aqui. Você, com suas atitudes detetivescas, deveria ter essa informação!
FLOR DE LIZ: (Com ar de suspeita) Interessante! Voltemos ao caso.
TATI: Muita simples dizer isso, né? Mas e a vergonha que o Chavinho passou. E agora ele está sumido...
FLOR DE LIZ: Se sumiu é porque tem alguma culpa. Vou investigar isso também. (Ela sai)
CENTE: Metida! Pensa que sabe as coisas e não sabe nada...
TATI: Mas numa coisa ela está certa. Temos de descobrir quem está roubando os objetos na vila.
MIMI: (Ela tem uma ideia e grita) Ahhhhh..... Por que não chamamos o Chapolin Colorado?
CENTE: Ah, que isso?! ‘Cê pensa que eu sou bobo? O Chapolin Colorado só existe na Televisão e nas revistinhas. ‘Tá pensando o quê? Além disso, se ele existisse, não iria querer ajudar a gente pobre daqui.
MIMI: Pois pra mim, ele existe, sim. Chapolin Colorado não tem preconceitos. Ele ajuda pobres e ricos, negros e brancos, adultos e crianças. É só chamá-lo com as palavras mágicas!
TATI: Palavras mágicas? Como assim, Mimi? Você ‘tá ficando paranoica com celebridades.
MIMI: Não são bem palavras mágicas! Mas é a frase que dizemos e ele sempre aparece.
CENTE: Igual com Jesus: nós oramos, e Jesus nos ajuda sempre se pedimos com todo nosso coração!
MIMI: Ehhhh! As pessoas dizem: E agora, quem poderá me ajudar? (Chapolin aparece pela porta da frente, gritando “Eu” e Mimi grita e sai correndo)
TATI e CENTE: (Deslumbrados) O Chapolin Colorado!
CHAPOLIN: Não contavam com minha astúcia! (Ele bate de cara na coluna)
TATI: Você está bem, Chapolin Colorado?
CHAPOLIN: Claro que sim, meus movimentos são friamente calculados!
CENTE: É você mesmo, Chapolin Colorado?
CHAPOLIN: Claro que sim! Não esta vendo: em carne, osso e anteninhas!
CENTE: É porque na TV você parecia tão feio... mas eu não imagina que fosse tanto!
CHAPOLIN: Se aproveitam da minha nobreza! Afinal de contas, por que me chamaram? Creio que não foi para ficar me admirando. Sim, porque eu sou um herói muito ocupado que tenho muitos lugares pra visitar, pessoas pra defender e mulheres pra paquerar... digo...
TATI: Sabe o que é, Chapolin (Chora) Andam sumindo coisas na vila e um amigo nosso foi acusado de ladrão, de ter sumido com tudo.
CHAPOLIN: (Fala para o público) Não há nada pior do que acusar, condenar pessoas sem saber a verdade dos fatos. O preconceito é um mal terrível (Ele fala para as crianças) Mas, em que eu posso ajudar? (Flor de Liz aparece)
FLOR DE LIZ: Em nada! Eu já estou investigando quem é o autor do crime. (Ela olha para ele) Não há o que fazer aqui...
CHAPOLIN: Quem é esta mulher? (Pergunta às crianças)
CENTE: (Com desdém) Hum! Ela contribuiu para que todos nós acusássemos o Chaves, nosso amigo.
CHAPOLIN: Amigo! E mesmo assim, não acreditaram nele?
TATI: Ele nem teve tempo de se defender, Chapolin! Todos o acusamos e, então, ele desapareceu. (Chora) Temos de encontrá-lo.
CHAPOLIN: Ah, então, vocês querem que eu encontre esse menino chamado Chaves e descubra quem anda sumindo com os objetos. (Olha para o público) Suspeitei desde o principio...
FLOR DE LIZ: (Debochada) Ah, claro! Acredito! Eu vou descobrir tudo isso com meus dotes e saber quem é o ladrão.
SEU RAMÓN: (Ele entra) Se tivesse dotes realmente saberia que não deve descartar todas as hipóteses.
FLOR DE LIZ: Eu não estou descartando todas as hipóteses.
Seu Ramón: Então, porque só fala em roubo. (Dá uma pausa tensa) Não pode ser bruxaria ou qualquer coisa do tipo. (Todos se entreolham) Pior, ainda! Não pode ser traquinagem destas crianças!
CHAPOLIN: Meu senhor. Bruxaria é só pra quem crer, quem tem mente fraca. Quem te falta de Deus no coração. E tenho certeza que ninguém aqui acredita nisso, pois tem Deus no coração, até mesmo as crianças. (Olha para o publico e para os meninos) Não é verdade? E não pode ser traqui... como disse?
CENTE: Traquinagem, Chapolin! Ele diz que nós que criamos tudo isso. Ele odeia as crianças. Vive batendo na gente.
CHAPOLIN: (Indignado) Aaaahhhh... Quer dizer que além de tudo, ainda bate em crianças! Que coisa feia...
SEU RAMÓN: (Olha para Flor de Liz) Escuta! Quem é o feioso fantasiado? (Chapolin olha contrariado)
MIMI: (Entra gritando esbaforida) É o maior de todos! O maior dos heróis: o Chapolin Colorado (O Chapolin fica imponente, mas com cara de bobo)
Seu Ramon: Basta! Basta disso! Quer dizer que você é o famoso, vermelhinho? (Olha Chapolin e dá o sinal de ok)
CHAPOLIN: (Olha também e desdenha) Você também está muito bem nesta máscara de rato, mas podia ser mais bonitinho, hein... (As crianças riem)
SEU RAMÓN: (Desdenhoso) Ora essa! Por isso merecem apanhar, está vendo? (Grita) Cadê o Batman?
CHAPOLIN: Ora o fato de ser feio e ser maltratado pelos outros não lhe dá o direito de transferir sua violência para as crianças. (Olha para o público) Aliás, pais e responsáveis, em geral, que fazem isso de transferir seus traumas e amarguras nas crianças, maltratando-as física e verbalmente só fazem com que o futuro de todos seja pior. Busquem o equilíbrio, a limpeza da alma, do coração... através de Deus, que cuida de todos nós.
MIMI: (Grita) Ahhh... Vê como ele é um máximo! O Chapolin é tão modesto que está dando a chance ao inimigo de mostrar-se com um pouco de inteligência.... Eu te adoro!
CHAPOLIN: (Carinhoso) Também não é assim, menina! Eu sou apenas um agente de Deus aqui na terra pra fazer o bem. Sou apenas um homem. Agora, o próprio Deus veio na pessoa de Jesus Cristo para nos mostrar como mudar e limpar nosso coração. Ele, sim, merece ser adorado. (Para o público) Não se esqueçam: se eu faltar quando precisarem de mim, podem chamar por Ele que Ele nunca falha!
CENTE: O Chaves ia gostar muito de te ver, Chapolin. Ele pensa assim também. (Fala sorrindo)
TATI: Então, Chapolin! O que vai fazer pra descobrir quem está roubando as coisas e onde o Chaves se encontra?
CHAPOLIN: Qual foi a última coisa que sumiu?
FLOR DE LIZ: O violão de Seu Ratón (Seu Ramón pigarreia) Quero dizer, do Seu Ramón! Eu estou com todas as informações precisas, portanto não preciso de você. Faço tudo sozinha...
CHAPOLIN: Minha querida, já diz o velho e conhecido ditado: “É melhor dois do que um por que cedo madrugam”. Quer dizer: “O cordão de três dobras, por que se dois arrebentar...” ou “Se dois estiverem no campo e um cair o outro vai junto”... Bem, a ideia é essa.
SEU RAMÓN: (Grita) Super-homem ! Aquaman! Thor! Capitão América!...
FLOR DE LIZ: Você deve estar querendo dizer: “É melhor dois do que um, por que se um cair o outro o levanta.” Não será isso, Chapolin?
CHAPOLIN: (Admirado, olhando para o público) Exato! Então se conhece o ditado e reconhece que é bom, por que não pratica? Por que o homem tem necessidade de complicar o que é simples. Se sabe que é o melhor caminho, segue por esse caminho. (Olha para ela) Vamos fazer juntos!
TATI e CENTE: É isso aí! E nós podemos ajudar também, Chapolin!
CHAPOLIN: Sim! Todos podem ajudar a fazer o bem. Isso mostra que Deus está conosco em todo momento! Através de mim, e de todos que querem ajudar a fazer o mundo de amor e paz. Ele está dentro das pessoas boas. Que fazem o bem e fogem do mal!
MIMI: Você pra mim é o único, Vermelhinho! O único homem que adoro... Quero viver pra você.
CHAPOLIN: Pois se engana... Pois eu, nada posso te dar! Sou apenas, como disse, um homem! Ele é o maior! Deus me escolheu pra ajudar pessoas e vivo para isso. Dizem que sou um herói, mas Jesus é o Herói dos heróis (Cente e Tati vibram)
FLOR DE LIZ: Ah, esse daí só sabe discursar e não age!
SEU RAMÓN: Chamem o Bem 10! A Liga da Justiça!
MIMI: Ora, não fale assim dele, sua recalcada! (Avança em Flor de Liz e as duas começam a brigar)
TATI: Faça alguma coisa, Chapolin! Elas podem se machucar!
CHAPOLIN: (Para o público) Vê o que uma adoração indevida pode fazer. Ser fanático, religioso, não vale a pena. Adorar a Deus é ter paz com os homens, viver em harmonia. (Enquanto ele fala, Zé Vareta entra e rouba mais um objeto, mas ninguém vê) Pare, senhoritas (Leva um safanão e cai)
SEU RAMÓN: (Irritado, puxa Mimi) Ei, ei, ei,ei... Isso daqui não é favela... Chega, menina! Anda, vamos!
CHAPOLIN: Muito bem! Vamos trabalhar! Sigam-me os bons! (Ele sai com Flor de Liz e Mimi e Seu Ramón saem com eles)
CENTE: O que nós podemos fazer, hein, Tati?
TATI: Vamos listar o que sumiu e de quem eram os objetos. (Zé Vareta entra com o objeto que ele roubou a última vez)
CENTE: Mas a Flor de Liz já não disse que você fez isso?
TATI: E você acredita, Cente? (Olha para Zé Vareta) Olha, o vizinho novo! Vamos falar com ele.
CENTE: Senhor, você não sabe que não deve ficar andando com objetos assim na vila, pois estão sumindo coisas por aqui.
ZÉ VARETA: (Sempre assustado) Oi? Ah, sim! Não, mas isso não tem valor. Ninguém vai querer roubar...(Dá uma risada nervosa e sai)
TATI: (Desconfiada) Ele é muito estranho, né? Sempre muito assustado e nervoso.
CENTE: É! Bem estranho não ficar preocupado. (Dá um pulo) Ei, duas coisas novas ocorreram na vila: o sumiço dos objetos e a chegada deste homem que a gente chama de Zé Vareta.
TATI: Huumm... Será que tem relação, Cente? E a Flor de Liz nem pensou nisso! Vamos falar com o Chapolin.
CENTE: Mas, Tati! Assim nós estamos desconfiando do Zé Vareta?
TATI: (Intrigada) Nós não estamos acusando, mas é um suspeito. Fiquei muito intrigada. Tive uma ideia.
CENTE: O que tem o trigo com isso?
TATI: Ai, larga de ser burro e preste atenção! (Ela fala no ouvido dele e deixa a revista) Vamos! (Eles saem de cena)
Zé Vareta entra agachado e procura o que possa levar. Vê a revista e pega. Todos entram
TATI: Onde pensa que vai com a minha revista? (Zé Vareta paralisa)
FLOR DE LIZ: Você está preso me nome da lei! (Fala para o público) Eu sempre sonhei em falar isso. Vou desmaiar... Finalmente desvendei um caso (Começa a ficar tonta)
MIMI: (Segura Flor de Liz) Que desvendou o quê! Mais uma vez foi graças ao Chapolin que o caso foi resolvido (Avança em Flor de Liz e as duas saem de cena brigando)
SEU RAMÓN: Que Chapolin, o quê?! Foram as crianças que tiveram uma ótima ideia. Ele nem aqui está, aquele palerma. (Mimi entra e avança em Seu Ramón)
MIMI: (Puxa-o para fora pela orelha) Você não sabe o que fala, seu rato humano! Ele foi entrar em contato com a polícia, pois sabia que o plano daria certo.
SEU RAMÓN: (Irritado, grita enquanto sai) Batman! Hulk! Thor! Bem 10! Super Choque! Pantera cor-de-rosa! Qualquer um... Socorro! (Zé Vareta foge pelo outro lado)
CENTE: Olha ele está fugindo, Tati!
TATI: Deixa! A vila já está cercada. O Chapolin está lá fora com a polícia. Tenho certeza!
CENTE: Você vai deixar que os outros pensem que o Chapolin resolveu tudo. Foi você que teve a ideia!
TATI: Cente, foi como o Chapolin falou. (Olha para o público) Todos nós fizemos juntos. E, além disso, não podemos negar que foi graças a ele ou (Mostra a revista) a revista dele. (Ela sorri)
CENTE: É, mas nem tudo se resolveu... (Ele olha para o público) O Chaves está sumido até agora!
TATI: Se nós estamos tão felizes por ter conhecido o Chapolin, imagina como ele ficaria também. (Os dois abaixam a cabeça)
CHAVES: (Aparece espantado) Por que estão tão tristes?
TATI e CENTE: (Alegres e espantados) Chaves! (Eles se abraçam e pulam)
TATI: É você mesmo, Chavinho? Porque você sumiu?
CENTE: Nos perdoe por acusar você e nem dar direito de resposta. Onde você estava este tempo todo?
CHAVES: Eh, eu fui embora! Porque já que todo mundo achava que eu era ladrão, né...
TATI: Mas, Chavinho (Acaricia o rosto dele) Você sabia que não era um ladrão...
CHAVES: Ué, mas se todo mundo dizia, pelo menos eu era por maioria de votos (Tati e Cente se olham) Então, eu fui pra igreja perguntar a Deus por que eu era um ladrão se eu não havia roubado nada. Lá, eu ouvi que não havia condenação para quem tinha a consciência limpa. E eu sabia que tinha a consciência limpa.
CENTE: Você tem a consciência limpa? (Espantado) Pelo menos isso você tem limpo, né.
CHAVES: (Irritado) É, mas nesse momento já ‘tá querendo se sujar por pensar em bater em você.
TATI: Deixa o Chaves contar e fica quieto!
CHAVES: Foi, então que eu percebi que tinha de voltar de cabeça erguida para cá, mostrando que não tinha de aceitar o que as pessoas pensavam de mim, pois Deus nos fez do jeito diferente do que falavam.
TATI: Mas você demorou... E não sabe o que aconteceu?
CHAVES: Sei que tudo já se resolveu!
TATI e CENTE: Como você sabe? (Falam assustados)
CHAVES: Antes de vir, pedir a Deus que tocasse no coração do ladrão pra se arrepender ou então mostrasse a justiça pra ele. Assim, ele não roubaria mais. (Zé Vareta aparece com Flor de Liz) E pedi a Deus pra limpar meu coração, para eu não ficar com raiva de ninguém que me acusou. Por isso, sei que deu tudo certo, pois eu estou bem.
ZÉ VARETA: (De cabeça baixa e preso por Flor de Liz) Você é um menino muito bom, Chavinho! Você tinha razão; eu insisti em querer roubar mesmo sabendo que estava errado. Estava o tempo todo nervoso, mas continuei. Agora, preso. Vou tentar mudar de vida. (Olha pra Flor de Liz) Entrega a ele, por favor!
FLOR DE LIZ: (Tira de uma bolsa uma pacote de doces) Ele está te dando em forma de gratidão e pra provar que ele quer mudar de vida, Chaves. (Olha para Zé Vareta) Agora, vamos! Já fez sua boa ação! (Os dois saem)
CENTE: Nossa, Chaves! Vale a pena fazer o bem e ter o coração puro e a consciência limpa, hein?! Só temos a ganhar.
TATI: Temos? Foi ele quem ganhou, Cente! Tira o olho.
Chaves abre o pacote e divide os doces com os dois e com crianças do público.
TATI e CENTE: Viva o bem! Viva Jesus (Comemoram e aplaudem)
CENTE: (Pensativo) Falando em bem. Eu pensei em uma coisa.
TATI: (Intrigada) O quê?
CENTE: Chaves e Chapolin fazem o bem e são muito parecidos.
TATI: É mesmo! E quando um desaparece o outro aparece.
TATI e CENTE: (Olham para o público) Por que será, hein?! (Os dois levantam os ombros e saem pulando felizes)
 

 

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