ONDE ESTÁ A IGREJA DO SENHOR?

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DETETIVE SEGUE O RASTRO DA IGREJA
“E como ouvirão, se não há quem pregue?” (Rm. 10.14)

Uma dramatização que tenta mostrar, com dados atuais, a situação de um mundo sem Deus, exibindo desde Oriente Médio, passando pela Europa e outras partes do mundo até chegar ao Brasil e a uma realidade da qual estamos muito próximos. Muitas vezes não percebemos que as pessoas têm sede de Deus, mas quem é esse que não precisaria de Deus? Diante de um mundo sem esperanças, parece haver um clamor do próprio mundo: Onde está a Igreja do Senhor?

O que temos feito para que as pessoas conheçam Jesus?
Lívia Arruda de Melo (liviaamelo@yahoo.com.br), Igreja Evangélica Assembleia de Deus - Campo do Calhau - São Luís, Maranhão. 2007.

A dramatização que segue foi algo escrito por nós para ser apresentado num culto de missões em nossa igreja. Nossa ideia foi fazer um relato sobre a atual situação mundial, baseada em dados seguros, como se pode ver pelas fontes utilizadas, para tentar alertar a igreja sobre a importância deste tema atualmente, afinal essa foi a ordem que Jesus nos deixou, o IDE.

Algumas observações são importantes para que sua apresentação seja a melhor possível;

É um texto longo e pode tornar-se cansativo, portanto, é importante que o narrador esteja conhecendo bem o texto e que tenha bem treinada sua entonação, para prender a atenção do público;

Os atores devem tentar ao máximo se caracterizar de acordo com a sua personagem e passar o máximo de emoção;

Como a peça ficou um pouco extensa, não colocamos outras regiões, que podem ser acrescidas. Por exemplo, pode-se abordar o contexto de uma família da China centro ocidental ou centro-norte, onde o comunismo é mais duro; ou como é o evangelho na Coreia do Norte; ou podem ser melhor abordadas algumas áreas do próprio Brasil (como estão as comunidades ribeirinhas amazônicas?). Algumas pesquisas sobre o assunto, ajudam.

Na nossa igreja, não temos uma estrutura ideal para teatro, mesmo assim, para a glória de Deus, a peça foi bem edificante. Acredito que dá pra fazer algo maravilhoso com uma estrutura melhor.

Após o texto, coloquei alguns sites onde podem ser encontrados dados mais atuais sobre alguns temas abordados na peça. Alguns deles, infelizmente não estão em português, mas a peça foi apresentada em outubro de 2007, com os dados mais atuais que achamos na época. Indico também um livro muito interessante e que me despertou para essa temática de missões.

Espero ter colaborado de alguma forma para o obra!

Personagens:

Mãe etíope, com um bebê no colo;

Garoto de 13-14 anos, angolano;

Dois muçulmanos e um soldado americano;

Mulher de 30 anos, aproximadamente, vestindo vermelho. Pode estar com uma vassoura na mão, ou algo que lembre afazeres domésticos;

Homem norueguês jovem, bem vestido; detetive e a foto de uma mulher;

Duas garotas entre 13 e 16 anos, malvestidas (espalhafatosamente) e muito maquiadas;

Moça de 18 anos, bem vestida (pode ser no estilo “patricinha”), com a chave do carro na mão e alguns cadernos em outra.

 

 

01º ato:

Mãe etíope com seu bebê no braço. Ela está vestida em trapos, suja e assanhada e o bebê enrolado num pano. Ela tenta amamentar o bebê, mas este não esboça reação.

- Come meu filho. Você precisa se alimentar.

O bebê não responde. Ela começa a ficar mais desesperada:

- Coma, por favor, aproveite que eu ainda tenho um pouco de leite. Pega!!

Começa a sacudir a criança:

- Aguenta! Resista!! Não morre, não!! Nããããooo!!

A criança morre em seus braços. A mãe dá um grito de horror e desespero.

Fecham-se as cortinas.

NARRADOR: Cerca de 100 mil pessoas morrem de fome todos os dias, apesar de o mundo ter capacidade de produzir alimento para 12 bilhões de seres humanos, o dobro de sua população. A cada sete segundos uma criança menor de 10 anos morre por problemas ligados à desnutrição, e a cada 4 minutos uma criança fica cega por falta de vitamina A. A África tem 36% da população subnutrida, 186 milhões de africanos sofrem de fome grave. Na Etiópia, 47% das crianças são malnutridas.

São números e números. Já se tem uma ideia aproximada da realidade da fome no mundo, entretanto embora tenham aumentado os esforços mundiais para sanar esse mal, eles têm sido pouco efetivos. Por quê? O problema da fome não pode ser resolvido com ações sociais pontuais, mas com um serviço social, uma mudança profunda, estrutural, isso leva muito tempo. Além disso, o mundo não tem em mente que a fome que assola a terra não é simplesmente de pão (aquele que quem come volta a ter fome). O mundo precisa de Deus, tem fome e sede de Deus, e somente Deus pode saciá-las. Não podemos ficar de braços cruzados enquanto seres humanos passam fome; não podemos ficar tranquilos, se enquanto estamos em nossos colchões confortáveis, há pessoas (mesmo crianças) que não têm onde se proteger do frio noturno; a igreja não deve permanecer inerte. Lembremo-nos que a nossa fé se afirma com as obras. A igreja tem uma função social. Não deixemos que as pessoas morram sem conhecer Jesus. Oremos por isso!

 

2º Ato:

Garoto recrutado para guerrilha. Um garoto de 10 a 13 anos, vestindo roupa camuflada, com uma arma (ou mais). Apresenta-se a todos falando sobre sua vida.

- Meu nome é Manuel, tenho 14 anos e sou um soldado da União Nacional pela Independência Total de Angola (UNITA). Quando comecei, eu tinha doze anos. No início, me ocuparam no transporte de armas, suprimentos e outros materiais. Mais tarde, me mostraram como combater. Aprendemos a atirar com os fuzis AK-47 e outras armas. Eu sou o mais jovem de uma tropa com cerca de setenta crianças e adultos. Estávamos na linha da frente e eu fiquei doente, tive surtos de malária e às vezes não tinha o que comer. Mas eu sei que eu sou forte, tenho que aguentar. Na verdade, só fiquei na tropa porque foi aí que me colocaram depois de me capturarem. Não fui eu que tomei esta decisão. Mas eu sei que sou importante para o meu país, foi o que me disseram. Este governo que “tá” aí, num “tá” certo e nós temos que derrubá-lo. Já matei e já vi pessoas morrerem na minha frente. Já vi pessoas perderem os braços. Eu tenho só 14 anos, mas o que meus olhos já viram e que ta guardado aqui na minha mente, tem muita gente que vai viver a vida toda e nunca vai ver e eu espero que não vejam mesmo.

Fecham-se as cortinas.

NARRADOR: A guerra civil na Angola teve fim em 2002, com um acordo de paz. Mais de 11.000 crianças estiveram envolvidas nos últimos anos dos combates. Mais de dois milhões de crianças morreram em conflitos armados na última década; seis milhões ficaram feridos ou mutilados e um milhão ficou órfão. 500 mil crianças foram obrigadas a tornarem-se soldadas ou escravas sexuais, e menores de idade de 87 países vivem com 60 milhões de minas terrestres que ferem, a cada ano, 10 mil crianças. Há ainda em nível mundial, a existência de 300 mil crianças-soldado lutando em cerca de 30 conflitos. As crianças são forçadas a combater e treinadas a usar explosivos, armas e expostas a todos os tipos de violência, trabalhos forçados e torturas. Algumas são forçadas a matar membros de suas famílias e amigos, decaptam, amputam, queimam civis vivos, cometem canibalismo com cadáveres de inimigos. Para ficarem insensibilizadas ao cometer tais crimes, frequentemente são drogadas. Na América Latina, o quadro não é tão melhor, na Colômbia há cerca de 14 mil meninos-soldado, a maioria proveniente de famílias desmembradas ou marginalizadas, não possui instrução e se alista voluntariamente, diante da falta de oportunidades em seus ambientes; outros são recrutados a força. Outro capítulo que envolve menores é o narcotráfico, como o caso do Rio de janeiro, onde de 1987 a 2000 morreram vítimas de armas quase 4 mil menores de 18 anos. Embora estas crianças não possam ser enquadradas como “meninos-soldado”, o número de mortos foi maior do que o registrado em conflitos armados na Colômbia, Serra Leoa, Iugoslávia, Afeganistão, Uganda, Israel e Palestina. Muitas das mortes destes meninos e adolescentes ocorreram também por execuções realizadas pelos próprios traficantes, para eliminá-los quando não são mais úteis, e enterrá-los em cemitérios clandestinos. Estes jovens de ambos os sexos, perderam sua infância ao transformarem-se em soldados, seja de conflitos tradicionais, como na Angola e na Colômbia, seja da guerra do narcotráfico, da exploração sexual e outros. Além disso, as crianças-soldado foram privadas de oportunidades educacionais, vocacionais e de desenvolvimento.

Diante disso, nos perguntamos: Onde está a Igreja do Senhor? Não devemos nos omitir se sabemos que “não é a vontade do Pai celeste que pereça um só desses pequeninos” (Mt. 18.14). A igreja não se deve deixar insensibilizar, se tais fatos já se tornaram corriqueiros, nem se sentir impotente diante de tal situação. Lembremos que o Deus em que cremos é forte e poderoso e, se só podemos fazer o mínimo, que é orar, façamos, pois sabemos que “seus ouvidos estão abertos ao nosso clamor” (Sl. 34.15). O que não podemos é fechar nossos e olhos e desprezar qualquer um desses pequeninos, mas, como diz a palavra de Deus, devemos ensinar a criança no caminho em que deve andar e, quando grande, não se desviará dele. Crianças formadas segundo a palavra de Deus serão adultos abençoados e abençoadores.

 

3º Ato:

Muçulmanos matando inimigo (soldado americano). O soldado americano está ajoelhado e com as mãos atadas. O muçulmano o chuta e estapeia:

- Ah, seu incrédulo. E agora, quem é mais forte? Hein? Pensou que só porque seu país é rico, vocês podiam invadir o meu país e mudar a nossa rotina? Não!! Antes de vocês, nós estávamos bem, equilibrados, tínhamos um guia. Íamos conquistar o mundo, ganhá-lo para Alá. Quem não quisesse isso, que morresse. Nossas tradições eram cumpridas, conforme a vontade de Alá, não havia a imoralidade que há no Ocidente e que vocês querem implantar aqui. Mas nós não vamos deixar! Não vamos permitir! Não importa se eu morrer lutando por essa causa, sei que serei recompensado. Ah, Alá, quando penso no paraíso...tudo isso aqui vale a pena. E você, sei que farei bem em eliminá-lo, não vai fazer falta.

Mata o homem (com uma espada, ou com uma outra arma).

NARRADOR: O islamismo foi fundado no ano de 622, na região da Arábia, atual Arábia Saudita. Seu fundador, o profeta Maomé, reuniu a base da fé islâmica num conjunto de versos conhecido como Corão - segundo ele, as escrituras foram reveladas a ele por Deus por intermédio do Anjo Gabriel. Uma pessoa se torna muçulmana quando proferir, em árabe e diante de uma testemunha, que "não há divindade além de Deus, e Mohammad é o Mensageiro de Deus". Os ensinamentos contidos no Alcorão têm força de lei. O Afeganistão da época da milícia Talibã teve a mais dura e radical aplicação da sharia (a lei religiosa do islamismo) nos tempos modernos - proibia música e outras expressões culturais e esportivas, restringia gravemente todos os direitos das mulheres e ordenava punições bárbaras. Em resposta aos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001 nas Torres Gêmeas (World Trade Center) em Nova York, e no Pentágono, supostamente ordenados por Osama bin Laden, líder da Al Qaeda, reconhecido como herói pelos Talibãs, no dia 7 de Outubro de 2001, os Estados Unidos e forças aliadas lançaram uma campanha militar, como parte de sua política antiterrorismo, caçando e prendendo suspeitos de atividades terroristas no Afeganistão e mandando-os para a base de Guantánamo, em Cuba. Desde então, notícias sobre atentados terroristas tornaram-se cada vez mais frequentes. Sejam eles a civis, ou militares, na Espanha, ou no Iraque. Todos os dias, várias pessoas são vítimas de uma guerra entre o “bem’ e o “mal”. Embora a religião não seja a única causa para estes conflitos, ela não pode ser descartada como tal. Mas está havendo uma confusão. Deus é um Deus de paz e não de guerra, como diz em sua palavra: “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito; pensamentos de paz e não de mal”( Jr. 29.11). Jesus é o príncipe da paz e é como sendo tal que deve ser pregado. Como príncipe da paz, apenas Ele pode trazer paz ao mundo, mas o mundo deve querer isso, pois Jesus só entra em nosso coração se dermos entrada. Mas como pode o mundo dar entrada a Jesus, se não o conhece? Esta é a função da igreja. Tornar Jesus conhecido e, assim, trazer a paz ao mundo.

 

4º Ato:

Uma mulher idólatra e supersticiosa, que tem sede de Deus, mas o busca onde não pode encontrá-lo.

- Meu nome é Antônia, tenho 30 anos, sou cristã desde que me entendo por gente. E tenho orgulho de ser cristã. Meu carro até tem aquele adesivo da virgem Maria envolta num terço. Grande símbolo do Cristianismo. Eu sou muito religiosa. Não leio muito a Bíblia, mas todo domingo de manhã cedo, eu estou na igreja. E toda noite rezo meus terços e, se faço algum pecado, me confesso, pago uma penitência e pronto. Toda vez que eu peco é assim, acho isso ótimo. Além disso, tenho um santo de devoção pra resolver todas as minhas causas urgentes e impossíveis. Toda vez que eu tenho um problema, rogo a ele, pra ele e a virgemzinha intercederem por mim. Faço promessa, mas eu sempre pago.

Eu sou cristã, mas não sou arrogante, prepotente, intolerante, não. Eu aceito as outras religiões, até acho interessante. Uma vizinha minha que é espírita me disse que eles acreditam em Jesus. Sinceramente, acho aquelas coisas do espiritismo bem interessantes. Na verdade, eu entendo que a Bíblia é um livro sagrado, mas escrito por homens, acho que a Bíblia é uma ideologia mesmo. Então, pode ter falhas. Pra mim está bem claro que pode haver reencarnação, inclusive eu acho que aquelas novelas abordam muito bem esse assunto. Outra coisa, que não dá pra negar são aquelas mensagens psicografadas. Fiquei toda arrepiada quando minha amiga me disse que o filho dela que morreu deixou uma mensagem pra ela, com a letra dele e disse que reencarnaria como um cachorro. O cachorro que eles compraram agora é tratado como gente.

Eu sou muito assim, acredito em muita coisa. Tô até meio preocupada porque eu vi um gato preto hoje de manhã, acho que é um mau presságio, logo eu que mal me recuperei da última vez que eu quebrei um espelho, ainda tenho cinco anos de azar pra pagar. Será que vai acontecer alguma coisa de ruim? Estou realmente aflita e o pior, é que eu sem querer hoje li meu horóscopo, mas foi no jornal da semana passada (ai que lerda!). Dizem que isso dá má sorte, e o pior, é que eu cumpri direitinho o que dizia lá, “sua cor de hoje é vermelho”, droga, mas esse hoje foi há uma semana. Pelo menos, não deve ser na área financeira essa má sorte, porque na minha casa tem um Buda de costas, ou seja, problema financeiro, nem pensar, sou precavida!! E por aí vai, eu tenho uma vassoura atrás da porta, sal grosso, fitinha do Senhor do Bonfim, uma infinidade de proteção pra mim e pra minha família!

NARRADOR: O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus (criador). Desde o primeiro pecado, quando Deus e homem se afastaram, este passou a ter necessidade de buscar Deus. O homem o busca embora, muitas vezes, não perceba. Sempre tentamos desvendar os mistérios da vida, do universo e buscamos as mais variadas explicações para isso. Os gregos se fundamentavam na mitologia para explicar os fenômenos naturais; os maias acreditavam que uma energia biocósmica atravessava as pessoas, os animais, as plantas e os seres inanimados, imprimindo neles a sua razão de ser; no Egito antigo, cria-se que NU, o pai dos deuses, criara o mundo e os demais deuses, inclusive Rá, o deus sol... Se buscarmos informações, veremos quantas formas de se buscar Deus o homem criou e continua criando.

Crer em algo, ter uma verdade para a vida, mesmo que seja ela que há um deus que criou a primeira molécula e o ambiente inóspito onde ela se desenvolveu resultando em toda forma de vida que já houve, é uma necessidade do ser humano. Entretanto, junto com sua busca por um deus que explicasse os mistérios do mundo, veio o costume de se dar forma aos deuses em que se cria. Venerá-los tornou-se quase uma obrigação, diante das consequências adversas que, cria-se, esse não reconhecimento poderia acarretar. Por isso, os maias, faziam sacrifício humano aos deuses; a arte egípcia retrata o deus Osíris; cada povo pagão da Antiguidade tinha para si um deus. A representação visual de deus parecia tão necessária que até o povo de Israel, apesar das muitas provas que o Deus verdadeiro o havia dado de seu poder, construiu um bezerro de ouro para adorar, um deus que pudessem ver. Entretanto, como está escrito em Êxodo, isso desagradou ao Senhor, que já havia deixado como mandamento que não se fizesse imagem de escultura.

A Índia, cuja grande parte da população é hinduísta, possui um dos maiores rebanhos bovinos do mundo, pelo fato de a vaca ocupar um lugar de honra, devendo ser protegida como mãe por fornecer leite, força no campo e outras formas de sustento àquela sociedade. Enquanto sobram cabeças de gado, cerca de 50% da população adulta deste país está subnutrida.

O termo religião, do latim religare, pode ser traduzido como religar. Uma forma de religar o homem a Deus, de quem foi separado no princípio. Na tentativa de se religar a Deus, o homem criou várias religiões, muitas delas, entretanto distorcendo a forma de se encontrar Deus. Como está escrito na Bíblia, Jesus é “o caminho, a verdade e a vida” e ninguém vai ao pai, a não ser por ele. Não adianta tentar usar atalhos. Quando Jesus morreu por nós na cruz, a Bíblia relata, o véu do templo se rasgou de alto a baixo. O véu que era uma barreira para se adentrar no santo dos santos e impunha a necessidade de um sacerdote que representasse a todos perante Deus, esse véu havia se rompido. A partir daquele momento, nós podemos tratar diretamente com Deus e seu filho, sem necessidade de intercessores. Isso é maravilhoso! Somos felizes por podermos servir a esse Deus, um Deus presente e acessível, por que então não apresentá-lo ao mundo para que possa também conhecê-lo e partilhar conosco dessa alegria?

 

5º Ato:

Rico empresário europeu ateu. Está em crise, porque descobriu, por um detetive, que a esposa arranjou um amante e não o quer mais. Está na sua mesa com uma foto dela nas mãos.

DETETIVE:   Sr. Guytes, eu investiguei como o senhor me pediu. Aqui estão todas as fotos. Nesta pasta, estão fitas gravadas com escutas telefônicas. Várias conversas que podem comprovar sua desconfiança. Realmente, o senhor estava certo. Ela o está traindo. Enquanto o senhor vem trabalhar e não tem tempo pra nada, ela sempre arranja um tempo no seu dia para encontrar com o outro... É isso.

-Obrigado.

O detetive sai. Guytes fica pensando.

-Mas como pode ser? Eu sou tão rico, sempre dei todo o que ela me pediu, sempre fiz tudo por ela.

(silêncio)

Minha vida nos últimos meses tem sido um suplício. Tudo por causa dela, desde que comecei a desconfiar que ela me traia. Não conseguia mais me concentrar no trabalho, fiquei doentio, tudo pra mim passou a ser motivo de tristeza e de tudo e todos eu passei a desconfiar. (dá uma tragada no cigarro) A única coisa que me consola, que me faz esquecer um pouco é isso aqui. Tem algum tempo também que eu comecei a usar. E tem sido de grande utilidade pra mim.

Eu vou contar um pouco sobre a minha vida pra vocês. Eu sou norueguês e sempre fui muito rico,sempre tive tudo o que quis, bastava querer. Sempre estudei nos melhores colégios, sempre fui muito crítico e inteligente. Leio muito e tenho uma opinião formada sobre tudo. Tem gente que não gosta de discutir sobre religião,por exemplo, eu adoro. Só pra colocar aqueles fanáticos no chão. Como é que pode hoje em dia ainda haver alguém que acredite num livro escrito por homens e que conta um monte de baboseira como aquela história de que um deus criou o mundo e tudo o mais? Um homem engolido por um peixe não morreu...essas coisas sempre me fizeram rir...eu gosto mesmo é de informação, adoro os documentários anticristãos que passam na TV, é tudo com base em achados históricos, livros antigos que dizem que a Bíblia é uma farsa. As coisas pra mim são bem simples, se eu não vejo é porque não existe. Tudo pra mim é aqui e agora.

Com 20 anos passei a controlar uma parte das empresas do grupo do meu pai. Sempre vivi muito bem. Com 22 conheci Lucy e casamos. Eu a amava... mas tudo o que eu fazia era trabalhar, sempre tive muito e sempre quis ter mais e mais.. sou muito competitivo. Agora estou aqui e ela lá com o outro... eu aqui com a minha amiga fiel, a cocaína. Ela não me abandona desde que começou essa história toda. Está sempre comigo. Ahhhh, Lucy!!! (várias inspiradas de cocaína e cai no chão morto).

 

NARRADOR: A Europa, conhecida como velho mundo, é um continente antigo no que diz respeito à habitação humana e aos achados dessa civilização. Com tantos anos de história, diz-se que a Europa, de certa forma, descobriu os demais continentes, as civilizações ali existentes, passando a explorar suas riquezas e seus povos. Grande parte das riquezas de seus países vem desse período de colonização, que ainda hoje se processa, embora maquiado pelo capitalismo. Foi pioneira na industrialização e berço do capitalismo. Durante muito tempo, foi o centro das artes, ciência e de toda a cultura mundial daquela época. Embora não lidere alguns desses mercados, ainda exerce grande influência sobre eles. Dos oito países mais ricos do mundo, cinco estão na Europa. O continente tem uma economia forte e altos índices de desenvolvimento humano em seus países. Talvez seja tanto sucesso a razão para a Europa estar se afastando a cada dia de Deus, para tantas pessoas duvidarem de Deus. Talvez por se acharem tão auto-suficientes, acham também que não precisam de Deus. E talvez seja esse distanciamento de Deus o motivo que leva a Europa a ter se formado uma sociedade tão fria e endurecida, para se registrarem tantos viciados em drogas, tantos suicídios e para se alastrar a depressão entre as pessoas. A competitividade que é imposta pelo mercado leva as pessoas a se distanciarem umas das outras a manterem relações superficiais, a não terem tempo para si, para a família e amigos e para Deus. As igrejas européias sofrem com o esvaziamento. Oremos por essas pessoas, porque embora pensem o contrário, elas precisam muito de Deus.

 

 

6º Ato:

Entram duas meninas no palco.

Meninas maranhenses usadas no tráfico de mulheres. (Pode ser adaptado para cada estado, do Brasil, entretanto o Maranhão serviu como exemplo já que há uma séria batalha travada aqui, pela alta prevalência do tráfico sexual, especialmente em beiras de estrada).

-Oi, meu nome é Joana, eu tenho 14 ano e sou do interior do Maranhão. Minha família tem 7 filho e é muito pobre. A gente trabalhava na roça, mas ainda assim não era suficiente pra botar comida nas nossa boca... aí meu pai teve uma idéia pra ganhar dinheiro. Ele vendeu eu e minha irmã pruns caminhoneiro que fez uma proposta em nóis. Ele se agradou de nóis, achou nóis bunitinha.( triste) Eu num queria, mas tive que ir, era pela sobrevivência da minha família. Separam eu e a minha irmã.O cara num era muito legal, não. Ele quis me forçar a fazer umas coisa que eu não queria. Eu só quero voltar pra casa. Mas acho que o meu pai não gosta de mim, é o que o homi me disse e ele disse também que ele num gosta de mim, que vai me vender. Até já me negociou com a dona de um bordel ali...

ADOLESCENTE: (outra) Já eu fui vendida diretamente pra tia. Ela disse que eu ia pra capital e que ia ganhar muito dinheiro porque eu sou nova e bonita e os homi rico gosta de mulher assim...num sei, mas ainda num consegui gostar muito daqui não. Num tenho amigos de verdade, nem família. Eu já pensei em fugir, mas tenho medo. Eu quero ser alguém na vida. Eu queria estudar, ter uma profissão e não depender da tia mais pra nada, tomar de conta do meu dinheiro. Tenho saudade da minha família, m as num quero voltar pra casa, lembro dos meus irmãos, mas odeio o meu pai, ele me vendeu que nem se eu fosse mercadoria. Me botou nesse mundo. Os homi já olham pra mim com o olho grandão, eu num gosto de sair muito na rua porque e acho que as pessoas ficam só me olhando e comentando, sou diferente delas...eu queria ser igual a todo mundo, normal....

 

NARRADOR: Há tempos tem-se conhecimento de pessoas que optam por tirar seu sustento a partir da exploração sexual de seu corpo.

Essa exploração tornou-se um verdadeiro mercado milionário para aqueles que se aproveitam da fragilidade, desinformação e desespero de algumas pessoas para usá-las como fonte de enriquecimento pessoal.

Mais grave ainda, é o crescimento de um dos ramos desse mercado: a exploração sexual de crianças e adolescentes. É triste saber que há seres humanos que exploram a inocência dessas crianças e adolescentes como forma de ganhar dinheiro e mais triste ainda saber que há uma grande clientela que alimenta esse mercado, procurando satisfazer seus desejos. No Brasil, um levantamento anual feito pela Polícia Rodoviária Federal totalizou este ano 1819 pontos de vulnerabilidade nas rodovias nacionais. O Maranhão responde por 53 desses pontos. São locais como estacionamentos de caminhões, balneários, lojas, paradas de ônibus, lanchonetes, hotéis, borracharias, clubes, postos de caixa eletrônico, povoados, vilarejos, trevos e rotatórias nas estradas, festas frequentes, praças, casas particulares, viadutos ou pontos espalhados ao longo das estradas. É nestes pontos das estradas que acontece grande parte desse comércio. Às vezes são os próprios pais que negociam seus filhos com caminhoneiros que fazem paradas naquela localidade. Outras vezes, as crianças são raptadas e usadas nesse comércio, ou vendidas a cafetões que vão intermediar essas transações, levam-nas a casas de prostituição, a outras cidades e até outros países.

O que pode explicar esse fenômeno? Não há uma causa isolada, mas é certo que a baixa condição financeira em que se encontram as famílias dessas crianças contribui para isso, além da baixa escolaridade, falta de informação e de perspectivas para o futuro. Este último fator pode ser mais evidente em casos em que a própria criança ou adolescente deseja expandir seus horizontes e é iludida por promessas de melhores condições de vida e mais oportunidades, que dificilmente encontraria caso permanecesse em seu local de origem.

São iludidas porque depois de entrar nessa vida, logo percebem que as coisas não são como o conto de fadas que pudesse haver em sua imaginação infantil. Ficam subjugadas a alguém que tem controle sobre suas vidas, fazendo-as depender dessa pessoa para sobreviver, porque não têm controle sobre o dinheiro que ganham com seu “trabalho”. Jovens que apenas queriam uma vida melhor e se vê em presas na teia desse mercado sujo, ficam marginalizadas e têm a vida destruída, dificilmente conseguindo recuperar sua dignidade.

Alguns de vocês devem estar se perguntando: “mas o que tenho a ver com isso? Até crente eu sou. Não participo desse mercado.” Não é bem assim. Somos crentes, sim, graças a Deus e é exatamente por isso que não devemos achar que não temos nada com esse assunto. Como igreja, não podemos nos alienar do que acontece no mundo. Lembremos que estamos aqui com sal e como luz e devemos agir como tais, fazer a diferença e levar ao mundo o amor de Deus. Imagine como está a vida dessas crianças. É nosso dever acompanhá-las, ajudá-las a sair dessa situação e refazer suas vidas, através do poder da palavra de Deus. Além disso, quem melhor que a igreja do Senhor para ir a campo e orientar essas famílias, apresentar Deus a elas? Elas também precisam de Deus, de uma solução divina para suas vidas. Não fujamos do nosso dever.


 

7º Ato:

Menina de classe média, 18 anos, recém ingressa na faculdade.

- Meu nome é Cacau, eu tenho 18 anos, e sou uma pessoa feliz. Entrei na faculdade agora, ganhei um carro e estou namorando há quase dois meses. Eu sou realmente feliz!! No começo, eu não queria fazer esse curso, era minha mãe que queria que eu fizesse, ela acha lindo, mas agora, acho que vai ser legal( sorriso amarelo). Minha vida é uma aventura, aproveito cada momento, meu lema é o Carpe diem. Vou pras minhas festas, saio, bebo, namoro, muito!

Meu namorado me ama, eu sei, ele me disse. Outro dia, ele disse que queria uma prova do meu amor por ele, eu fiquei meio pensativa, mas andei conversando com algumas amigas minhas e elas me falaram que é assim mesmo, que isso é normal, que quando a gente namora e gosta de alguém a gente tem que estar preparado pra isso, senão é melhor nem namorar. Se eu sentisse no meu coração que era a hora, pra eu não ter medo e ir em frente, elas mesmas já tinham feito isso. Só a Mariana que num disse nada, ficou calada, (olhando para a plateia) parece que ela é crente e os crentes não fazem essas coisas, sei lá, mas ela não disse nada. Acho que ela achou que eu fiz certo. Aí eu fui pruma calourada com o Cadu e depois, a gente já tava um pouco bêbado, ele falou comigo e eu disse que estava preparada, então aconteceu...agora já faço parte do grupo, não sou mais a virgenzinha da sala..já posso me sentir uma pessoa adulta e madura.

 

 

NARRADOR: Cacau, foi para uma festa ontem e, quando voltava para casa com o namorado, que estava embriagado, sofreu um acidente de carro e estava entre a vida e a morte na UTI de um hospital.

Cacau é apenas uma ilustração dos muitos jovens aparentemente normais que há no mundo. Uma jovem de classe média, que está na faculdade, na flor da idade, tem uma vida “saudável” aos padrões do mundo, gosta de se divertir, tem muitos amigos e um namorado. Ela, como muitos outros jovens, adota para si a máxima de aproveitar cada gota da vida.

Mas qual seria realmente o sentido de aproveitar? Seria viver inconsequentemente, sem se preocupar se estará vivo amanhã e que seus atos de hoje podem trazer prejuízos e sofrimentos futuros? Aproveitar cada momento é viver cada momento, mas não inconsequentemente, tornando cada situação, seja ou não favorável, uma oportunidade para se ter sucesso agora e no futuro.

Cacau, como muitos jovens, estava tão preocupada em seguir o padrão do mundo que nem se questionava se era aquilo que ela realmente queria para si. Seguiu o que as amigas lhe diziam, fazia um curso que era o sonho de consumo da mãe. Vivia uma vida que não era exatamente a que ela queria.

Como ela, vários jovens vivem. Pessoas aparentemente normais, que estão do nosso lado e nós, muitas vezes, nem nos damos conta de que podem precisar de Jesus. Mas quem é esse ser humano que pode não precisar de Jesus? E, como a amiga cristã de Cacau, Marina, nós nos omitimos de falar do amor de Deus a essas pessoas, por julgarmos que não precisam. E assim, morrem todos os dias milhares de pessoas, de normais. Acidentes, overdoses, chacinas, depressão, suicídios. Suas vidas são responsabilidade nossa. É responsabilidade nossa falar de Jesus pra eles, dar-lhes a oportunidade de ter a salvação.

Abrem-se as cortinas. Todos os personagens anteriores estão caídos mortos no chão, inclusive Cacau. Cacau se levanta dentre todos e começa a falar.

CACAU: O que aconteceu comigo?

Por que todos estão deitados assim?

Ei, acorda!!! (em prantos, tentando fazer as pessoas “acordarem”)

Eu só posso estar sonhando!!!

Acorda, Cacau, Acorda!!! (se beliscando)

Já sei, isso tudo é um pesadelo....vou me deitar de novo pra poder acordar( deita-se onde estava)

(levanta novamente) Não...não é um pesadelo....

Eu acho que morri mesmo...agora estou lembrando...o acidente...foi horrível!!

Por que, meu Deus??? Por quê??

Eu era tão feliz, tinha uma vida tão perfeita, tantos amigos, uma família maravilhosa, um namorado perfeito, a faculdade...

Não pode ser...tantos sonhos...tanta felicidade....

Logo eu? Tanta gente com uma vidinha ralada e logo eu morri...

(silêncio, fica reflexiva)

Mas...será que eu era feliz mesmo?

Tinha amigos de verdade?

O curso que eu estava fazendo era o que sempre sonhei??

E o meu namorado?? Será que o que fiz foi certo??

Ou será que na minha vida, as minhas escolhas eram baseadas nas opiniões dos outros, eu fazia o que os outros achavam melhor?

E a gora eu morri?

Não, não. Deus não iria permitir isso comigo...

Mas, peraí... Será que existe Deus?

Será que Deus existe? Se existe, como é que ele permite que o filho morra nos braços da mãe (apontando para trás, onde os demais personagens continuam deitados mortos), ou que um garoto fique na linha de frente de uma guerrilha, ou que haja brigas entre nações? Não, não, se Deus existisse, isso não haveria...

Não, não, Deus não existe!

Mas se não existir Deus, nada faz sentido nesse mundo...Como poderiam existir paisagens tão bonitas, tão perfeitas? Como eu poderia existir?

É, Deus existe...

(as cortinas atrás dela, fecham-se e escondem todos os demais mortos, que permanecem caídos)

E a Marina, parece que ela era crente, num sei...dizem que esses crentes acreditam num céu, numa vida eterna...que quando eles morrem tem uma luzinha branca no fim do túnel, sei lá. Mas eu não tô vendo nada, tá tudo escuro!!

Por que ela nunca falou de Deus pra mim? Por que ela não me disse que o que eu estava fazendo não era certo?? Tanta coisa poderia ser diferente, eu poderia estar viva ainda...eu não teria feito tanta besteira...

(reflexiva)

Por que ninguém nunca me disse que existia um Deus bom, que cura, que salva, que perdoa, que liberta, que dá a vida eterna??

Por que ninguém me falou de Deus?

(silêncio)

Por que eu nunca ouvi falar dele? Por que não pregaram para mim? Onde está a tal igreja do Senhor, que parece tão parada, enquanto todos os dias milhares de pessoas morrem sem conhecer Jesus...eu morri sem conhecer Jesus...Que egoísmo é esse? Eu também queria ir pro céu! Por que você (sacudindo alguém da plateia) nunca falou de Jesus pra mim, hein?Será que eu sou menos importante que vocês? Por que vocês não se preocuparam comigo, com a minha vida?E eu estive sempre tão perto...

Eu queria Deus, eu precisava de Deus!! Eu queria ter tido a chance de ser salva... (os demais mortos chegam por trás e levam-na e ela vai gritando que queria ir pro céu, queria ter uma chance).


 

Fim

Fontes:

http://www.who.int/countries/bra/en/ site da organização mundial da saúde, que pode ser explorado para atualização dos dados sobre mortalidade, nutrição etc.

http://www.oitbrasil.org.br (guia para localização dos pontos vulneráveis à exploração sexual infanto-julvenil ao longo das rodovias federais brasileiras- Mapeamento 2007/2008) associação da OIT com a PRF.

 http://www.who.int/globalatlas/DataQuery/default.asp (alguns dados sobre vários países e regiões)

http://www.pime.org.br/noticias2005/noticiasmundo8.htm (dossiê crianças-soldado)

www.unicef.org

CUNNINGHAM, LOREN. ROGERS, JANICE. Pode falar, Senhor...Estou ouvindo. 1. ed. Minas Gerais: Editora Betânia, 1985

 

 

 

Diversos: