OS DESAPARECIDOS

Versão para impressão
O dono do sapato sumiu

O Último Ato – Volume II 


A doutrina pré-tribulacionista do arrebatamento secreto é representada nessa peça de forma comovente, pondo em destaque sentimentos como desespero, desconhecimento, surpresa, arrependimento tardio e revolta dos que ficaram.


 
CENÁRIO
O cenário é composto por:
• quatro cadeiras;
• uma mesinha de telefone, um telefone, uma mesa de jantar; e
• utensílios de café da manhã. (copos, xícaras, pão, jarra com água, bule de café etc..)
Sugestão para disposição em cena: (imagem vista de cima)
PERSONAGENS
SÉRGIO – Marido de Solange. Ele é arrebatado na primeira cena.
SOLANGE – Esposa de Sérgio. Já foi membro assíduo da Igreja. Depois que se casou com Sérgio foi se afastando aos poucos da Igreja. Não gosta nem de ouvir falar de Igreja e sempre dá desculpa pra não ir quando o marido convida.
HENRIQUE – Homem que conhece a palavra de Deus muito bem, mas nunca teve um envolvimento com Deus.
FELIPE – Ele tem a idade aproximada de 10 anos, gosta de ir à Igreja, mas não assume com Deus um compromisso.
WALTER – Frequenta a Igreja como se fosse um clube social. Vai lá só para encontrar amigos.
DORA – É acompanhante do Marido (Walter) quando ele vai à Igreja. É dessas mulheres que está há anos na Igreja, só por se sentir bem. E acha que Deus é mais amor que justiça.
LANA – Não tem conhecimento e nem se interessa por nada que diz respeito a Deus.
ALINE – É desviada. Tem total conhecimento sobre o arrebatamento e suas consequências.
LAURA – Mulher que não faz a menor ideia do que seja o arrebatamento. É confusa e desorientada.
MOACIR – É membro antigo da Igreja. Daqueles que fazem tudo pro pastor. É ele quem dirigirá a Igreja após o arrebatamento.
MARINA – É uma mulher que é atingida pela dor de perda de seu bebê que foi arrebatado e de seu marido em um acidente rodoviário causado pelo desaparecimento do motorista do ônibus que bateu em seu carro.
CENA 1 – ARREBATAMENTO
ANTES DE DAR INICIO À PEÇA E COM AS LUZES AINDA APAGADAS, O RAPAZ QUE FIZER O PAPEL DO SÉRGIO DEVERÁ TER EM MÃOS UMA ROUPA IDÊNTICA À ROUPA QUE ESTÁ USANDO. ESTA ROUPA DEVERÁ SER COLOCADA NA CADEIRA, DE MODO QUE PAREÇA QUE A ROUPA ESTÁ SENTADA NA CADEIRA, E O PERSONAGEM SENTA POR CIMA DAS ROUPAS. O PÚBLICO NÃO PODERÁ PERCEBER QUE AS ROUPAS ESTÃO ATRÁS DO PERSONAGEM. ACENDEM-SE AS LUZES. SOLANGE ENTRA EM CENA. ELA ESTÁ COM BARRIGA DE GRAVIDEZ. ELA SENTA NA OUTRA CADEIRA.
Sérgio – Oi amor! Porque acordou? São quase quatro da manhã! Já estou de saída pro serviço.
Solange – Tá vendo, neném? Enquanto papai for policial, esta cidade vai estar segura pra você poder brincar... O papai já vai sair pra defender os fracos e oprimidos.
Sérgio – (ri) É pra ganhar o pão nosso de cada dia... E você, amor, lembra que combinou de ir comigo na Igreja domingo que vem?
Solange – Eu disse que iria pensar.(falando com o bebê) Tá vendo, neném? Papai de novo com papo de crente! Mamãe já se dedicou muito pra essa Igreja, mas agora a mamãe só quer saber de cuidar de você! E olha só pra mamãe! Tá toda horrorosa! Gorda! Feia! Mas mamãe não liga não! Mamãe a ama! Você é o meu maior tesouro! Você e o papai! São tudo pra mim!
Sérgio – Solange, o seu “tudo” precisa ser Jesus!!! Volte pra Ele. Volte... antes que Ele volte...
Solange (começa a sentir algo muito estranho) O que é isso? Me sinto... estranha.. como se eu não estivesse mais.... GRÁVIDA.
AS MARCAÇÕES A SEGUIR DEVEM SER FEITAS EM POUCOS SEGUNDOS.
1. APAGAM TODAS AS LUZES
2. BARULHO DE TROVOES E TROMBETAS.
3. A PESSOA QUE FAZ O PAPEL DE SÉRGIO SAI DE CENA E SOMENTE AS ROUPAS FICAM NA CADEIRA, DE MODO A CRIAR AO PÚBLICO A IMPRESSÃO DE QUE SÉRGIO FOI ARREBATADO.
4. A PESSOA QUE FAZ O PAPEL DE SOLANGE ARRANCA A BARRIGA FALSA, DE MODO A CRIAR AO PUBLICO A IMPRESSÃO DE QUE O BEBÊ FOI ARREBATADO.
5. A LUZ SE ACENDE NOVAMENTE.
Solange – (desesperada gritando) Meu bebê... Meu bebê sumiu !!! Sérgio.. (vai até a cadeira onde o marido estava sentado e segura as roupas dele) cadê você?
Sérgio! Meu filho!! Não !!! Não!!! Como isso pode estar acontecendo?
APAGA A LUZ
CENA 2 – HENRIQUE PROCURA VANESSA
HENRIQUE ENTRA EM CENA, ESPREGUIÇANDO. É MADRUGADA E ELE ESTÁ SURPRESO POR NÃO ENCONTRAR SUA ESPOSA.
Henrique – (chamando) Vanessa? Vanessa querida... Acordei e não te vi na cama. Vanessa?
Cadê você? Não me diga que já vai pra Igreja! São cinco e meia da manhã!
Felipe – Oi pai...
Henrique – Acordou cedo, hein? Já tá de pé e vestido! Que milagre! Você acordado assim tão cedo! Vai dormir meu filho!
Felipe – Não dormi direito e achei que seria melhor levantar.
Henrique – É... A noite tá sendo tão longa! Foi uma noite perturbada. Tive tantos pesadelos.
Felipe – Também tive pesadelos!
Henrique – Que dor de cabeça! Viu sua mãe? Ela desapareceu! E cadê a sua irmã?
Felipe – Fui no quarto da mana e, depois de eu ter batido na porta várias vezes, ela não respondeu. Aí eu entrei e descobri que ela também desapareceu.
Henrique – Estranho, muito estranho! Onde será que elas podem estar? Será que foram pra algum lugar? Na igreja, talvez? Mas... às cinco e meia da manhã... Será uma vigília? Bem, pelo menos ela poderia ter me avisado.
Felipe – Não, pai ! Elas com certeza não foram pra nenhum lugar, não!
Henrique – Por quê?
Felipe – Porque todas as portas que dão para a rua estão trancadas... por dentro! Do jeito que você deixou trancada ontem!
Henrique– Ai... Não consigo pensar em nada! Que dor de cabeça! Não sei o que fazer!
Felipe – É tão estranho tudo isso! Ainda mais que eu achei no quarto da mana a Bíblia aberta e marcada! Olha só! Lê o que tá escrito!
Henrique – “Por isso ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do homem virá" (Mt 24.44). Sua mãe vive dizendo que essa passagem refere-se à vinda de Cristo no arrebatamento! É mole? Mas é óbvio que aqui está falando simplesmente da preparação para a morte.
Felipe – Então se a gente tomar café! Mas você vai ter que fazer! Já que a mamãe não tá aqui!
Henrique – Certo! Depois que a gente tomar o café, você liga pra Lana e pergunta sobre elas. Enquanto isso, eu vou dar uma volta por aí. Você me encontra lá na casa da sua tia Dora. Talvez sua mãe esteja lá. Tá bom?
Felipe – Tá certo, pai.
APAGA A LUZ
CENA 3 – IRACEMA DESAPARECEU!
Walter – (abre um envelope em cima da mesa) Não acredito! Meu cartão de crédito novo! E com chip! Tudo que eu sempre quis! Agora eu vou me dar bem! Comodidade... vai facilitar muito a minha vida! Dora? Dorinha?
Dora – Oi querido! Bom dia! Acordou cedo hoje!
Walter – (mostra o cartão) Viu? Viu?
Dora – Vi. Chegou ontem. Essa é a boa notícia. A péssima noticia é que a Iracema desapareceu!
Walter – Como “a Iracema desapareceu”? Cadê o café? O café não está pronto! Sem condições de ir à Igreja, pleno domingo sem café!
Dora – Já te falei que não precisa ir à primeira reunião! Vai à noite! Você sabe que detesto acordar cedo no domingo! Só acordo por sua causa, pra ir com você à Igreja!
Walter – Dora! Vai procurar a Iracema! Eu marquei com o Henrique! Depois da Igreja a gente vai jogar futebol!! Eu não posso me atrasar! Vai, mulher!
Dora – Meu filho! Porque você acha que eu estou lá na cozinha fazendo o café? A Iracema desapareceu mesmo!
BARULHO DE CAMPAINHA. DORA VAI ATENDER.
Henrique – (Com cara de quem está cansado e preocupado) Bom dia!
Dora – Henrique! Que você tá fazendo aqui?
Walter – Fala Henrique! Tá se convertendo, hein? Que foi, veio me buscar? A gente pode ir junto pra Igreja. Tá quase na hora... E de lá vamos pro futebol... E ai? Ainda tá de pé hoje, né?
Dora – Henrique, essa casa tá de pernas pro ar! Acredita que eu tenho que preparar o café da manhã porque a Iracema, minha empregada, que sempre considerei uma boa cristã, fez uma brincadeira de mau gosto. Imagina...Ela saiu para algum lugar sem sequer colocar a chaleira no fogo ou dizer uma palavra para qualquer um de nós. Mas, o que nos deixa confusos é como ela saiu da casa, porque todas as portas estão trancadas e as chaves estão aqui dentro, exatamente como nós as havíamos deixado ontem à noite quando voltamos da festa da Bete.
Henrique – É realmente muito estranho! Falando em desaparecimento... Eu vim aqui pra saber se a minha mulher tá aí?
Dora – (surpresa) E por que haveria de estar aqui?
Henrique – Porque não está em casa. Nem ela nem minha filha. A casa está do jeito que estava ontem quando fomos dormir! Eu acordei e pensei que a Vanessa tinha levantado da cama eram cinco da manhã! Ai eu achei que ela tivesse ido beber água e esperei. Às cinco e meia da manhã ela não tinha voltado pra cama e eu levantei e comecei a procurar pela casa sem encontrar. Daí o Felipe apareceu dizendo que tava sem sono e que tinha entrado no quarto da irmã e ela não estava lá. Simplesmente desapareceram!
Dora – (fica nervosa) Ah, Henrique, vai ver foram mais cedo pra Igreja! Você sabe como elas duas são! Só não chamo de fanática por que é minha irmã! Eu sou evangélica sim! Mas não igual a elas que fazem tudo que o pastor manda! Que absurdo! Achei de mau gosto elas não terem ido ontem na festa da Bete. Só porque teve samba, mas e daí? E eu tomei umas cervejinhas! Ah! Pelo amor de Deus! O que conta pra Deus é o coração!
Walter – A tua mulher e a tua filha, as desaparecidas, estão em algum lugar da casa, e que quando você voltar, vai estar tudo bem! E o Felipe?
Henrique – Ficou de ligar para a Lana e passar na casa de uma vizinha nossa. Deve ta vindo por aí.
Walter – Vou na rua comprar jornal, já volto. Anda logo aí com esse café. (SAI DE CENA)
Dora – Fiz café, quer? Mas sem leite! Acredita? Vamos ter que tomar café sem leite, porque o leiteiro, que até o dia de hoje era confiável, não deu as caras.
Henrique – Obrigado! Eu já tomei café!
Dora – Estou pressentindo! Hoje vai ser um dia daqueles!
BARULHO DE CAMPAINHA. DORA VAI ATENDER.
Felipe – (chorando desesperado) Pai! Pai! Eu fui a todos os lugares perguntando pela Mãe! E todas as casas em que eu fui, alguém também desapareceu! Pai! O que está acontecendo? Pelo amor de Deus! O que está acontecendo???
Dora – Calma, meu filho ! Fale devagar! Fique calmo! Está tudo bem, ouviu?
Felipe – Não tá nada bem! A mamãe e a Natália desapareceram! Desapareceram!!! As pessoas estão nas ruas desesperadas! As ruas estão cheias de pessoas andando de um lado para outro chorando!!! O que está acontecendo, Meu Deus?
APAGA A LUZ
CENA 4 – LANA E ALINE
Lana – Alô? Oi Dona Carmem! Desculpa ligar essa hora... Sou eu, Lana, a filha da Dona Maria e do Antônio.(...) Tá tudo bem sim! (...) Se eu vou hoje na Igreja? Não sei ainda! Eu liguei pra saber se a senhora sabe da minha mãe e do meu pai . (...)O quê? Seu marido sumiu? (...)É... vai ver o pastor fez uma reunião especial mais cedo hoje, né? Tá legal! Tchau!!! (vê uma camisola em cima da cadeira) Ué!!! O que a camisola da minha mãe tá fazendo aqui? Droga! Ninguém sabe do meu pai e nem da mãe! Engraçado também o Felipe ter ligado e dizer que a mãe dele e a irmã também desapareceram! Que droga é essa gritaria toda na rua?
Aline – (desesperada) Arrebatamento!
Lana – O quê? Arrebatamento?
Aline – Jesus Voltou! Tá me ouvindo! Ele voltou! Levou papai e mamãe!
Lana – Que droga é essa que você tá falando?
Aline – Todo mundo na rua! As mães estão gritando pelos filhos! As crianças sumiram! Todas elas! É por isso que todos estão gritando! Sua idiota! Papai e mamãe! Tá escrito na Bíblia! Jesus voltaria para levar os cristãos! Levou os nossos pais!
Lana – Por que levou nossos pais?
Aline – Por que eles eram cristãos!
Lana – Nós também somos cristãs!
Aline – Cristãs? Você? Quando? Eu pelo menos ia à Igreja sem reclamar! Você só ia se a mamãe obrigasse!
Lana – Já que é tão cristã assim, por que Jesus não te levou?
Aline – Ele não me levou porque eu não me converti de verdade! Por causa de você, que sempre me perseguiu até me tirar da igreja!
Lana – Eu te tirei da Igreja?
Aline – Você não tem a menor noção do que aconteceu, né?
Lana – Garota, você tá se alarmando à toa! Vai ver o papai e a mamãe foram para a Igreja!
(SAI DE CENA)
Aline – Não... Eu sei! Foi o arrebatamento... Jesus voltou... E eu fui deixada pra trás! (nesse momento Aline cai no chão chorando aos prantos e clama a Deus) Ó, Meu Deus... De que adianta agora ter toda uma vida pela frente? De que adianta a minha juventude? Vou ter que conviver com essa dor e saudade até o último dia da minha vida... Por que não te aceitei quando me chamou? Eu tive tantas oportunidades... Por que não lutei contra o ESFRIAMENTO? Por que não engoli meu orgulho e rasguei meu coração? (chora) Eu vou lutar... Vou morrer se preciso... Mas nunca mais eu vou te deixar... nunca mais.... Me ajuda... Eu não quero te perder novamente!
APAGA A LUZ
CENA 5 – MARINA E SEU BEBÊ
Marina – Neném... Tá tão quietinho que mamãe tá até estranhando... Cadê o neném mais lindo do mundo?
1. COMEÇA A PROCURAR O BEBÊ NO BERÇO (CARRINHO) CONFORME VAI TIRANDO AS PEÇAS DO BERÇO, SEU ROSTO VAI SE TORNANDO COM ASPECTO DESESPERADO.
2. TIRA O LENÇOL;
3. TIRA O TRAVESSEIRO;
4. TIRA A ROUPINHA DO BEBÊ; E
5. FINALMENTE, AO TIRAR A FRALDA, ELA GRITA DESESPERADA.
Marina – Fernanda... Meu bebê!! Onde está meu bebê? Socorro... Alguém me ajuda... Meu marido... Augusto... Augusto!!!! Preciso telefonar!!!! Telefonar!!!
PEGA O TELEFONE E LIGA PRO MARIDO. UMA VOZ FEMININA ATENDE. É UMA POLICIAL.
Policial – Alô?! Quem está falando?
Marina – (chorando) Desculpe, pensei que fosse o celular do meu marido!
Policial – Não desligue não! Se o nome de seu marido for Augusto Ribeiro Santos, esse celular é dele sim. Aqui quem fala é a sargento Almeida da Polícia militar.
Marina – O que aconteceu? Porque não atendeu? Meu bebe desapareceu! ? Não sei o que fazer!
Policial – A senhora tinha um bebê? Sinto muito, mas os bebês de colo e algumas pessoas desapareceram...
Marina – Meu Deus! Como os bebês desapareceram?
Policial – Ainda não foi explicado. Minha senhora, detesto dizer isso, mas... aconteceu um acidente com o Sr. Augusto, seu marido. Ele estava no carro que se chocou com um ônibus cujo motorista foi uma dessas pessoas que desapareceram de dentro das roupas. O acidente foi gravíssimo!
Marina – A senhora não está entendendo! Eu quero falar com meu marido!!! Agora!!! Que estória é essa de pessoas desaparecidas?
Policial – A senhora não está sabendo? Bem, parece que está se cumprindo uma profecia bíblica ou algo parecido e Deus tirou da terra as pessoas que não eram boas ou algo assim... A senhora tem algum outro parente? Alguém que possa estar com você por enquanto?
Marina – Meu Deus!!!
Policial – Senhora, detesto dizer isso! Mas seu marido não resistiu! Os necrotérios municipais estão lotados, por isso está sendo montado um no colégio Municipal aqui perto. É necessário a senhora vir aqui para identificar o corpo, mas não aconselho vir agora, melhor esperar um ou dois dias. Minha senhora... Sinto muito. Sinto pelo seu marido e seu bebê!
MARINA DEMONSTRA UM DESESPERO PROFUNDO.
Marina – (Gritando) Não!!! Não pode ser!!! O que está acontecendo? Meu Deus o que está acontecendo... Eu quero meu marido de volta!! Quero meu bebê!!! Não!!!!
CENA 6 – A REVOLTA DE SOLANGE
Solange – (gritando em estado de choque, mostrando total desequilíbrio mental e psicológico) Desgraçado! Levou meu marido e meu filho! Por que fez isso comigo? Por que não me levou também? Só pra me ver sofrer? Como pode ter planejado toda essa desgraça? Não vê? Todos estão desesperados! E é sua culpa! Sua culpa! Deus! Meu filhinho...Meu bebê! Meu marido! Deus eu te odeio!
APAGA A LUZ
CENA 7 – A HISTORIA DE LAURA
Felipe – (apavorado) Papai, eu quero a mamãe!
Henrique – Calma meu filho! Tudo não passa de um mal entendido! Fica calmo!
BARULHO DE TELEFONE. DORA ATENDE.
Dora – Alô? (...) Oi! (...) Bom dia Seu Hermano! (...) Como? (...) Pode repetir? (...) Não! Não vi o Guga nem o Dinho por aqui não!
Felipe – Tá vendo? O Gustavo e o Cláudio também desapareceram!
Henrique – Felipe! Fique calmo!
Dora – Claro! (...) Claro! Qualquer notícia eu ligo!
BARULHO DE CAMPAINHA. DORA VAI ATENDER.
Laura – Dora...minha amiga... Minha mãe desapareceu! Como pode? Tava de cama há mais de seis anos. Paralítica!!! Sem poder andar! Alguém sabe explicar o que está acontecendo?
Dora – Fica calma Laura! Vem cá. Toma um copo d´água!
Laura – Por que tá acontecendo isso? Por quê?
Dora – Fique calma! Tudo vai ser esclarecido!
Walter, desesperado, entra em cena.
Walter – Vocês não sabem o que está acontecendo! As pessoas desapareceram! Em todas as casas!
Dora – Walter! Controle-se! Está deixando todos preocupados! Fique calmo!
Walter – Como ficar calmo? Não posso ficar calmo! Os filhos do Hermano desapareceram também! Meu Deus! O que está acontecendo? Os dois filhos menores, de dez e doze anos de idade, desapareceram! O que está acontecendo? O que está acontecendo, meu Deus?
BARULHO DE TELEFONE.
Dora – Alô. Oi Ruth. Tudo bem? (...) Fique calma!!Calma... (...) O quê? Desapareceu? Oh, meu Deus! Meu Deus! (...) Não! Eu não sei o que está acontecendo! (...) O quê? No mundo todo? Tá certo! Vou ligar! Fica calma! Depois te ligo!
Walter – Quem era? Quem desapareceu?
Dora – Era a Ruth ... Os três filhos, aquele que são da igreja... desapareceram... E a mãe dela que mora em São Paulo também! Ela disse que isso está acontecendo no mundo todo! Tá passando na TV! Disse que começou ás 4 da manhã!
Henrique – É o arrebatamento! Está escrito na Bíblia. Quando todas as pessoas ouvissem falar de Deus, Jesus viria inesperadamente como um ladrão na noite, e chamaria os Seus, mortos e vivos, para encontrá-lo nos ares. A transformação efetuada em um piscar de olhos; e embora a chamada como o som de uma trombeta, ninguém além daqueles aos quais ela fosse destinada a ouviria. Acredito que esse tempo já chegou e, infelizmente, nós estamos entre os que ficaram!
Walter – Acho que está na hora de irmos à Igreja falar com o pastor!
Todos fazem sinal de concordância.
APAGA A LUZ
CENA 8 – SUICÍDIO DE SOLANGE
Solange – (sentada no chão, com aspecto de desequilibrada mentalmente, ora ri, ora chora) Eu não vou permitir que veja o meu sofrimento! Você é mau e cruel! Eu te desprezo! Tirou meu filho e meu marido de mim! Eu nem tive o direito de ver o rosto do meu filho. Eles também me deixaram! Mas eu não perco não! Eu sou Solange! Eu não perco! Por isso, nem faço a mínima questão de ir pro seu maldito reino! Olha bem, Sérgio.. Olha Bem daí de cima o que eu vou fazer com a tua arma. Essa é pra você!!! (aponta uma arma pra cabeça)
1. APAGA A LUZ.
2. BARULHO DE UM TIRO.
3. A LUZ SE ACENDE.
4. SOLANGE CAI LENTAMENTE NO CHÃO MORTA.
CENA 9 – RÁDIO
UMA FITA DE ÁUDIO DEVERÁ SER PREVIAMENTE GRAVADA. ELA RELATARÁ UM INFORME DE RÁDIO, ONDE LOCUTORES NARRAM O DESAPARECIMENTO EM TODO O MUNDO. A EQUIPE DE TEATRO PODERÁ CRIAR AS VOZES. ESSA CENA É IDEAL SE EXIBIR A GRAVAÇÃO COM AS LUZES APAGADAS.
CENA 10 – O ENCONTRO NA IGREJA
NESSA CENA O PÚBLICO PARTICIPARÁ COMO SE FOSSEM AS PESSOAS QUE NÃO FORAM ARREBATADAS. ACENDA E MANTENHA ACESAS TODAS AS LUZES DURANTE ESSA CENA. ALINE E LANA ENTRAM PELA PORTA DA IGREJA.
Lana – (gritando e correndo, pede ajuda a alguém do público) Alguém me ajude! Pelo amor de Deus!
Aline – Ajudar? Hoje é o dia sobre o qual Jesus tanto falou, mas nenhum de nós acreditou. E agora eu começo a perceber o quanto eu fui tola.
Lana – Lembra, irmã, quantas oportunidades tivemos? Quantas vezes nossos pais nos convidaram para ir à Igreja e sempre eles nos alertaram que um dia isso iria acontecer! (fala com alguém do público) Ei! Você não vive dando desculpa pra não vir na Igreja? Agora acha que vai adiantar?
LANA E ALINE SE SENTAM NO MEIO DO PÚBLICO. ENTRA EM CENA HENRIQUE, FELIPE, DORA, WALTER E LAURA.
Henrique – Esse pessoal não costumava vir aqui na igreja. A maioria das pessoas que eram firmes na Igreja desapareceu! Olha! É o Diácono Moacir.
Diácono Moacir – (exortando) Por que vocês acham que as Igrejas estão abertas e superlotadas no dia de hoje? Porque vocês não foram nos bailes e nos pagodes hoje? Todos aqui foram atingidos pelo Desaparecimento! Todo mundo está ansioso para saber o que está acontecendo! Se estamos aqui hoje é porque fomos negligentes!
Alguém do público – A Culpa é do pastor! Ele não pregou pra nós o que devia ser dito!
Diácono Moacir – Nenhum de vocês tem o direito de dizer isso! O dia inteiro o pastor foi acusado de não ter pregado sobre o arrebatamento e a vinda de Jesus! Mas vocês sabem que não é verdade! Quantos de vocês não tiveram pelo menos uma vez aqui dentro, assistindo reunião, que ele não tenha perguntado quem quer ia aceitar Jesus como Salvador e se batizar e levar uma vida de comunhão com Deus!
Mulher do público – Alguma coisa Ele deixou de falar para nós!
Diácono Moacir – Nós ouvimos a mesma palavra que os desaparecidos ouviram. A diferença é que o que cada um de nós fizemos com as palavras que ouvimos. Quem creu, foi arrebatado. Quem não creu, ficou!
Henrique – Se nós que fomos deixados na terra, nós mesmos somos culpados por isso. E o que acontecerá agora?
Walter – A Terra toda está em caos! Já nomearam um líder mundial que convocou todas as nações! Vai dar uma entrevista ...É ele o anticristo?
Diácono Moacir – Sim, é ele mesmo. Eu vi hoje na TV. Meu Deus, como fui tão desatento! Agora, todas as pessoas irão usar uma marca de identificação nas mãos, uma espécie de chip.
Walter – Ouvi falar nisso! Hoje, na TV passou um anúncio sobre essa marca! Vão implantar esse chip mês que vem! Mas não é obrigatório.
Diácono Moacir – Por enquanto não será obrigatório, só para disfarçar. Os artistas vão na TV fazer campanhas para o uso da marca! Só será obrigatório nos próximos anos! Abram a Bíblia em Apocalipse 13 v.16 -17-18 "E o anti-Cristo faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto uma marca na sua mão direita, ou nas suas testas, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome. Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis." E Apocalipse 14 v. 9 "E seguiu-os o terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua testa, ou na sua mão," Perceberam? Quem não usar a marca não poderá comprar ou vender nada, não terá emprego e será excluído da sociedade. É claro que somente os cristãos não usarão a marca. Isso fará com que o anticristo saiba quem somos. E pior... Ele vai nos deixar morrer de fome e sede, sem lugar para onde ir. Ele irá nos perseguir. Nossa vida será fugir de um lado pra outro, até que ele nos ache e nos mate! Mas ele não vai nos matar rápido. Ele vai nos torturar para que desistamos da salvação, vai usar pessoas queridas para nos influenciar e acreditarmos que o que estou lhes dizendo é uma paranoia. Ele vai tentar tocar na nossa alma! Vão nos torturar até a morte!
Henrique – Só em pensar que a salvação nos foi dada de graça por Jesus e nós desprezamos. Nos preocupamos demais com nossas vidas e esquecemos de cuidar da nossa salvação! Agora vamos ter que pagar com a própria vida se quisermos ser salvos!
Walter – Lembram o que Roma fazia com os cristãos? Perseguiam e matavam homens, mulheres, crianças, velhos...Eles não se importavam. Jogavam os cristãos em arenas com leões. A Bíblia diz que a tribulação desses próximos anos é a pior, como nunca houve e jamais haverá!
Diácono Moacir – Isso mesmo! Teremos que pagar com a nossa vida! Não aceitamos de graça a Salvação de Cristo e agora esse é o preço! Quem está com a Bíblia abra em Apocalipse 6 v. 9. "E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram." E também o versículo 11. "E foram dadas a cada um compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram”. As pessoas de vestes brancas somos nós. Leiam Apocalipse 7 versículo 9, 13 e 14. "Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos;" e v. 13 "E um dos anciãos me falou, dizendo: Estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são, e de onde vieram?" e v. 14 "E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro."
Dora – Então não temos mais salvação?
Diácono Moacir – Aquele que perseverar até o fim! Até a morte! Esse será salvo! Teremos que tirar força e coragem de nós mesmos e muitos de nós não aguentarão a pressão do anticristo. Nossa força agora não virá de Deus, porque o Espírito Santo está mais entre nós. Nessa luta, pela primeira vez, nós estamos sós!
TODOS OS PERSONAGENS SE POSICIONAM NA FRENTE DO ALTAR COM UMA EXPRESSÃO SÉRIA E ASSUSTADORA. ENCARAM UM POR UM DO PÚBLICO. VÁRIOS PERSONAGENS DIZEM, UM POR VEZ, UMA DAS EXPRESSÕES ABAIXO EM SEQUENCIA CRONOLÓGICA.
• GRANDE TRIBULAÇÃO,
• ANTICRISTO
• MARCA DA BESTA
• SOFRIMENTO, ANGUSTIA
• SAUDADE, PERSEGUIÇÃO
• TORTURA, MORTE, INFERNO
TODOS JUNTOS FALAM:
Todos – É isso que você quer pra sua vida? Aceite Jesus agora!
 

 

Texto que faz parte da coleção O ÚLTIMO ATO/ Luiza Regina Reis   São 5 EBooks(peças e roteiros pra cinema)
A Luiza é autora do site Arena de Cristo
Ministra cursos e oficinas de teatro

 

Diversos: