UM DIA DE TERNURA

Versão para impressão

UM DIA DE TERNURA - Dia das MãesMARIAZINHA está conversando com sua boneca de pano; - Que farei pra homenagear a mamãe?

Queria mostrar minha gratidão por tudo que ela faz e representa pra mim...

Um ESCRITOR, um PINTOR e os ANUNCIANTES tentam, mas não conseguem convencer a MARIAZINHA.

A verdadeira homenagem surge quando...

PERSONAGENS:
O escritor, o pintor, o músico e os anunciantes podem ser interpretados por garotos ou garotas.
CENA I
(Quando o espetáculo se inicia, Mariazinha está em cena com sua boneca de pano, Lua, a quem conta seu desejo de homenagear sua mãe.)
MARIAZINHA: Todos os anos quando se aproxima o Dia das Mães, eu procuro agradar à minha mãe e retribuir tudo o que ela faz de bom para mim, para meus irmãos, para meu pai; enfim, para todos os que convivem em nosso meio. Desta vez eu queria algo bem original, bem diferente para homenageá-la. Você, que é de pano (olhando para a boneca), não tem com o que se preocupar, mas eu preciso de ajuda.
CENA II
(Entra o escritor.)
ESCRITOR: Ora, ora, em que está pensando a Mariazinha?
MARIAZINHA: Como vai, escritor?
ESCRITOR: Bem, muito bem! E você?
MARIAZINHA: Eu estou bem, escritor. Porém, já se aproxima o Dia das Mães e estou com um pequeno probleminha.
ESCRITOR: E eu posso saber do que se trata? Ou é segredo?
MARIAZINHA: Não é segredo nenhum. É que eu gostaria de ser original.
ESCRITOR: (Com ar de reflexão.) Original?! Por que tamanha preocupação? É tudo muito simples, Mariazinha.
MARIAZINHA: Pode ser para você, que é escritor. Tem o dom de escrever coisas bonitas. Palavras de que eu nem sei o significado,
ESCRITOR: Mas você também pode escrever com suas próprias palavras, e sua mãe ficará contente.
MARIAZINHA: Eu já escrevi. Agora penso em coisas diferentes.
ESCRITOR: Coisas diferentes. Quais, por exemplo?
MARIAZINHA: Sinto muito, mas não sei explicar como são essas coisas diferentes. Gostaria que tocassem minha mãezinha bem no fundo do coração.
ESCRITOR: Para que sua mãe fique emocionada não é preciso esforçar-se muito, Mariazinha. Seu agradecimento será suficiente.
MARIAZINHA: Eu sei, mas não quero coisas simples. Você deve saber algo sobre as mães. Pode ser até que tenha escrito ou lido em outro autor.
ESCRITOR: Mariazinha, às vezes as coisas simples são mais significativas, e pessoas simples podem ser descritas com palavras luxuosas sem perder a simplicidade. MARIAZINHA: Diga um texto, escritor.
ESCRITOR: Está bem, Mariazinha. Como se trata do Dia das Mães, para começar o melhor é falar de Maria, a mãe de Jesus.
MARIAZINHA: Está vendo como os escritores sabem escolher! (Fala, olhando para a boneca)
ESCRITOR: "Maria, como a açucena, toda a beleza resume; como a açucena ela tem um coração de perfume.
Toda a terra se ilumina com as auroras de Maria. Sem a luz que delas vêm, que negro o mundo seria!
Assim as rosas de paz, de esperança e de alegria, quando florescem em nós, vêm dos olhos de Maria."
MARIAZINHA: (Aplaudindo.) Que bonito, escritor! É de sua autoria?
ESCRITOR: .Não. É de Olavo Dantas. Agora eu preciso ir, mas pense bem no que eu disse. O importante é o seu sentimento.
MARIAZINHA: Obrigada.
(Sai o escritor.)
CENA III
(Atrás de biombos — painéis de madeira ou tecido, com suporte no chão —, estão o pintor, o músico e a bailarina, vestidos a rigor. Um em cada painel.)
MARIAZINHA: (Falando com a boneca.) Que palavras bonitas, não é mesmo, Lila? (Espaço de tempo.) Ah! você não pode me responder. Eu preciso pensar mais um pouco num gesto original. Talvez num presente original.
(O pintor se aproxima de Mariazinha.)
PINTOR: Olá, Mariazinha!
MARIAZINHA: Oi, pintor. Que bom vê-lo por aqui.
PINTOR: Precisa de alguma ajuda?
MARIAZINHA: Eu preciso, mas sinceramente não sei se pode me ajudar.
PINTOR: Quer aprender a desenhar?
MARIAZINHA: Gostaria, mas até eu aprender vai demorar muito tempo.
PINTOR: Por que tanta pressa?
MARIAZINHA: Procuro algo original para presentear minha mãezinha.
PINTOR: Um retraio dela. Eu poderia pintar. Veja o que eu estou fazendo. (O pintor mostra uma pintura de mãe, inacabada. )
MARIAZINHA: Está bonita a pintura. Entretanto, gostaria de eu mesma fazer alguma coisa.
PINTOR: Para você aprender levará algum tempo. Procure então algo bem simples que terá um grande significado.
MARIAZINHA: Foi o mesmo que me disse o escritor. Pensei que tivesse outra sugestão.
(Aproxima-se o músico)
MÚSICO: Quem sabe uma bela canção!?
MARIAZINHA: Você sempre animado. Sempre cantarolando...
(O músico, com qualquer instrumento musical em suas mãos, poderá apresentar um número ao vivo, ou em gravação, acompanhado dos demais.)
MÚSICO: Eu mesmo posso ensiná-la a cantar ou mesmo a compor.
MARIAZINHA: Sinceramente, não tenho esse dom, músico. Eu bem que gostaria de cantar bonito, de escrever uma música toda especial.
MÚSICO: Uma canção simples. Não se preocupe com a interpretação. Sua mãe ficará contente com uma homenagem pura e singela.
MARIAZINHA: Será que é isso que eu quero?
MÚSICO: Somente o seu coração poderá resolver.
PINTOR: Podemos sugerir, sem influenciá-la. Você é quem deve decidir. Aquilo que mais a agradar, você poderá fazer.
(Aproxima-se a bailarina.)
BAILARINA: Mariazinha, talvez uma dança seja a solução. Basta escolher a música e o tema para dançar.
(Música de fundo, a bailarina treina uns passos.)
BAILARINA: Veja como é fácil. (Mariazinha deixa a boneca no chão e tenta uns passos desajeitados.) Uma melhorada, e você estará ótima.
MARIAZINHA: Eu não sou bailarina. Ficaria feio uma imitação. Você tem a leveza das bailarinas.
BAILARINA: Para homenagear as mães vale um sacrifício. E este é tão pequeno. ..
PINTOR: O importante é transmitir alegria, esperança e a felicidade de ter a presença da mãe.
MÚSICO: É louvar suas horas de dedicação, de sofrimento, de trabalho para o engrandecimento do ser humano.
BAILARINA: É mais importante que pintar, cantar, dançar. É o amor-doação que transforma os corações maternos, diante da gratidão de seus filhos.
(Saem o pintor, o músico e a bailarina.)
CENA IV
(Dos painéis saem os anunciantes com frases escritas em tabuletas sobre venda de produtos para as mães.}
ANINCIANTE 1: Temos todos os produtos que farão sua mãe a mais bela do mundo.
ANINCIANTE 2: Os nossos artigos são de primeira qualidade. Tecidos importantes para sua mãezinha tão querida.
ANINCIANTE 3: Diante de um presente tão caro, não haverá mãe que resista!
MARIAZINHA: Como vocês são barulhentos! Eu aqui pensando em uma homenagem original, sendo ajudada por amigos, e vocês vêm perturbar a minha concentração.
ANINCIANTE 1: Para que tanto espanto? Com uma jóia o problema será resolvido!
ANINCIANTE 2: Em pequeninas prestações pagas pelo papai!
ANINCIANTE 3: Troque o que de velho há em seu lar, que o sorriso da mãe será e-terno.
MARIAZINHA: E vocês pensam que minha mãe é de trocar o velho pelo novo, apenas por um sorriso?
ANINCIANTE 1: Panelas que nunca enferrujam!
ANINCIANTE 2: Jogos de cristais, que brilham mais que o Sol!
ANINCIANTE 3: Um aparelho de tevê em cores, que os artistas parecerão estar em sua própria casa!
MARIAZINHA: Vocês não pensam nas pessoas que não podem comprar seus produtos?
ANINCIANTE 1: Precisamos vender.
ANINCIANTE 2: Pensamos naqueles que podem pagar.
ANINCIANTE 3: As mães serão felizes também com nossos produtos. E para as vendas crescerem precisamos anunciá-los.
MARIAZINHA: O Dia das Mães não foi criado com essa finalidade. É um dia de ternura, de amor, de compreensão.
ANINCIANTE 1: Sim, concordamos, mas ficará melhor unindo o útil ao agradável.
MARIAZINHA: Só que muitos acabam se esquecendo do verdadeiro sentido deste dia, acabam-se as emoções, e tudo vira uma troca de presentes.
ANINCIANTE 2: Não dramatize tanto. Mesmo com presentes as emoções permanecem, e não podemos apenas pensar em sentimentos.
MARIAZINHA: Deveriam pensar exata-mente em sentimentos e emoções, por isso estou em busca de um agradecimento original.
ANINCIANTE 1: O que vai comprar?
MARIAZINHA: Nada. E podem ir embora. Convença aqueles que perderam o verdadeiro sentido do Dia das Mães. Eu, não!
(Saem os anunciantes. Mariazinha pega sua boneca e volta a conversar com ela.)
CENA V
MARIAZINHA: Está mesmo difícil encontrar um gesto que represente o meu grande afeto e reconhecimento por mamãe.
(Entra Quinho, um órfão.)
QUINHO: Mariazinha, como vai?
MARIAZINHA: Bem. E você?
QUINHO: Eu estou bem. Lá no orfanato todos me tratam com carinho. E posso até mesmo andar pela vizinhança para conversar com meus amigos. Mas você está preocupada com alguma coisa?
MARIAZINHA: Um pouco. É que estou procurando uma forma bem original para homenagear minha mãe. Vieram o escritor, o pintor, o músico, a bailarina. Li os anúncios. Porém, ainda não me decidi.
QUINHO: Com tudo isso e você não encontrou nada?
MARIAZINHA: Encontrei, mas não é o que eu quero.
QUINHO: Eu só desejaria ter uma mãe para poder homenagear. Eu sei que as tias do orfanato me tratam como filho, mas não conheci minha mãe.
MARIAZINHA: E eu preocupada em ser original, diferente...
QUINHO: Além do mais, nós todos temos uma mãe especial, presente de Deus. É a mãe natureza. Ela nos dá tudo. Num de seus poemas São Francisco afirma que a natureza representa as mães que estão no mundo e que por ele passaram e deram a vida por seus filhos.
MARIAZINHA: Você é muito original, Quinho.
QUINHO: A mãe natureza faz com que
todos sejam irmãos:
"O irmão Sol, a irmã Lua.
As quatro estações do ano.
As irmãs estrelas...
A irmã água, o irmão fogo,
fonte de calor".
(Entram os outros: escritor, pintor, músico, bailarina, anunciantes. Estes fazem somente figuração)
ESCRITOR: "Nossa irmã, a Terra maternal."
PINTOR: "As árvores, ervas, frutas, flores, cheias de aroma e tintas de mil cores."
MÚSICO: "O irmão vento, o ar, a nuvem, o orvalho... firmamento."
BAILARINA: "A luz que gera o dia, e o esplendor de toda a glória..."
MARIAZINHA: Quinho, você me deu uma grande ideia: as emoções. Não é preciso procurar, basta deixar que as emoções transmitam os nossos sentimentos.
QUINHO: Diga apenas muito obrigada. Diga por mim, também, porque acredito que cada mãe do mundo seja a minha mãe.
(Os dois se abraçam e termina a peça.)
 

 

FONTE WEB Teatro para catequese

 

Diversos: