CENA
I
Cena (mesa
grande, Jesus na ponta, João do seu lado e Judas do outro, mais os dez discípulos.
Todos estão comendo; a certa altura Jesus fala):
Jesus :
Em verdade, em verdade vos digo que um dentre vós me trairá (todos ficam
perturbados, começam a falar entre si).
Discípulo
I :
Acaso sou eu Mestre?
Discípulo
II :
Serei eu o traidor? (Pedro faz um sinal para João)
João :
Quem é Senhor?
Jesus :
É aquele a quem eu der um pedaço de pão molhado (molha e entrega a Judas).
O Filho do Homem vai, como está escrito a seu respeito; mas ai daquele por
intermédio de quem o Filho do Homem for traído. Melhor lhe fora, se jamais
tivesse nascido.
Judas
:
Acaso sou eu Mestre?
Jesus :
Tu o disseste! O que pretendes fazer, faze-o depressa. (Judas sai). Chegou a
hora em que o Filho do Homem será glorificado por Deus e que a glória de
Deus é revelada por meio dele. E Deus o fará agora mesmo. Meus queridos discípulos,
logo eu deixarei vocês. Por isso, deixo para vocês este mandamento.
Grupo canta:
(Novo Mandamento - nº 94 TP)
Jesus :
Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, pelo amor que tendes uns
com os outros (Jesus toma o pão, abençoa, parte na metade e dá aos discípulos
que o repartem entre si). Tomai, comei, isto é o meu corpo, oferecido por vós,
fazei isto em memória de mim. (Toma o cálice, dá graças e distribui aos
discípulos que bebem dele). Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue.
Este é o cálice da nova aliança no meu sangue, derramado em favor de vós,
para remissão dos vossos pecados, fazei isto, todas as vezes que o beberdes,
em memória de mim (e acrescentou). Em verdade vos digo que, desta hora em
diante, não beberei deste fruto, até aquele dia em que hei de beber de novo,
no Reino de Deus. Levantai-vos; vamos para o Getsêmani!
CENA
II
Local :
Getsêmani (Alguns discípulos (7) ficam num lugar; Pedro, Tiago e João em
outro e Jesus em outro).
Jesus :
Fiquem aqui e vigiem comigo em oração; vigiem para que não entrem em tentação.
(Jesus se afasta, ajoelha-se e ora em alta voz, enquanto isso, os discípulos
ficam orando e durante o transcorrer da cena deitam-se para dormir).
Jesus :
Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice de sofrimento. Porém, não
seja feito o que eu quero, mas o que tu queres. (Vai até os discípulos) Será
que vocês não podem vigiar comigo nem ao menos uma hora? Vigiem e orem, para
que não sejam tentados. O espírito está pronto, mas a carne é fraca.
(volta para o lugar de oração).
Jesus :
(orando) Meu Pai, se este cálice de sofrimento não pode ser afastado de mim
sem que eu o beba, seja feita a tua vontade. (Jesus vai até os discípulos,
mas estes estão dormindo novamente...) Meu Pai, s possível, passa de mim
este cálice; mas seja feita a tua vontade. (se levanta, vai até os discípulos
e diz:) Vocês ainda estão dormindo e descansando? Olhem, chegou a hora, e o
Filho está sendo entregue nas mãos dos pecadores. Vejam, aí vem chegando o
que está me traindo (chegam Judas e os soldados armados com paus, lanças,
tochas).
Judas
:
(aproxima-se para beijar a Jesus) Salve Mestre!
Jesus :
Amigo, para que você veio? Com um beijo você trai o Filho do Homem? (Jesus
é preso pelos soldados e fala:) Diariamente, estive convosco no templo, e não
pusestes as mãos sobre mim. Esta, porém, é a vossa hora e o poder das
trevas.
Soldado :
Vamos levá-lo até Pilatos (levam-no com violência; os discípulos fogem).
CENA
III
(Jesus
perante Pilatos; todos se acomodam, há bastante confusão...).
Pilatos :
O que vocês querem?
Grupo :
Pegamos este homem fazendo subversão entre o nosso povo, dizendo e incitando
o povo a não pagar impostos ao imperador. Ele também disse que é o Messias,
um novo Rei.
Pilatos :
Você é o Rei dos Judeus?
Jesus :
Tu o dizes. O meu reino não é deste mundo. Se ele fosse deste mundo, os meus
seguidores lutariam para eu não ser entregue aos judeus. Não, o meu reino não
é deste mundo. Foi para anunciar a verdade que eu vim ao mundo. Quem é da
verdade ouve a minha palavra.
Pilatos :
Não vejo nenhum motivo para condenar este homem.
Grupo :
Ele está causando desordem entre o povo de toda a Judéia. Começou na Galiléia
e agora chegou aqui.
Pilatos :
Se este homem é da Galiléia, Herodes deve julgá-lo. Soldados, levem-no até
Herodes.
CENA
IV
Herodes :
(cheio de satisfação) Finalmente terei oportunidade de ver este homem. Faz
muito tempo que tenho vontade de vê-lo fazer um espetáculo com um dos seus
milagres. Agora, vou prová-lo - Ei, faça algum milagre para eu também crer
em ti! (Jesus calado). - Quem é você? Você tem poder? Pode fazer milagres?
Conheceu João Batista? Você é filho de Deus? Você não responde...
soldados, ponham nele uma capa de luxo e o mandem de volta para Pilatos...
CENA
V
(Jesus
perante Pilatos).
Pilatos :
Aproximem-se os líderes... Vocês me trouxeram este homem, e disseram que
estava fazendo subversão. Pois eu já lhe fiz perguntas diante de todos vocês
e não encontrei nele nenhuma culpa disso de que vocês o acusam. Herodes também
não encontrou nada contra ele, e por isso o mandou de volta para nós. Assim,
é claro que este homem não fez nada que mereça a pena de morte. Vou mandar
castigá-lo com chicotadas e o deixarei ir embora.
Grupo :
Se soltas a este, não és amigo de César.
Pilatos :
Como é o costume do vosso povo, devo soltar um prisioneiro por ocasião da
festa. Aqui tendes Jesus e Barrabás! A quem quereis que eu vos solte?
Grupo :
Solta-nos Barrabás! (todos) Barrabás!...
Pilatos :
Mas Barrabás é um criminoso; um assassino. E este Jesus, nenhum mal fez! O
que farei com ele?
Grupo
:
Crucifica-o! Crucifica-o! Crucifica-o! Crucifica-o!
Pilatos :
Mas que crime fez ele? Não vejo nele nada que mereça a pena de morte! Vou
mandar castigá-lo com chicotadas e depois o soltarei.
Multidão :
Nada disso! Crucifica-o! Crucifica-o! Crucifica-o! Crucifica-o!
Pilatos :
Soldados! Quero que soltem a Barrabás. Depois peguem a Jesus e o castiguem
bastante; talvez assim o povo tenha pena dele e o deixe ir em paz. (soldados
batem em Jesus, cospem, colocam coroa... Jesus é apresentado à multidão...).
Multidão :
Este sofrimento não basta! Queremos vê-lo crucificado! Crucifica-o!
Pilatos :
(Lava as mãos) Bom, estou inocente deste sangue; façam dele o que vocês
quiserem! (o povo vibra. Colocam a cruz sobre Jesus e começa a caminhada para
o Gólgota).
(Jesus é
crucificado; o povo e líderes se alegram; os amigos choram e Jesus fala):
Jesus :
Pai, perdoa-lhes. Porque não sabem o que fazem!
Soldados :
A roupa dele é nossa; vamos lançar sortes para ver quem vai ficar com a túnica
(fazem sorteio).
Povo :
Salvou os outros, a si mesmo se salve, se de fato é Cristo de Deus, o
escolhido. (silêncio, Maria se aproxima chorando, junto com João).
Jesus :
Mulher, eis aí o teu filho. (virando-se para João) Eis aí tua mãe.
(saem
Maria e João; fundo musical).
Jesus
:
Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste? (....) Tenho sede.
Soldado :
Tens sede? Tu já vais beber. (toma um pouco de vinagre; Jesus rejeita).
Jesus :
está consumado! Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. (barulho)
MENSAGEM
(O corpo é
tirado da cruz e colocado no túmulo e fechado com o selo de Pilatos; os
soldados se colocam ao lado dele e o anjo se prepara para remover a pedra...).
Mulheres :
Já é domingo. Vamos até o túmulo, prestar a última homenagem ao nosso
querido Mestre. Vamos embalsamar seu corpo... Quem será que vai nos ajudar a
remover a pedra que fecha o túmulo?
(enquanto
ela fala, ouve-se um barulho, o anjo remove a pedra e as mulheres se
espantam).
Anjo: (as
mulheres olham para dentro do túmulo que tem apenas lençóis...). Não vos
assusteis. Sei que buscais a Jesus; porque buscais entre os mortos ao que
vive? Ele não está aqui, mas ressuscitou.
(mulheres vão
embora. Maria fica).
Maria
Madalena :
(chorando) Agora, nem o corpo dele está aqui; onde o puseram?
Jesus
:
Mulher, porque choras? A quem procuras?
Maria
Madalena :
Se tu o tiraste, dize-me, onde o puseste?
Jesus
:
Maria!
Maria
Madalena: Mestre!
(se ajoelha e adora; se levanta e diz para o público): CRISTO VIVE! ELE
RESSUSCITOU! ELE É O NOSSO SALVADOR!
(música)