Teatro Cristão

ENCONTRANDO-ME
Marcos Alexandre Dornelles da Silva - E-mai

DRAMATIS PERSONAE
Protagonista: Luiz Paulo – jovem de 20 anos
Diretor de teatro + cinco componentes do grupo de teatro
Líder da coreografia + cinco componentes do grupo de coreografia
Vocalista + cinco componentes do ministério de louvor

FIGURINO
21 CAMISAS PRETAS
21 CAMISAS AZUIS
21 CAMISAS VERMELHAS

Cena 1

Grupo de louvor, vestido de camisas vermelhas, entra em cena, como se fosse uma apresentação normal. Convidando o público a louvar, o grupo um cântico.

    O grupo de louvor repete quatro vezes o cântico. Quando tiver na quarta repetição, o grupo de coreografia (vestido de camisa preta) entra em cena, junto com o grupo de louvor, que ainda está em cena cantando. A sonoplastia do grupo de coreografia (que dança misturado ao grupo de louvor) é executada ao mesmo tempo que o cântico entoado pelo grupo de louvor de maneira confusa. Um backing vocal do grupo de louvor (Luiz Paulo), ao ver o grupo de coreografia, tira sua camisa vermelha, tendo por baixo uma camisa preta, aderindo então ao grupo de dança. O louvor prossegue, mesmo em meio à apresentação do grupo de coreografia. Então, entram dois membros do grupo de teatro (vestidos com camisas azuis), encenando também junto às apresentações dos grupos de louvor e de coreografia. O grupo de teatro impostará as vozes de modo a se fazer ouvi,  mesmo com toda essa bagunça.

Personagem 1 – Eu preciso me encontrar. Não quero passar a vida inteira sem me encontrar.
Personagem 2 – Então se encontre com Cristo, que você vai passar a se conhecer melhor.
Personagem 1 – Cristo? Quem é Cristo.
Personagem 2 – Ué?! Você não conhece a história de Cristo? Então observe essa encenação.
    Entram quatro personagens. Um representando Jesus Cristo, crucificado, andando com a cruz nas costas, sendo chicoteado por outros três, também com camisas azuis, mas com elmos na cabeça para caracterizar os soldados romanos. Luiz Paulo, que tinha aderido ao grupo de coreografia, agora adere ao grupo de teatro, tirando sua camisa preta e tendo por baixo uma camisa azul. Ele coloca um elmo e começa a chicotear “Jesus”. Tanto a cena do grupo do teatro como as perfomances dos grupos de louvor e de coreografia vão acontecendo ao mesmo tempo. Um diretor entra em cena e interrompe de súbito as apresentações. Os grupos de louvor e de coreografia sentam.

Diretor – Pára tudo! Pára tudo! Gente, isto aqui está uma bagunça.
Personagem 1 – Claro, né?! O Luiz Paulo não decide em qual grupo ele quer ficar.
Personagem 2 – Também sou da mesma opinião. Ele tem que se definir. Se ele continuar nos três grupos, não vai dar certo. Ele pode até estar fazendo parte de vários ministérios, mas ele não está dando conta do recado.
Luiz Paulo – Gente, eu não tenho culpa de ser versátil.
Personagem Cristo (Diogo) – Você se acha versátil? Você está querendo mesmo é assobiar e chupar cana ao mesmo tempo!
Luiz Paulo – Caramba, Diogo. Logo você, que está fazendo o personagem do nosso salvador, julgando-me desse jeito.
Personagem Cristo (Diogo) – Não estou julgando segundo a aparência, mas pela reta justiça. Todo mundo está percebendo que você está querendo é se exibir.
Luiz Paulo – Exibir?! Olha aqui, acho que você agora pegou pesado!

    Luiz Paulo parte para cima de Diogo. Diogo também não deixa por menos e encara Luiz Paulo. Os “soldados romanos” e os dois personagens tentam apartar a discussão dos dois. Em meio a gritos de impropérios, o grupo de coreografia, a partir desses gritos, apresenta uma coreografia contemporânea como se estivessem proferindo insultos ao público. Após esses movimentos, no final da música, o grupo de coreografia carrega começa de repente a fazer uma performance, acompanhada por uma música. Quando o grupo de coreografia faz isso, o grupo de teatro senta, junto com o grupo de louvor, observando. Já Luiz Paulo não. Ele se intromete na coreografia e tenta acompanhar, de modo desajeitado, os passos da dança. Só que ele acaba derrubando todo mundo. Agora é a líder da coreografia (que também é dançarina do grupo) que interrompe a performance.

Líder da Coreografia – Gente... Nós ensaiamos tanto essa coreografia. Por que aconteceu isso?
Dançarina – Claro! O Luiz Paulo não fica parado do jeito que tem que ficar.
Líder da Coreografia – Luiz Paulo, você ficou depois da hora ensaiando com o pessoal?
Luiz Paulo – Mara, não deu. Eu tinha ensaio com o pessoal do teatro.
Dançarino – Olha aqui, gente. O Luiz Paulo tem que se decidir. E já não é a primeira vez que isso acontece.
Dançarina – Sem contar que ele, de vez em quando, deixa a gente na mão, pois tem vezes que a apresentação do grupo de coreografia é no mesmo dia que a apresentação do grupo de teatro.
Luiz Paulo – Ai, eu não agüento mais essa pressão.
Dançarino – Meu filho, dois proveitos não cabem dentro de um saco.
Dançarina – É verdade. Você quer abraçar o mundo com as mãos, Luiz Paulo.
Luiz Paulo – Gente, eu consultei o Senhor. Ele me disse que eu poderia, sim, fazer parte de vários ministérios.
Dançarino – Se ele tivesse lhe dito isso, você estaria dando conta do recado.
Luiz Paulo – Você está duvidando da minha intimidade com Deus.
Dançarino – Não foi isso que eu quis dizer.
Luiz Paulo – Ah, para mim chega. Quer saber? Eu vou embora, pois o ensaio do ministério de louvor já começou!

O grupo de louvor outro cântico. O grupo de coreografia senta. Luiz Paulo vai se aproximando do grupo de louvor. Ele pega o microfone, para cantar como backing vocal. Entretanto, Luiz Paulo dá uma desafinada gritante no refrão. A vocalista e os músicos se entreolham. Luiz Paulo continua. A vocalista não se contém, nem os músicos, que param de tocar.

Vocalista – Poxa, Luiz Paulo!

    O grupo de coreografia se levanta.

Grupo de coreografia – Poxa, Luiz Paulo!

    O grupo de teatro se levanta.

Grupo de teatro – Poxa, Luiz Paulo!
Vocalista – Se encontra, Luiz Paulo!
Grupo de coreografia – Se toca, Luiz Paulo!
Grupo de teatro – Se manca, Luiz Paulo!

    Luiz Paulo, triste, porém resignado, desce do púlpito, pega três faixas que estão nas cadeiras com os seguintes dizeres:
VAIDADE
CELEBRIDADE
RIVALIDADE

    Luiz Paulo dá uma faixa para cada representante dos grupos, de modo que os cartazes fiquem visíveis ao público. Luiz Paulo então desce do palco e senta no banco junto ao público.

Representante do grupo de coreografia – Luiz Paulo, eu posso saber o que significa isso?
Luiz Paulo – Ué? Vocês não emitiram a opinião de vocês sobre mim? Agora eu emiti a minha opinião sobre vocês.
Representante do grupo de teatro – Que não tem capacidade profere inverdades!
Luiz Paulo – Inverdades? Então vamos ver na prática se isso que eu demonstrei é uma inverdade. Depois vocês reclamam que existe um grande número de crentes que ficam esquentando banquinho.

Vocalista – E é para vocês, crentes que esquentam banquinho, que vamos mostrar o nosso potencial!

    O a vocalista entoa o cântico “Jesus” (aquele que fica repetindo a palavra “Jesus” inúmeras vezes), simultaneamente à performance do grupo de teatro (que encena uma pantomima) e o grupo de coreografia (que acompanha a música do grupo de louvor com passos de danças exagerados, de modo a se exibir). Os grupos travam uma espécie de disputa para ver quem aparece mais, querendo ficam mais a frente, de modo a se ostentarem numa espécie de rivalidade. A cantora exagera no vibrato, os atores exageram na encenação e os dançarinos exageram nos passos de dança. Então, uma menina de doze anos, que estava no grupo de coreografia e não concordava com atitude dos componentes dos grupos, se aparta deles e, num cantinho, canta a seguinte música, do Ministério Toque no Altar:

Eu não preciso ser reconhecido por ninguém 
A minha glória é fazer com que conheçam a ti 
E que diminua eu pra que tu cresça senhor   mais e mais 
E como os serafins que cobrem o rosto ante a ti 
Escondo o rosto pra que vejam tua face em mim 
E que diminua eu pra que tu cresça senhor   mais e mais 
No Santo dos Santos, a fumaça me esconde só teus olhos me vêem Debaixo de tuas asas é meu abrigo, meu lugar secreto      
Só tua graça me basta e tua presença é meu prazer

    Os três grupos vão parando aos poucos de fazer o que estão fazendo, reparando na cantoria da menina. Ela continua a cantar. Enquanto isso, os grupos vão se arrependendo de sua atitude exibicionista, sentando e refletindo. Depois de terem caído em si, eles trocam uns com os outros as camisas, tirando-as e dando-as para outros componentes de outros grupos (por baixo, estão camisas de outras cores que não sejam a de cada um [quem está vestido de vermelho, tem por baixo uma camisa preta e outra azul; quem está vestido de preto, tem por baixo uma vermelha e outra azul; quem está de azul, tem por baixo uma preta e outra vermelha]) e se abraçando. Quando a menina percebe a atitude altruísta dos grupos, vai até Luiz Paulo e o traz para frente dos três grupos. Eles então percebem que dever ir além da atitude deles de trocar camisas com os outros grupos. A vocalista, a líder da coreografia e o diretor de teatro pegam, cada um, uma camisa de cor diferente e entregam para Luiz Paulo, vestindo-o.


Luiz Paulo – Estão arrependidos? Não foram vocês que insinuaram que eu não sirvo para fazer parte de nenhum dos grupos? E será que de fato vocês perceberam que quem tem o desejo de servir pode fazer parte de qualquer que seja o ministério?
Vocalista – Percebemos sim, Luiz Paulo. Mas as pessoas devem atentar melhor qual é de fato o dom quem há em si para que possa servir melhor ao Senhor.
Luiz Paulo – Então vocês ainda estão colocando em dúvida a minha intimidade com o Senhor.
Diretor de Teatro – Não é isso, Luiz Paulo. Só queremos lhe propor que você exerça uma função que dê para você conciliar a sua participação nos três ministérios, ou de quantos ministérios que você queira participar. Queremos lhe pedir para que você crie condições para fazer a obra com zelo, e não de qualquer maneira.
Líder da coreografia – Também concordo. Já que você sente no coração que você deve fazer parte de vários ministérios, por que você, aqui no grupo de coreografia, não nos ajuda na assistência de direção das marcações dos passos! Que tal?
Vocalista – E aqui no mistério de louvor, você pode compor músicas...
Diretor – ...e escrever textos teatrais para o nosso ministério.

Luiz Paulo reflete por uns instantes e conclui.

Luiz Paulo – Já sei o que vou fazer! Vou exercer a função de conselheiro!
Todos – Conselheiro?
Luiz Paulo – É, conselheiro. Descobri que quem vê de fora, vê melhor, pois tem uma visão privilegiada. Os grupos de arte das igrejas precisam de pessoas para exercer essa função, pois só assim, com uma pessoa olhando de fora, é possível detectar algumas situações ridículas pelas quais esses grupos às vezes passam.
Diretor de teatro – Como assim “situações ridículas”?
Luiz Paulo – Por exemplo, os grupos de arte da nossa igreja. Está na cara que vocês estão preocupados com a qualidade mais para rivalizarem entre si do que para louvar e engrandecer o nome do Senhor.
Líder da coreografia – É qual seria a solução?
Vocalista – É. Vamos, Luiz Paulo! Dê o seu primeiro conselho para gente, provando-nos que isso tudo que você está sugerindo realmente é necessário.
Luiz Paulo – Bom, para início de conversa, para acabar com essa rivalidade, é necessário que vocês realizem um evento juntos. Só assim vocês terão a sensação de que todos formam um corpo só. Com essa estratégia, vocês vão eliminar a noção de “eu” de cada grupo. O egoísmo não se encontra apenas no indivíduo, mas também em grupos fechados.
Vocalista – Poxa, Luiz Paulo... Eu não sabia que você era bom nisso.
Líder da coreografia – E é só isso que a gente tem fazer?
Luiz Paulo – Sim, por enquanto é só. Entretanto, isso já é um passo considerável para que os grupos formem de fato um só corpo para louvarem ao Senhor. Não é necessária a junção dos grupos para sempre, mas de vez em quando sim, não somente para dar fim a essa cultura de “panelinha”, mas para que um ministério aprenda com o outro. O grupo de louvor pode extrair do grupo de coreografia o aprendizado sobre a postura de palco. O grupo de coreografia pode aprender com o grupo de teatro a expressão facial. O grupo de teatro pode aprender com o grupo de louvor a noção de conjunto. E por aí vai...
 Diretor de teatro – Bom, e como seria esse evento que unisse os três grupos?
Luiz Paulo – Vocês se lembram daquela música que o grupo de louvor cantou, o grupo de coreografia dançou e o pessoal do teatro usou como sonoplastia.
Vocalista – Sim.
Luiz Paulo – Então. Para exercitar essa união, nada melhor que um fator em comum, pois vocês já se apresentaram usando uma mesma música. Só que agora vocês podem usá-la de modo simultâneo, pondo em prática a noção de harmonia entre ministérios, que podem ser diferentes quanto a forma, mas têm o mesmo propósito, que é o louvor ao Senhor.
Líder da coreografia – Claro!
Vocalista – Eu gostei muito da idéia!
Diretor de teatro – É, mas na teoria é tudo muito bonito. Agora eu quero ver na prática.
Luiz Paulo – Ora, diretor. Não seja pessimista. Deve haver um começo. E se o que falta é a prática, então vamos praticar. Vamos lá. Um, dois três...

O ministério de louvor começa a cantar a música “Dono da verdade”, sendo acompanhado pela dança do grupo de coreografia e por uma pantomima do grupo de teatro (encenando o batismo de Jesus com João Batista), todos em perfeita sincronia.

Dono da verdade
Quero diminuir para Deus crescer então
Sou tão precioso quando sei reconhecer
Que sou um só corpo e careço de Deus
O Seu grande amor me fez sorrir e renascer

Eu preciso do rei que eu tenho intimidade
Que é o dono da verdade pra justiça aplicar            2X

Só o meu Senhor para me mudar
Transformando o meu coração                           2x

Fim
Glória a Deus

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