Cenário – Uma família muito rica reunida para o
almoço – pai, mãe, filha, filho e empregada –
falam de sua importância na sociedade, o destaque,
alcançado, a inveja que os assola, o sucesso nos
negócios, ...
Mãe – Joana, pode servir o almoço. (a empregada
põe a mesa e presta atenção à conversa)
Pai
– Querida, nem parece que já é Natal outra vez. Que
época enjoada. Chega o fim do ano. Contas para pagar por todos
os lados. Aquele bando de empregados que quer o 13º
salário, pensa em feriadão... e eu aqui só pagando
... Os clientes querem presentes, agrados, convites. Sem falar naqueles
maldito amigo secreto. Quanta falsidade ...
Filho – Por falar em presente ... Velho, lembra daquela moto?
Todos os meus amigos morreriam de inveja.
Pai
– Moto com 14 anos? A bicicleta importada que te dei está
ótima.
Filho – Credo, pai! Bicicleta é coisa para os filhos dos
teus empregados, aqueles pobretões que não se cansam de
pedalar. Acreditam em exercício físico que faz bem para a
saúde.
Mãe – É verdade! Nós somos da alta
sociedade, temos uma imagem de bem sucedido. Muitos gostariam de estar
no nosso lugar.
Pai
– Que se ralem como eu. Quer uma moto? Trabalha e compra com o
teu dinheiro.
Filha – Calma! Devagar! Eu também tenho uns pedidos.
Não posso fazer feio diante do meu namorado. O Fredy, filho do
seu maior concorrente, iria pensar o quê? Que não somos
tudo o que aparentamos.
Mãe – É verdade! Os nossos filhos são e
têm mais que os outros, portanto tem que mais é mostrar
tudo que podemos fazer. Imagina perder para aquele bando de invejosos.
Pai
– Será que não tem coisa mais interessante para
fazer que impressionar os outros comprando coisas.
Empregada – Eu estou ansiosa com a chegada do Natal. Meus
irmãos vêm me ver. Vamos a um programa lá na igreja
do bairro e depois, em casa, a ceia é feita com aquele prato de
doces e salgados que cada um traz. É hora de matar a saudade.
Nisto alguém bate à porta. O carteiro entrega um
telegrama.
Carteiro – Um telegrama. Assina o recebimento por gentileza.
Filha – Pois não, obrigada! ( abre o envelope e lê a
mensagem) Prezada Família Mendonça, hoje, às 20h,
Jesus jantará em vossa companhia.
Mãe – Viram só a nossa importância?
Até Jesus sabe que somos importantes e escolheu a nossa casa
para passar o Natal. Isto é o máximo! É a
glória! Minhas amigas vão morrer de inveja.
Filho – Jesus? Quem é? Nunca esteve em nossa casa.
É algum empresário ou político importante.
Filha – Mano! É aquele da Bíblia que dizem veio
para salvar os pecadores. A história é antiga, as pessoas
já nem acreditam mais.
Mãe – Jesus é Deus e Deus na minha casa é o
máximo. Preciso preparar uma bela ceia: peru, nozes, vinho fino,
doces caramelados. Não posso esquecer de nada. Um arranjo de
Natal, o pinheiro com luzes coloridas ...
Enquanto todos se preocupam em providenciar tudo para a grandiosa noite
... entram alguns jovens que questionam o público.
1
– Você já ouviu falar de Jesus Cristo, o Salvador do
Mundo?
2
– O Filho de Deus que veio para trazer a certeza da
salvação para todas as pessoas que têm fé e
seguem os seus ensinamentos?
3
– Aquele menino que nasceu em Belém há 2000 anos.
Foi perseguido por reis porque anunciava a verdade, a possibilidade de
salvação. Dizia que as pessoas deviam temer a Deus e amar
o próximo?
4
– Você, meu amigo, minha colega, você já ouviu
falar de Jesus? Você já parou para ouvir a sua
história? Você já contou a história de Jesus
para alguém?
5
– O quê? Você tem vergonha de dizer que acredita em
Jesus, que tem fé? Você se esconde para não falar
da maravilhosa obra de Jesus?
A família volta para a sala de jantar e prepara tudo para receber Jesus.
Empregada – Este Jesus deve ser muito importante. Com tanta
despesa e gastos para apenas uma janta. Que exagero para receber um
cara chamado Jesus. Se é o Jesus verdadeiro, aquele lá de
Belém, vai ficar muito decepcionado. Ele era simples, pregava a
humildade, perdão, solidariedade.
Pai
– Será que Jesus é pontual? Não posso perder
tempo. Ainda tenho algumas providências para tomar. A
fábrica não pode parar. O prejuízo seria enorme.
Filho – Se ele é tão importante como dizem, deve
chegar na hora.
Filha – Estou curiosa. Será que ele tem um papo legal?
Nisto alguém bate à porta e a empregada atende. Entra um mendigo e pede uma ajuda.
Mendigo – Peço por caridade um pedaço de pão ou um dinheirinho para comprar algo para comer.
Filho – Hoje não tem pão. Estamos esperando um
convidado, a pessoa mais conhecida no mundo e não podemos perder
tempo com mendigo.
Bêbado – Com licença! Preciso de ajuda, pois minha
família me abandonou e não tenho onde dormir...
Filha –Lugar de bêbado é na sarjeta. Escolheu este
caminho agüenta. Vire-se do jeito que dá.
Doente – Por piedade, estou muito doente. Preciso comprar
remédios e o meu dinheiro não chega. Sei que vocês
têm muito.
Mãe – Hoje não dá. Estamos esperando uma
visita importante.
Pai
– Mas justo hoje me aparece tudo que é traste para
pedir coisas. Deveriam se preocupar em ganhar dinheiro, trabalhar
prá valer e não encomodar os outros
Empregada – (dirige-se ao público) Eles não
conhecem Jesus. Nunca conseguiram entender a mensagem de
salvação, amor e fraternidade.
O carteiro novamente chega para entregar uma carta e é interrogado pela mulher.
Mãe – Você nos trouxe a notícia de que Jesus
viria jantar em nossa casa. Preparamos tudo e ele ainda não
chegou. Estamos decepcionados com ele.
Carteiro – Ele já esteve aqui e vocês o mandaram
embora. Você não receberam o mendigo, o bêbado, o
doente. Era a oportunidade de fazer aquilo que Jesus mais ensinava ao
seu povo há 2000 anos atrás e continua nos ensinando: ama
a Deus acima de tudo e ama ao teu próximo como a ti mesmo.
FIM
Celeste
Dummer
Este texto faz parte do livro “A sala encena”
lançado em agosto de 2006. Resultado de um trabalho de
vários anos com alunos de 5ª à 8ª
séries.