PERSONAGENS: Narrador/a, José, Maria, Antônio, Rita, Filha,
Alfredo, Luiz, Anjo, 2 Lavradoras, 2 Lavradores.
CENA I
(Um grupo de homens trabalhando na roça; entre eles está
José, casado com Maria).
NARRADOR - Quando Deus criou as pessoas, queria que vivessem unidas,
em paz com as outras. Até chegou a criar as pessoas a sua imagem,
do jeito que Deus é, porque queria que todas fossem seus filhos
e suas filhas e que fossem irmãos e irmãs entre si.
Mas logo as pessoas se desviaram do caminho de Deus. Não queriam
ser do jeito que Deus é.
Se apegaram na ganância, gostaram mais seguir o rumo do egoísmo,
onde cada um pensa em si mesmo.
E nesse rumo, a morte fala mais alto do que a vida. A exploração
fala mais alto do que a comunhão, a união.
Uns não confiam nos outros; há desentendimento em tudo
o que é lugar, na linha, na comunidade, na família...
Por isso, hoje devemos nos perguntar: Qual é a mensagem que o
natal nos quer trazer? Será que sabemos ouvir e entender a mensagem
do Natal?
JOSÉ - (Descansa a enxada e abana o rosto com chapéu).
É, gente, nosso trabalho ainda vai longe. E parece que o sol
está querendo castigar desde cedo.
ALFREDO - (Ele e os outros também descansam a enxada). Se fosse
o sol que castigasse a gente... A gente enfrenta tantas dificuldades.
É trabalho e mais trabalho. Cada dia parece que aumenta.
LUIZ - Ruim é quando dá doença, como aconteceu
lá em casa. O menino adoeceu e tivemos que levá-lo para
a rua. A mulher até ficou com ele lá no hospital. Pra
dinheiro não to ligando, não. Só quero que o menino
fique com saúde outra vez.
JOSÉ - É aquele que vai no ensino Confirmatório?
LUIZ - É ele mesmo. Foi de repente que ele adoeceu. Ta fraquinho,
descorado. Parece que é ver-me. Mas com remédios ele fica
bom outra vez.
JOSÉ - É, a gente acha que verme não tem perigo,
mas ele pode até matar. E aí a gente deve controlar, porque
Deus quer que a gente zele de nossas crianças.
ALFREDO - Mas é... Quando é mesmo que nós temos
cultos? Não é amanhã?
LUIZ - É sim. Vamos fazer uma força para poder ir. É
sempre bom a gente se reunir em comunidade, se encontrar com os outros:
parar um pouco para pensar na Palavra de Deus.
JOSÉ - Só que não vale muito só pensar na
palavra de Deus. A gente precisa praticá-la, vivê-la. Toda
a vida da gente tem que ser de acordo com a Palavra de Deus.
ALFREDO - Eu também penso assim, José. No nosso trabalho
na roça, em casa, em todos os lugares. Por isso é bom
a gente viver unidos também com os outros, com todo o povo, com
todo aquele que luta igual a gente.
LUIZ - É isso aí. É unidos que vamos para frente.
A desunião só enfraquece a gente. (Entra as mulheres em
cena. Maria casada com José, e sua irmã trazendo a bóia).
LUIZ - Opa! Chegou a bóia. Já estava sentindo até
falta. (Senta em circulo para o almoço. Enquanto isso, Luiz dá
uma olhada nas panelas). Um dia feijão com arroz, outro dia é
arroz com feijão...
MARIA - Eu penso em toda essa gente que gostaria de ter esse feijão
e arroz. Mas do jeito que vi-vem na míngua, nem feijão
tem cada dia. Quantos operários e operárias, pessoas trabalhadoras
existem por aí a fora, que pagam caro pelo feijão e arroz
que nós temos à vontade na roça. E ganham salários
que não dá nunca pra comprar um terreno, fazer uma casinha.
Não tem onde plantar uma fruteira, ter uma horta...
JOSÉ - Pois é Maria! Eu fico triste quando vejo que vai
ser este o futuro de muitos lavradores e lavradoras que hoje estão
vendendo a terra. Estão entregando o lote que conseguiram com
tanto suor. Vão acabar ficando nestas beiradas de cidades do
jeito que você falou (olha para Maria), ou então vão
ser peão na terra que já foi sua. (Depois do almoço
voltam todos a trabalhar, também Maria e sua irmã).
ALFREDO - Vamos pegar minha gente. Tem muito trabalho pela frente. (Vão
trabalhar e fala o narrador).
NARRADOR - Gente que trabalha, gente que luta... Quanto suor já
derramaram nesta terra para dela tirar frutos... frutos que fartam a
fome das crianças.
Maria e José estão tentando, como muitos outros, construir
o futuro juntos. José e Maria estão no começo.
Têm muita coragem, muita esperança que teve o povo de Deus,
quando era escravo no Egito. É a esperança de ser livre,
de ter uma terra que fosse sua.
Em Êxodo, cap. 3, lemos que Deus viu a aflição do
seu povo, quando estava no Egito. E ouviu o seu clamor por causa daqueles
que os pisavam. Deus conhece o sofrimento do seu povo; Por isso, o livrou
da mão do Rei do Egito para fazer esse povo ir para uma terra
boa. Deus olha para o povo que sofre. Entre Reis e poderosos, no Egito,
Deus escolheu os que menos eram e mais sofriam: os escravos. Deus libertou
seu povo. Até jogou praga sobre os Egípcios, porque não
queriam deixar o povo de Deus livre. Deus fez as águas do mar
vermelho secar para que seu povo pudesse passar e destruir os policiais
que viam perseguindo o povo.
E os levou para a terra prometida. Nesta terra estava a esperança
do futuro como povo.
Maria e José, e como muitas outras pessoas, também continuam
tendo esperança...
E mais uma dia passa, mais um dia de trabalho, luta. (Todos vão
saindo devagar).
Mas todos levam consigo a esperança de poder erguer um futuro
bom, de um mundo bem, onde todos e todas novamente poderão viver
em comunhão, em paz, onde um sabe respeitar o outro a imagem
de Deus.
(Música: Para dar tempo à arrumação do palco
ou então cantar um hino).
CENA II
(Maria se ocupa com diversas tarefas: escolher feijão e arroz
para o dia seguinte. José vai deitar).
JOSÉ - Boa noite, Maria. Vou deitar.
MARIA - Boa noite, José.
(Maria trabalha mais um pouco e senta-se a mesa e lê em voz alta
Lc 1.46-56. Pode ser dito alguma coisa sobre o texto).
CENA III
(Outra família de roceiros. A mulher Rita está em casa
mexendo nas panelas, olhando de vez em quando a criança que está
doente com vermes. Chega o marido Antônio da roça. Larga
as ferramentas, entra em casa, toma água e senta no chão).
ANTÔNIO - Está desanimada, Rita?
RITA - E não é para estar? Com tantos problemas, tanta
preocupação; a criança doente e sem jeito de sair.
A consulta está cara, os remédios mais caro ainda. E desde
quando a gente tem dinheiro para pagar hospital? É triste. E
a gente é para animar, agüentar...
ANTÔNIO - Pois é, mulher! Mas imagina agora com tantas
dificuldades nós ficar sem reagir, ficar sem um jeito de melhorar.
É preciso reunir as forças. José e Maria parecem
que conseguiram um pedacinho de terra lá pra frente (Belém).
Já foram para lá para ver se começam à derrubada
para segurar a terrinha... Coitados, naqueles matos, sem estradas. Começar
lá do início, tudo de novo. O café que formaram
aqui ficou pro outro. Eu admiro a coragem deles.
RITA - Não é fácil, não. Se me lembro do
jeito que começaram aqui... tantas dificuldades... Vida de pobre
é assim mesmo... Jogado de um lado para o outro. Lá fora
a propaganda daqui era boa, que tinha muita terra e facilidades para
viver, FACILIDADES! Tanto é que nossas crianças ficaram
sem escola. O ensino Confirmatório não está fácil
para elas sem saber ler e escrever. (entra a filha e vai falando).
FILHA - Escutei vocês falando que Maria e José mudaram
daqui. É mesmo?
ANTÔNIO - Isso mesmo. Já devem estar chegando lá.
Mas por que você pergunta?
FILHA - É que eram vizinhos tão bons... Eu me dava bem
demais com eles e por isso fico preocupada com a situação
deles.
RITA - É bom se preocupar. Muita gente não olha as dificuldades
dos outros, pensa só em si mesmo, não sabe o que é
amor ao próximo. Isso é o egoísmo das pessoas.
E esse egoísmo vai se espalhando sempre mais e o povo fica sempre
mais desunido. Aqui na redondeza de Jerusalém não dá
mais para viver. Bem lá no fundo, o povo tem cabeça de
grande. E essa mania de grandeza vai sempre mais diminuindo o amor ao
próximo.
FILHA - Mãe, eu preciso aprender um canto para o ensino Confirmatório.
(Filha vai buscar o livro de cantos e cantam a canção.
Enquanto cantam, termina a cena).
CENA IV
(É noite. Lavradores e Lavradoras se encontram num lugar novo
- lote perto de Belém).
LAVRADORA 1 - É! Nosso barraco de lona quase não agüenta
chuva. To com medo que esta noite dê um temporal.
LAVRADOR 2 - É mesmo. O tempo está tão pesado.
Mas também, o calor que fez hoje estava demais.
LAVRADORA 1 - E olha daquele lado ali... Que clarão é
esse? Relâmpago é que não é.
LAVRADORA 3 - Na derrubada que fizemos logo que chegamos tá dando
um milho bom. Temos que dar um jeito de fazer uma tulha para guardar
esse milho. Estava até pensando que dava para trocar um dia de
serviço com um de vocês, porque vou estar muito no apuro.
LAVRADOR 2 - Olha até que podia, amanhã não dá,
mas semana que vem. (Dá um barulho e entra um anjo com uma vela
acessa).
ANJO - Não tenham medo. Estou aqui para trazer boas notícias
para vocês. E elas vão ser de motivo de grande alegria
também para todo o povo. Hoje, perto de Belém, nasceu
o Salvador de vocês - Cristo, o Senhor. A prova disso é
que vocês vão encontrar uma criancinha, enrolada em panos
e deitada num cocho.
LAVRADOR 4 - Mas então pessoal! Vamos lá logo para ver
o que aconteceu. O que Deus quer mostrar para nós lá.
(As lavradoras e lavradores vão para Belém).
CENA V
(Maria e José com uma criança em um cocho no palco. Os
lavradores e lavradoras vão entrando em cena meio desconfiadas.
Uma das lavradoras fala).
LAVRADORA 1 - Um anjo nos anunciou uma grande maravilha. Nos disse que
hoje nasceu o Salvador do mundo - Jesus Cristo. Viemos de longe para
vê-lo e adorá-lo.
LAVRADOR 4 - Pois é! O nosso Salvador nasceu aqui no meio de
nós que somos pobres, lavradores e lavradoras, gente humilde.
Ele é o filho de Deus. Ele nasceu aqui, onde tudo é difícil,
sem nenhum conforto...
LAVRADORA 3 - É! Parece que Deus quer mostrar que ele está
junto de nós nessa vida sofrida que temos.
Por isso, nós convidamos todos e todas vocês para se alegrarem
conosco cantando o hino, NOITE FELIZ!
FIM