Teatro Cristão
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Um Homem Só

 

Djohnson Márcio de Lima

 


Roteiro Final

Cena 1 - A família na hora do café:

Nesta cena estará: a família do homem (a mulher, um filho de 17 anos e outro de 10 anos). O homem possui uma situação financeira equilibrada, é diretor de uma grande empresa, tem casa, carro, os filhos estudam em escola particular etc. No entanto, ele não desfruta de alegria no seu lar.
Nesta cena o homem está muito nervoso pois no dia anterior recebera um telefonema da escola informando que seu filho tivera sido pego usando drogas nos fundos da escola. Todos estão muito tensos, pois foram dormir de madrugada discutindo o assunto.
Estão todos à mesa aguardando a descida para o café do filho mais velho do casal.
O homem [irritadíssimo], nem bem espera o filho se sentar e começa a enxurrada de palavras sobre o rapaz. A mãe, serva de Deus com muita classe, procura manter o clima da conversa pedindo calma.
Paulo (o homem) e seu filho mais velho (Caio) discutem inflamadamente. Ele se levanta e agride o filho [um tapa no rosto]. A mãe desesperada separa ambos. O filho, magoado e raivoso, diz que vai embora de casa (o filho menor chora agarrado à mãe). O pai aconselha que "faça isso mesmo" pois "não vai sustentar nenhum filho drogado e vagabundo...".
Caio sai de casa expulso pelo pai. A mãe chora desesperadamente. O homem manda que ela se cale [estupidamente] ameaçando pô-la para fora de casa também. Neste contexto o homem pega um vaso que está mais próximo e o atira em uma parede com muita raiva, praguejando.
No fim da cena o homem pega sua mala e sai muito nervoso e irritado para o trabalho, dizendo para a mulher que não quer mais "ver a cara daquele safado...". A filho menor "sobe" para o seu quarto. Ana (a mulher) é serva de Deus e após a saída do marido, chorando muito enquanto recolhe os cacos do vaso quebrado, ora ao Senhor:
"Deus Pai, Criador de tudo que existe e respira, há treze anos eu Te conheço e durante todo este tempo tenho Te pedido que salves minha família. Senhor, eu sei que Tu fazes tudo a Teu tempo, mas Pai, se é da Tua vontade... salva meu marido. Sei que a Tua misericórdia é tremenda e teu Amor para sempre. Assim, segundo Teu querer, visita ainda hoje meu marido... Não tenho mais forças, Pai, meu filho acaba de ser expulso de minha casa. Tu, mais do que ninguém, conheces o sentimento de ira, revolta e dor que passa por mim agora. Repreende isso Senhor. Dá que minha família seja uma contigo e assim como disse teu servo Josué um dia, diga eu também: '...que eu e minha casa, sirvamos ao Senhor...'. Em nome de Jesus. Amém".
Quando Ana (a mulher) termina de orar, Celeste (uma amiga, "filha na fé" de Ana) entra rapidamente com ar assustado, perguntando o que estava acontecendo pois "desde ontem" ela tem ouvido discussões vindas da casa da amiga.
Ana, ainda desorientada por causa da expulsão do filho, se senta (ajudada por Celeste) e conta em detalhes tudo o que ocorreu, desde quando Caio fora pego na escola até àquela manhã. [esta explicação é necessária para que o público se situe no contexto].
Celeste encoraja a amiga para que as duas saiam a procura de Caio pelas ruas. Ana concorda. Celeste sai. Ana canta um louvor enquanto termina de recolher os cacos do vaso quebrado por Paulo. Ana sai de cena. Fim da cena do café. As luzes de apagam. Troca do cenário para o escritório.
Cena 2 - A chegada de Paulo ao escritório:
Ana, da rua, liga de seu celular para o escritório de Paulo. Marina (a secretária) informa que "o chefe ainda não chegou". Ana deixa um recado com Marina pedindo para que Paulo ligue para ela assim que possível. Marina pergunta o que houve, mas Ana desliga rapidamente o telefone dizendo que está com pressa. Marina resmunga qualquer coisa sobre "o que teria acontecido" pensando o seguinte: "também, com um homem grosso daquele...". Paulo entra bruscamente enquanto Marina ainda está falando.
Paulo continua nervoso. Ao ser saudado pela secretária não responde. A secretária entra em seguida e, mecanicamente, recita a agenda do patrão. Paulo interrompe-a aos gritos, ordenando que não seja incomodado de forma nenhuma e que seus compromissos sejam todos cancelados "pois não vai atender ninguém!".
Marina retorna à sua mesa mas lembra-se de dar o recado de Ana para Paulo. Com cautela ela volta e dá o recado no meio de mais gritos de reprovação de Paulo que afirma que vai "despedi-la se for incomodado novamente!". Marina sai de cena alegando, que vai tirar uma xerox e resmungando consigo mesma sobre o mau humor do patrão.
Paulo, em sua mesa, verifica alguns papéis, mas muito nervoso não consegue se concentrar, e passa a fazer uma retrospectiva de sua vida material e do que tem oferecido à sua família sem recompensa, “refletindo” em voz alta.
Marina volta à cena. Um belo cavalheiro (César) entra na sala de Marina e pede para falar com César. Marina nem olha para o sujeito e diz o seguinte: "o chefe não vai atender ninguém hoje, melhor voltar outro dia." . César insiste e Marina olha para ela pela primeira vez. Ao ver que o rapaz é muito bonito; ela se entusiasma e promete tentar falar com o chefe para que ele atenda César.
Depois de algum tempo falando sozinho e andando de um lado para outro impacientemente, o interfone da secretária interrompe-o. Ele esbraveja para que ela se lembre do que ele disse ao entrar no escritório.
A secretária insiste dizendo que está o aguardando um senhor que se identificou como sendo um velho amigo de faculdade. O homem responde que não tem tempo e ordena a secretária para mandá-lo embora. A mulher responde que o nome do amigo é César e que ele disse que aguarda o tempo que for necessário. Paulo nem mesmo ao ver que se trata de um amigo antigo demonstra interesse em atendê-lo e, gritando com a secretária, bate o telefone.
Marina, intentando vingar-se do grosseiro patrão; finge que ele fora gentilíssimo ao telefone e conduz o amigo (César) até a sala de Paulo, contra sua vontade!
Paulo recebe o amigo, muito agitado e sem jeito, apressando-o para que se sente rapidamente, enquanto fuzila Marina com os olhos (dando a entender que está muito ocupado). O amigo (servo de Deus), por outro lado entra muito calmo e, com voz suave, fala calmamente com o homem, saudando-o e dizendo que soube que ele estava nesta empresa e veio rever um amigo que há muito não via.
Ambos iniciam uma conversa de banalidades. Pouco a pouco Paulo vai se acalmando. Após algum tempo ele pergunta ao amigo como vai a família. César responde que vai muito bem e com uma satisfação perceptível fala brevemente do caçula, dos mais velhos e da esposa.
Quando a pergunta é retribuída por César ao homem, este, agora calmo, mas com palavras rancorosas, conta como estão,seus familiares e faz um breve resumo do incidente ocorrido pela manhã.
O amigo cristão fala ao homem que conhece Alguém que pode ajudá-lo. Paulo, cético e irônico, sugere uma Casa de Reabilitação de Drogados, não acreditando no amigo.
Após acalmá-lo o amigo sugere que vão almoçar juntos, onde apresentará este Alguém. Paulo concorda e pede [com voz calma e irreconhecivelmente educada] para que César o aguarde às 12h30min no "Le Chablis" (o restaurante Francês no Centro). César concorda mas acrescenta que as despesas serão por sua conta. O homem concorda e ambos se despedem com um formal aperto de mão.
Depois que César se retira, Paulo fala com Marina (a secretária) e, elogiando-a, diz [em tom irreconhecivelmente amável] que ela é muito eficiente. Fim da cena do escritório. As luzes se apagam. Troca de cenário para a cena da rua.
Cena 3 - Caio (o filho de Paulo) pela Rua:
Caio, após a discussão com o pai, sai andando pela rua sem destino. [Pessoas circulam para simular uma rua movimentada]. Com a cabeça baixa o rapaz anda como se estivesse enxugando os olhos [chorando visivelmente].
Num dado momento, dois "colegas" do rapaz o encontram na rua e perguntam "o que há, velho?". Caio rapidamente disfarça o choro e começa a falar em gíria com os "manos". Os dois rapazes são na verdade traficantes de drogas e iniciam a conversa perguntando sobre o ocorrido na escola – Caio ter sido pego fumando drogas. Caio fala brevemente de tudo o que aconteceu, omitindo que fora expulso de casa. Diz que não que mais falar sobre isso. Os "amigos" mudam de assunto e começam a falar a respeito de um novo "bagulho" que eles conseguiram, que aquele da última vez era "fichinha" perto deste.
Caio não se demonstra muito interessado e até tenta resistir alegando que não tem dinheiro, mas os "colegas" insistem tanto que ele começa a aceitar a possibilidade de experimentar a nova droga. Quando eles parecem finalmente convencer Caio, entregam um vidrinho com algumas pílulas. Caio reclama que o "bagulho é de tomar?", os dois traficantes confirmam que sim; mas se defendem alegando que a "viagem é muito maior...". Caio timidamente pega o vidro com as pílulas da mão do traficante, olhando desconfiado para os lados. Neste momento, Celeste e Ana (a mãe de Caio) aparecem e gritam o nome do rapaz.
Os dois traficantes percebem a situação de perigo e fogem rapidamente dizendo um para o outro "Sujou! Sujou! A mãezinha do cara veio atrás dele... Vamo embora!". [Só a platéia deve perceber que Caio fica com a droga. Ana não viu nada]
Ana corre ao encontro do filho e o abraça no meio da rua. Caio, espantado (com medo de que a mãe o tenha visto com os traficantes), pergunta o que ela estava fazendo ali. Ela responde que já o procurou em vários lugares e já desesperada resolveu andar pelas ruas e graças a Deus, encontrara o filho. Celeste pede licença (percebendo que ambos querem conversas a sós) e sai de cena.
Findos os beijos e os abraços da mãe, o garoto a separa um pouco e diz que não adianta tentar convencê-lo pois não vai voltar pra casa, que se sente um rejeitado e que os "amigos" da rua são mais compreensíveis que seu próprio pai.
Ana contra-argumenta com o filho, perguntando se ele se lembra de quando era pequeno, como o pai o tratava com carinho. O filho responde que depois que o Fernandinho (o filho mais novo do casal) nasceu que o pai mudara, não ligando mais para ele. "E depois", acrescenta, "meu pai não liga pra ninguém, mãe. Só pro dinheiro e pros negócios dele... Não tá nem aí para a família. Quando foi a última vez que ele lhe deu flores, mãe?"
A mãe tenta contornar a situação como pode, pois no fundo sabe que as palavras do filho são verdadeiras. [Neste momento cessa a circulação de "pedestres" na "rua" para focar a atenção nos dois] Dando as costas para o filho ela começa a se lembrar de como o marido era mais carinhoso, mais humano, mais cuidadoso com sua própria casa [Ana fala com a voz emocionada]. A mulher, porém, não querendo enfraquecer o filho ainda mais e sendo Filha de Deus, cita a passagem "..em tudo dai graças...".
Caio percebe a mãe visivelmente emocionada mas, para não piorar mais a situação, tenta mudar de assunto pedindo à mãe que não recomece com esta estória de "crente" de novo. A mãe [virando-se na sua direção] lhe lembra de quando Caio freqüentava a igreja e ia à escola Dominical com muito gosto.
O filho se esquiva o quanto pode, dizendo que Jesus não se lembrava mais dele. Ana rebate e após relembrar alguns momentos da vida do rapaz, diz-lhe que o Senhor a havia mandado naquele lugar atrás dele pois sabia que os traficantes iriam procurá-lo [Caio se espanta ao perceber que Deus dissera à sua mãe quem eram aqueles rapazes], por isso Jesus se importava.
Convencido de que algo realmente avisara sua mãe e já não suportando mais a pressão de seus problemas, Caio finalmente esvai-se em lágrimas. [Virado de costas para não encarar a mãe nos olhos]. Entre soluços ele confessa que se drogou porque queria que o notassem, "o pai não ligava pra ele, a mãe sempre ocupada com a 'Fernandinho' [fala em tom cínico o nome do irmão] na Igreja e ele? Não sobrava nada? Quantas vezes ele quis o colo do pai não interessava quão crescido estava, ele se sentia uma criança indefesa ainda, queria o pai..." Quanto à mãe, o rapaz argumenta que não pode cobrá-la muito pois sabia que ela também sofria com tudo aquilo. [Ana abraça o filho que chora compulsivamente].
Ana diz que ama Caio e que sabe que o Senhor vai dar uma solução para isso. Ela não sabe como mais sabe que Deus está trabalhando. [Caio entre os braços da mãe, com a voz abafada, grita que "quer o pai!"]. Ana acalmando o filho, sugere que saiam da rua e que vão para a casa. O rapaz responde que sim, mas avisa que vai sair antes do pai chegar e que vai dormir na "casa da Tia Maria", pois não quer ver o pai. A mãe concorda, abraça e dando um beijo carinhoso no filho sai de cena abraçada com ele. Fim da cena da rua. As luzes se apagam.
Cena 4 - A profecia sobre Jesus (a voz de Isaias): Isaias 53:2-12
Quando a profecia acabar [abrir cortinas], o palco deve estar livre e pronto. Uma mesa de restaurante deve estar no centro do palco [o amigo e o homem estão na mesa] o palco deve estar invisível para a platéia [cortinas fechadas].
Cena 5 - No restaurante
Paulo já está em cena, sentado à mesa. César chega depois e é conduzido pelo “Maitre” até a mesa de Paulo [o “Maitre” ajuda César a se sentar, pois o restaurante é francês].
César desculpa-se pelo pequeno atraso alegando que o trânsito fora o culpado. Paulo compreende e adiantando-se informa a César que já pediu um bom vinho para ambos. César se desculpa e recusa a oferta do amigo alegando que prefere um suco de laranja. Paulo estranha, alegando que César "não era assim". César diz que mudou e confirma seu pedido de suco diretamente ao “Maitre”. Paulo estranha, mas educadamente compreende o amigo.
Paulo ansioso começa o assunto perguntando onde estava o "amigo que César dissera que ia apresentar?".
César o acalma dizendo que em breve Paulo iria conhecê-lo e começa perguntando se Paulo conhece Jesus. O homem demonstra um certo interesse pelo assunto (por educação), reconhecendo que de fato já ouviu alguma coisa a respeito no "catecismo". Paulo pede ao amigo que continue, pois pelo menos, alega, vai distraí-lo um pouco, perguntando ao amigo se este Jesus que ele acabou de falar realmente nasceu e como nasceu.
O amigo por sua vez, sem perder tempo, lembra ao homem que é óbvio que Jesus nasceu, explicando que o próprio calendário é regido pela data de seu nascimento. César começa a contar como foi o nascimento de Jesus.
O homem após o amigo terminar de contar [o “Maitre” pessoalmente deve estar servindo as bebidas], pergunta-lhe o seguinte: “pra que Jesus nasceu afinal, pois”, ele alega, “estamos todos vivos afinal, e que quando se morre adeus, já era... Ninguém leva nada da Terra mesmo...".
César concorda com Paulo no tocante a não se levar riquezas para a cova, mas explica que pode haver uma Vida Eterna ou uma 2ª Morte (Ap 20:14), então começa contando, como o homem se perdeu em Adão (Rm 5:14) e como o Senhor, desde o principio, planejou resgatá-lo do pecado através de Jesus (Is 49) alcançando até nós os gentios [neste ponto, o amigo começa a contar a Parábola dos Lavradores Maus, uma parábola que o próprio Jesus ensinou, acerca de como o plano de salvação foi estendido até nós].
O amigo pergunta ao homem se ele entendeu a parábola [ambos devem conversar enquanto almoçam]. O homem responde que não entendeu muito bem e o amigo explica que o dono da vinha é Deus, a vinha é o mundo, os lavradores eram os judeus, o filho do dono da vinha é o Senhor Jesus, que veio salvar e foi morto por isso, e pelos próprios lavradores, ou seja, o próprio povo de Israel; por este motivo a Salvação foi estendida a todos, pois o próprio Povo de Deus rejeitou Jesus, o Filho.
O homem pergunta qual a importância que isso (a extensão da Salvação a todos) tem na sua vida? E o que afinal vem a ser essa Salvação? Salvar-se do quê? (R1: Rm 3:23, 10-18 e R2: Rm 6:23 -> R1: Todos pecaram, por isso precisam de Jesus e sem Ele não há Salvação e R2: Salvação da morte eterna [citar versículo], da 2ª morte.)
O amigo o acalma respondendo as perguntas e explica que no Filho, em Jesus, há "vida e vida em abundância" [o trecho grifado é uma frase chave e deve ser dita com bastante ênfase para que o público se lembre dela na última cena], que para se salvar basta aceitá-Lo pela fé (João 3:36) como seu Único Salvador e retornar a Deus, pois é o único jeito...
Paulo pergunta se Deus pode aceitar um homem que foi capaz de matar Seu Filho Jesus e andar longe d'Ele, praticando tudo o que Ele odeia? Ou seja, se Deus realmente se importa com o pecador? [acrescenta dizendo que ele mesmo não perdoaria]
Para responder, César conta [brevemente] a parábola do Filho Pródigo (Lucas 15:1-32).
Após terminar, César fala a Paulo, que é assim que Deus está pronto através de Jesus Cristo a perdoar aqueles que estão longe do Caminho.
Explica que, o pai na parábola representa Deus que, independente de Amar muito o filho, permite que ele saia de sua casa e busque o que quiser, "já o filho aqui, [continua César] somos nós, a humanidade, que temos o péssimo hábito de querer sair de debaixo dos cuidados de Deus. No entanto, o Senhor Deus está pronto a nos receber de volta e se alegra ao ponto de fazer festa quando nos voltamos a Ele".
César continua explicando que Jesus vai voltar um dia, conforme prometeu [cita o trecho bíblico], levará todos os que o receberam e julgará e condenará os que o rejeitaram. [o celular de Paulo toca]
É Ana ao celular. [Ana deve estar em um ponto do palco que tanto ela como Paulo esteja visível enquanto conversam por telefone] Paulo atende asperamente à mulher perguntando o que ela queria. Ana [pelo telefone] fala alguma coisa sobre Caio. O homem se irrita mais ainda ao ouvir o nome do filho e esbraveja, esmurrando a mesa. O amigo à mesa se assusta. Sob os gritos de Paulo, Ana consegue dizer, desesperada e aos berros, que "Caio passou mal e está internado!". Ela está no hospital em que o filho está. Paulo se desespera. Seu tom de voz muda para uma voz mais fraterna "meu filho..." sussurra ele enquanto a mulher continua o relatório [muito nervosa e com um tom de voz firme], explicando que foi atrás dele e levou-o para casa, mas ao entrar no quarto do garoto o viu caído no chão com um "vidrinho" nas mãos. Ana explica que correu com ele para o "Hospital Albert Einstein" [ou outro hospital particular e caro].
Paulo tem pressa em desligar o telefone e retorna ao diálogo com César, meio desorientado, mas mesmo assim informa o ocorrido ao amigo, dizendo-lhe que seu filho mais velho estava internado com suspeita de "overdose".
Paulo desculpa-se rapidamente dizendo que precisa correr [levantando-se subitamente da mesa] para o hospital e rapidamente lembra ao amigo que ele "não apresentou o alguém que poderia ajuda-lo como prometeu.".
O amigo lhe responde: "Como não... Só falamos de Jesus e do plano de Salvação. Jesus é o Alguém que ele gostaria de apresentar. Jesus, aquele que pode solucionar todos os problemas... Inclusive o problema que seu filho está passando agora".
Paulo fica muito irritado com o amigo, pois acha que César tratou seu problema como pequeno e lhe fala: "meu filho no hospital, quase morrendo e você vem com idiotices. Pensei que este almoço era para falar de algo sério, não de religião..." [o homem deve falar em tom áspero e seco, apontando o dedo na direção do rosto de César].
César ainda tenta dizer-lhe algo mais Paulo o interrompe dizendo ter "mais o que fazer" [atirando o guardanapo de pano na mesa] e, ainda, que "esperava que um amigo que ele não via há tanto tempo e tão intimo lhe desse uma solução e não uma aula de teologia" [apontando, de novo, acusadora e ameaçadoramente o dedo para o amigo], pede licença e sai apressado, praguejando muito [o Maitre observa assustado]. César [sem graça com a situação] ainda chama o homem pelo nome, mas ele nem lhe dá ouvidos...
Assim que o homem sai do restaurante as cortinas se fecham e as luzes se apagam com César tentando chamar Paulo de volta, imediatamente após as cortinas se fecharem. Ouve-se o barulho de uma freada, seguido de uma batida... César grita desesperadamente o nome de Paulo.
Cena 6 - Ganhar o mundo inteiro...
Um locutor lerá Mateus 16:24-28. A intenção aqui é causar a impressão de que a peça acabou.
Cena 7 - Quinze dias depois, no hospital
Quando a ação for reiniciada, o cenário deve ser o de um quarto de hospital. Paulo deitado na cama, com aparelhos ligados. A família ao seu redor (Marina e Celeste também estão presentes). Ana está com ares de ter chorado muito pois está muito abatida. Os filhos estão junto de Paulo segurando sua mão [todos olhando para o homem e ficam em silêncio por alguns segundos, deixando-se ouvir o barulho da máquina do coração. Celeste conversa com Marina num canto isolado do Palco, fazendo gestos como os de que não vê esperanças para Paulo].
Fernandinho (o filho mais novo) quebra o silêncio perguntando à mãe se o pai ficará ali por muito mais tempo. Ana responde que não sabe precisar e que o Médico ficou de passar ali, para dar mais informações.
Celeste, ouvindo o diálogo, vai até Ana e pergunta se a amiga não quer ir para casa descansar um pouco já que estava no hospital desde o acidente, há quinze dias. Ana agradece a atenção de Celeste, mas repetindo o que acabara de dizer para Fernandinho; diz que prefere ficar pois o Médico ficou de passar hoje para trazer o resultado dos exames.
Nesta hora Caio começa chorar e diz que foi culpa dele, pois se ele não tivesse feito aquilo, o pai não estaria ali... Se não tivesse usado drogas... Se não tivesse passado mal... A mãe o interrompe [larga o caçula e corre na direção de Caio] dizendo que não foi culpa de ninguém e que Deus sabe o que faz... [fala isso com a voz trêmula, quase chorando].
Neste momento o Médico entra. Ana corre ao seu encontro, deixando os filhos [os dois seguem a mãe mais lentamente, e se posicionam a seu lado], e lhe pergunta qual é o quadro. O médico a pega pelos ombros e, segurando-a, diz muito cautelosamente que infelizmente não há muito que fazer. Ocorreu um traumatismo craniano durante o atropelamento, o que causou um aneurisma (uma bolha de sangue), pois a pancada na cabeça foi muito forte (Paulo foi arremessado a quase 10 metros!), danificando parte do tecido cerebral [a mulher chora compulsivamente enquanto o médico fala]. Infelizmente, diz o médico, ainda que ele saia do coma em que está, o cérebro foi muito afetado e que ele perdeu todos os movimentos, e viverá como um vegetal dependendo completamente de alguém para tudo.
Todos começam a chorar. Caio fica de constas para o público, apoiando-se na parede, desolado. Fernandinho se agarra à mãe. Ana é consolada pelo médico. Celeste abraça Ana temendo que ela desmaie.
Após alguns segundos o médico sugere que todos se retirem, pois não é possível a permanência dentro do quarto por tanto tempo. Ana pede para ficar um pouco mais e que já vai sair. O médico compreende e, guiando os filhos dela para fora, sai de cena, deixando Ana a sós com Paul. [Todos se retiram chorando e olhando o homem... O filho o beija na mão, como que pedindo a benção]
Ana olha para o corpo imóvel do marido e fala com uma voz pausada e embargada pelas lágrimas:
"Paulo, não sei se você me ouve... mas... eu sei o que quero dizer agora... Sabe, meu querido, eu o amo muito, sempre o amei... Durante todos estes anos, eu sempre orei por você e por mais que você nunca aceitasse, eu sei que Deus o ama muito... Eu não entendo qual é o plano de Deus nisso, mais sei que Ele está cuidando de você... [começa a fazer carinho nos cabelos de Paulo] Olhe, o médico disse que você vai ficar aí pra sempre. Eu não acredito nele [começa a chorar]. Em todos estes anos eu tenho crido num Deus que pode tudo. Sabe, Ele abriu um mar inteiro certa vez, curou pessoas, transformou água em vinho, multiplicou pães e até ressuscitou mortos... Você não está morto, meu querido, sei que Deus vai cuidar de você..."
[Ana começa a orar como se continuasse a conversar com o marido]
"Senhor, Pai Santo... Não sei qual é o Teu plano nisso... Não entendo os Teus caminhos, Senhor... Mas Sei que Tu estás tomando conta do Paulo... Pai, ele é meu marido, o pai de meus filhos. Eu o Amo, Senhor. Não pode ser que o inimigo vá levá-lo sem que ele Te conheça... Eu não aceito isso! Por isso, Senhor, eu creio que Tu vais restaurá-lo... Guarda-o, Senhor... Mesmo aqui, Pai, no leito de morte, manifesta a Tua glória. Pra que todos aqui saibam que Tu és Deus. Para que todos, Senhor, percebam que eu não tenho servido um Deus morto, mas ao contrário, um Deus vivo que dá vida em abundância... Em nome de Jesus. Amém!"
[Ana abre os olhos e olha para o marido, dizendo]
"Eu te amo Paulo, eu te amo meu querido..." [Ana beija Paulo na testa e sai do quarto lentamente]
O quarto fica vazio. Ao sair Ana as luzes começam a se apagar com fade out [uma música deve entrar agora... O quarto não deve ficar totalmente escuro, uma luz muito suave deve estar focada de forma a parecer a luz da noite]. Sucedem-se alguns segundos de música. Uma enfermeira entra no quarto para medir a pressão de Paulo. Ao sair, balança a cabeça como quem acha o homem um coitado sem esperança.
A música vai abaixando [atenção para que a letra da musica não seja cortada] e uma luz muito forte vai se formando dentro do quarto, seguida de uma voz forte e firme com eco [a voz do Senhor Jesus], que chama pelo nome do homem duas vezes pausadamente, ao que o homem, como que acordando de um sono profundo, responde perguntando “quem está aí?”
A voz continua e se identifica. Logo após chamar Paulo duas vezes, a voz fala as palavras de Ap. 22:12-17 e Ap. 3:20-22.
Após isso, a luz some, o quarto se ilumina com a luz normal do quarto, que é acesa pelo médico que vem averiguar o que está acontecendo, pois ouviu um barulho. O médico fica tão surpreso ao ver o homem completamente são sentado sobre a cama que sai gritando pela enfermeira.
Após o médico sair, entram a mulher e os filhos [Caio fica num canto do quarto, tímido]. Ao ver o marido são, Ana cai de joelhos e agradece ao Senhor pelo milagre. Paulo, num voz fraca ainda e mansa chama Ana para perto de si. Ele explica para Ana que conheceu o Senhor Jesus, que ele esteve no quarto e falou com ele e que o curou por completo. Paulo diz olhando nos olhos de Ana que tinha razão, que Deus existe e que O ama. Paulo pede perdão a Ana por tudo quanto fizera [ele deve falar de alguns momentos em que negligenciou o amor da mulher e pedir perdão. Caio está olhando a reconciliação do pai de longe].
Paulo pára e fica em silêncio por alguns segundos. Depois baixa a cabeça e fala ao filho, pausadamente e chorando:
"Filho, eu errei. Hoje eu conheci o Deus dos deuses e Senhor dos senhores, Jesus, o Filho de Deus, e Ele veio aqui e me mostrou o quanto me Ama. Ele me curou, filho. Eu estava me sentindo horrível, sozinho, confuso, e Jesus me salvou. Com isso Ele me mostrou o quanto eu era medíocre e mesquinho."
Paulo lembra de alguns momentos da infância de Caio, como ele (o pai) se orgulhava quando ia aos estádios assistir ao futebol com Caio nos ombros e todos o elogiavam. [Paulo deve acrescentar momentos de situações que ele e Caio poderiam ter passado juntos não fosse a estupidez e a cegueira dele mesmo].
Paulo conclui: "Assim, filho... será que você pode me perdoar, porque eu, talvez nunca lhe disse isso antes, mas... eu te amo, filho...Eu tenho muito orgulho de você, Caio!"
Paulo ergue os braços em direção ao filho, como que esperando um abraço. O Filho abaixa a cabeça por um instante e, chorando, fala ao pai:
"Pai!" [Paulo abaixa os braços] "...Eu também quero lhe pedir perdão, eu também me sentia sozinho. Você não falava comigo, não conversava... Quando eu era menor você sempre estava comigo, me falava tudo, me ensinava... Eu fiz aquilo pra chamar a sua atenção. Só queria que você me notasse... Eu queria lhe falar isso antes, mas não conseguia... Havia um muro enorme que nós acabamos de destruir... [faz uma pausa] Eu te amo pai... Eu te amo muito... Você é meu melhor e único amigo!" [Caio corre a abraça Paulo]
Paulo estende a mão para a mulher [César entra no quarto agora. Ao perceber que a família está num momento íntimo ele pára e fica observando a cena de longe. Ninguém no palco percebe sua presença, entretanto, César deve-se fazer notar claramente pelo público]. Ana o abraça também [todos estão chorando]. O homem diz à mulher e aos filhos que os ama muito e que "de hoje em diante o Senhor é o Senhor de sua vida, da sua casa, da sua família e que nada, nem ninguém, vai impedir que ele sirva a esse Deus tremendo".
Paulo conta rapidamente que no dia do acidente havia estado com César e como ele havia fala do de Jesus. "Hoje,", diz Paulo, "hoje eu sei o que é ter Vida..." [é interrompido por César que continua a frase:] "... e Vida em abundância, Paulo. Vida em abundância!". [Assim que terminar de falar, César caminha na direção de Paulo para abraçá-lo. Ao mesmo tempo as cortinas devem estar fechando]
FIM

Lista de Personagens

Paulo, o homem só
Ana, a esposa
Caio, o filho de 15 anos
Fernandinho, ofilho de 10 anos
Celeste, a amiga de Ana
Marina, a secretária de Paulo
César, o amigo de Paulo
Traficante #1
Traficante #2
O Maitre
O Médico
A Enfermeira
A voz de Jesus
A voz do profeta Isaias

Todos os Direitos Reservados a Djohnson Márcio de Lima (c) 1999. Este não é um material de Domínio Publico. Não é permitida e reprodução em qualquer tipo de meio de comunicação sem a expressa autorização do Autor. É permitida a reprodução para fins de ensaio. É permitida a apresentação pública apenas se não houver qualquer tipo de cobrança de ingressos. Mais detalhes acesse www.djohnson.cjb.net ou mande email para master@djohnson.cjb.net. Deus abençoe!
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