Cena 1
Uma menina foi incumbida de escrever o texto teatral de Natal para sua
igreja. Ela entra em cena com papéis, uma caneta e uma Bíblia,
preocupada com o fracasso de sua missão.
Escritora – Meu Deus! Está chegando o Natal! Estou encarregada
de escrever o texto e está me faltando inspiração
como nunca faltou. Estou na maior dúvida quanto ao que escrever!
Não sei se convém apresentar para a Ministra do Teatro algo
tradicional ou se faço algo inovador, como por exemplo: o “Natal
da Família Buscapé”. Não acho que iria escandalizar
os espectadores que vem à casa do Senhor nessa época para
poder aprender mais sobre o nascimento de Jesus. Ah, como é angustiante
minha situação. (pára uns momentos pensativa e, num
insight, tem uma idéia) Já sei! Eu posso conciliar as duas
coisas. Posso contar a estória do nascimento de Jesus, sem desrespeitar
as origens das peças natalinas com uma pitada de inovação,
como as bênçãos de Deus que se renovam a cada dia.
Então vejamos, tá tudo aqui. Papel, caneta, inspiração
e o que é mais importante: a Bíblia, a palavra de Deus.
Bom, vou começar a peça com uma cena bem convencional. O
encontro do Anjo Gabriel com o Sacerdote Zacarias, o pai daquele que preparou
a o caminho do Senhor Jesus.
A menina continua escrevendo no canto da cena, enquanto que ao seu lado,
Gabriel e Zacarias contracenam, exprimindo o que está sendo escrito
pela menina no papel.
Zacarias – Ah, que honra é exercer o sacerdócio no
templo do Senhor e queimar o incenso como aroma agradável à
sua presença. Isso é um privilégio. Muitos sacerdotes
só puderam fazer isso uma vez na vida. O que me mais me falta acontecer?
Estou muito feliz. O Senhor é muito bom comigo.
Gabriel entra em cena de súbito.
Gabriel – Pois pode se preparar Zacarias, pois a sua alegria vai
aumentar.
Zacarias – (assustado) Quem é você? Como ousa me interpelar
assim desse jeito? Eu sou um sacerdote. Só tenho o privilégio
de atuar dessa maneira duas vezes por ano. Não há mais nada
de igual grandiosidade, como o ofício sacerdotal, que eu posso
estar envolvido nesse momento.
Gabriel – Você que pensa, Zacarias. Eu sou um mensageiro do
Senhor. Um anjo. Vejo sua dedicação na obra de Deus. Só
que chegou a hora de sua oração ser atendida. Não
fique atemorizado. Saiba receber a bênção de Deus
que ama ampliar cada vez mais os laços de amizade com os que o
amam.
Zacarias – E que bênção é essa? Peço
tantas coisas ao Senhor...
Gabriel – Sua esposa, Isabel, terá um filho.
Zacarias – Um filho. Não posso crer.
Gabriel – Por que não, Zacarias. Você, além
de sacerdote, sempre foi um crente fiel nas coisas de Deus.
Zacarias – Mas minha esposa e eu somos velhos demais. Já
estamos satisfeitos com o que temos.
Gabriel – Zacarias, Deus quer o abençoar mais e mais. Não
acha que está querendo limitar o poder de Deus?
Zacarias – Não é isso. O que eu vejo é que
de fato não acontecerá isso, segundo a lógica humana.
É o que eu sinto em dizer-te, mesmo que sejas um mensageiro de
Deus.
Gabriel – Zacarias, isso é o mesmo que duvidar. Pois eu,
além de uma benção do Senhor, também lhe entregarei
uma advertência. Ficará mudo, Zacarias, mudo.
Zacarias – Como mudo. E minha função de sacerdote?
Gabriel – Ora, Zacarias, você não usa só sua
língua para o sacerdócio. Você também fala
para as pessoas sobre como Deus é tão maravilhoso e tão
misericordioso. Mas com uma mente duvidosa, você iria alterar os
fatos. E calado você vai ficar bem, em situação de
espera, para aperfeiçoar a sua fé.
Zacarias – Mas durante o meu ministério?
Gabriel – Sim, Zacarias, será melhor para você.
Gabriel se despede de Zacarias. Este, já estando mudo, sai de cena
após ter orado ajoelhado e através de acenos ao Senhor.
Cena 2
Escritora – Excelente! Para começo de conversa, está
muito bom. Começar uma peça desse jeito é a melhor
maneira de não escandalizar os irmãos. Mas agora...O que
eu farei? Bom, posso acrescentar pantomimas a esta próxima cena.
Pantomima significa encenação apenas através de gestos
e expressões corporais. E a próxima parte é o encontro
de José com Maria, logo após o anjo ter dito que ela teria
em seu ventre um filho gerado pelo Espírito Santo. E para ela contar
para José, seu marido, deve ter sido um momento difícil.
Fazer essa cena com gestos vai ser legal. Um gesto vale mais do que mil
palavras!
Cena pantomímica. Não haverá falas. Apenas a chegada
de Maria relatando, através de gestos que está grávida,
e que o filho foi gerado pelo Espírito Santo. Faz isso apontando
para o céu e acariciando sua própria barriga. José
não entende. Por isso, Maria repete o gesto várias vezes.
Isso entristece José, que fica quieto por uns instantes. Maria
se aproxima de José, que se desvencilha dela, não com estupidez,
mas com delicadeza. Ao se retirar, Maria fica no canto triste por José
não ter entendido. Quando José vai se retirando, Gabriel
bloqueia sua passagem, sendo observado com espanto por José. Gabriel
explica também com gestos que ele é um mensageiro de Deus
e que Maria está grávida do filho gerado pelo Espírito
Santo. Aos poucos, José vai aceitando. Após ter entendido,
José se aproxima de Maria e, também através de gestos,
diz que entendeu e vai cooperar com o que for preciso com sua esposa.
Escritora – Ai...Acho que o público vai entender. Num momento
como esse, suponho que as expressões tanto de José como
de Maria foram mais importantes. No caso de Zacarias não. Era só
gesto mesmo, na real, pois o coitadinho tava mudinho, mudinho! Olha que
idéia maneira! Zacarias também, na próxima cena,
poderia interpretar uma pantomima ao se aproximar pela primeira vez de
Raquel para dizer-lhe o que aconteceu. Humm, que bom, ta nascendo a peça
de natal!
Zacarias chega em casa, sem falar uma só palavra, mas tentando,
através de acenos, se comunicar com sua esposa.
Isabel – Meu marido! Já está em casa? Terminou o seu
ministério? Que bom! Mas por que esse silêncio todo?
Zacarias, através de gestos, explica que não pode falar.
Isabel – Como assim não pode falar. Aconteceu alguma coisa,
Zacarias.
Zacarias aponta para o alto e leva a mão à boca.
Isabel – O que houve, meu senhor. Deus lá do alto lhe enviou
uma mensagem para que você falasse demais para os outros sacerdotes
e, de tanto o senhor falar, você ficou afônico sem poder falar.
Zacarias meneava a cabeça, dizendo que não. Zacarias explicou
novamente, através de gestos, que um mensageiro do céu (fez
isso ao se apoderar de um alforje, simulando a entrega de uma carta que
estava dentro dele, para que sua esposa pudesse entender) disse que sua
esposa ficaria grávida.
Isabel – Zacarias, faça esses acenos um pouco mais devagar
para que eu compreenda o que o senhor quer dizer (interpretando a mímica
de Zacarias) Bolsa...sim o que tem a bolsa. Ah, algo que tem dentro da
bolsa e é entregue....Entregue...Entregar! Ah, não é
entregar? Então o que será? Mensagem talvez. Ah é
mensagem? Semelhante à mensagem? Mensageiro! É mensageiro!
O que tem um mensageiro de Deus? Ele disse para o senhor alguma coisa?
O que ele disse? Prossiga, meu marido, que eu estou entendendo aos poucos.
Zacarias simula um gesto de embalar bebês.
Isabel – Um bebê. Que lindo! Um bebê!
Zacarias agora acaricia a barriga de Isabel.
Isabel – Eu vou ter um bebê! Que bom! Eu vou ter um bebê!
Glórias a Deus. O Senhor me contemplou para destruir meu opróbrio
diante dos homens. E o senhor, meu marido? Também, como eu, acreditou
no que o mensageiro de Deus lhe disse.
Zacarias meneia negativamente a cabeça e coloca sua mão
sobre a boca.
Isabel – Não? E por isso ficou mudo? Não importa,
meu marido. Não será isso que vai acabar com a nossa alegria.
Nossa família é um exemplo de exortação e
promessa de Deus. E Ele vai exercer sua misericórdia para conosco.
Isabel e Zacarias, abraçados, saem de cena.
Cena 3
Escritora – (sorri) E exerceu mesmo. Zacarias mesmo estando mudo
ajudou a confirmar o nome do filho deles. João foi o nome. E mais
tarde, ele seria conhecido como João Batista, o privilegiado de
ter batizado o próprio Senhor Jesus. Ai, meu Senhor Deus... Será
que as pessoas vão compreender o que estou escrevendo. Bom, a palavra
de Deus, em Lucas capítulo 1, versículo 22 mostra que Zacarias
se comunicou através de acenos, e com certeza deve ter dito à
sua mulher o que aconteceu. Bom, chega de gesto! Essa é boa...
Chega de gesto, mas coloca o quê mais nessa peça? Bom, vamos
verificar na Bíblia o que vem agora.(lê a Bíblia)
Maria visita Isabel...O cântico de Maria por estar feliz por está
grávida do Espírito Santo...O nascimento de João
Batista... Zacarias cantando cheio do Espírito Santo... Ai, Senhor,
o que eu faço? (para uns instantes para refletir e...) É
isso. Dois cantos, o de Maria e de Zacarias. Tem que ter a parte musical
da peça. Vou escrever esses dois cantos depois peço para
o meu amigo do grupo de louvor da Igreja colocar música nessa letra...
A menina prossegue escrevendo a peça no canto da cena, quando Maria
entra em cena para entoar o seu cântico, logo após ser seguida
por Zacarias, que também entoa seu louvor ao Senhor.
Cântico de Maria
A minha alma engrandece ao Senhor
Meu espírito se alegrou em Deus,
No meu Deus e meu Salvador que me contemplou
Entre todas as gerações
Sei que me considerarão muito feliz.
E hoje eu louvo ao Senhor.
Vai de geração em geração
Sua misericórdia e compaixão.
O seu braço de valor;
Dispersou quem se rebelou.
Ao soberbo derribou, ao humilde exaltou.
Ao pobre alimentou e ao rico, exortou.
Amparou a Israel, pois o meu Deus é fiel
Foi de Abraão a favor,
E nos amparou.
Cântico de Zacarias
Bendito seja Deus de que está no céu,
Porque visitou e redimiu Israel,
Foi da casa de Davi
Que veio a salvação
Poderosa e plena
Por meio de profetas;
Foi anunciada a promessa
De misericórdia pra lembrar da aliança
E do juramento a Abraão, o nosso pai,
Para nos conceder libertação,
Para adora-lo em amor, em santidade e justiça.
O meu filho foi chamado para ser
Aquele que virá a preceder,
O Messias, o Deus-filho
Preparando-lhe caminhos.
Para dar ao seu povo
O conhecer da salvação e dos pecados
O povo terá a remissão
Graças à misericórdia do nosso Deus
Pela qual nos visitará o sol nascente das alturas
Para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte
E dirigir nossos pés pelos caminhos da sua paz.
Cena 4
Escritora – Bom, está aqui a letra dos cânticos. Depois
eu falo para ele colocar a melodia. (olha para o texto) Pôxa, está
indo. Com dificuldade, mas está indo. O que não pode acontecer
é passar em branco a encenação sobre o natal de Jesus.
Ah como seria bom se as pessoas comemorassem o nascimento de Jesus o ano
inteiro, e não uma vez só por ano. (suspira) Bom, vamos
ver o que vem agora. (lê a Bíblia) Tem o nascimento de Jesus.
Mas eu não vou colocar agora não, pois essa parte eu tenho
que caprichar. Deixa eu ver... Hum, interessante. Tem o encontro com o
anjo Gabriel com os Pastores aqui em Lucas e lá em Mateus (folheia
a Bíblia) tem o encontro com Herodes e os reis magos. (ora) Senhor,
acho que eu vou escrever essa cena com um pouco de comédia, pois
está faltando um pouco de descontração. O Natal é
alegria. Como diz o meu pastor José Armando Sidaco, nós
não comemoramos o funeral de Jesus. Humm... Vou descrever os pastores
com uma simplicidade alegre, bem parecidos com os habitantes e trabalhadores
da Zona Rural...
Os Pastores entram em cena, com seus cajados nas mãos e demonstrando
bastante simplicidade. Logo após, serão surpreendidos com
a chegada súbita do anjo Gabriel, gritando a seguinte mensagem:
Gabriel – Não temais! Eis que trago boas novas de grande
alegria, que será para todo o povo!
Os pastores ficaram muito assustados.
Pastor 1– O que isso, meu Deus do céu? Assombração
numa hora dessa.
Pastor 2 – Ai, só faltava essa! Isso é que dá
a gente ficar tomando sol na cabeça. Já estamos tendo alucinação.
Pastor 3 – Ah, confessem logo que vocês estão querendo
pregar uma peça em mim. Fantasiaram o seu sobrinho de anjo para
me assustar! Olhe aqui, eu não gosto desse tipo de brincadeira
comigo não, estão me ouvindo bem? Estão me ouvindo
bem?
Gabriel – Vocês é que não estão me ouvindo
bem. Será que não percebem que hoje nasceu na cidade de
Davi o salvador que é cristo, o senhor dos senhores.
Pastor 3 – Ih, acho que não é o vosso sobrinho mesmo
não. Essa voz parece de um ser celestial mesmo.
Pastor 2 – Também acho. Quem viria vestido desse jeito aqui
na roça? Só anjo mesmo!
Pastor 1 – Pois eu não estou acreditando que é anjo
não. Tanta gente importante para anjo se comunicar e ele vem falar
logo com a gente, um bando de pastores que a sociedade costuma desprezar.
Nós somos considerados imundos, indignos até de fazer parte
de cerimônias importantes. A sociedade sempre diz que não
somos dignos de confiança.
Gabriel – O que você quer dizer com isso?
Pastor 1 – O que valerá o nosso testemunho se ninguém
confia na gente. Se Deus quisesse que tivesse valor uma mensagem dessa
tão importante, escolheria como ouvintes dessa mensagem outros
membros da sociedade, com bastante crédito na praça, e não
nós, pastores tão simples.
Pastor 2 – É, de certa forma ele tem razão.
Pastor 3 – Também acho.
Gabriel – Não confundam as coisas. O reino do Senhor Jesus
vem para os humildes e necessitados, e não para os auto-suficientes
e abastados. Deus os escolheu como primeiras testemunhas do nascimento
de Jesus pra representar todos os que precisam dele. Além disso,
ele será o sumo pastor das ovelhas perdidas. Ninguém mais
adequado para escutar tal mensagem senão vocês, pastores
e humildes. E se apressem, pois isso lhes será por sinal. Vocês
vão encontrar uma criança envolta em faixas e deitada em
manjedoura.
Pastor 3 – Um rei deitado em manjedoura?!
Pastor 2- Chega de intriga, ô homem. Não vê que esse
que o anjo está dizendo será rei dos humildes.
Pastor 1 –É verdade! Seu anjo, o senhor tem algo mais para
nos dizer?
Gabriel – Tenho sim. Eu não vim sozinho. Olhem para o céu.
Os pastores se deslumbram com a quantidade de anjos que vêem no
céu. Ao fundo, a canção Glória a Deus nas
Alturas. Os refletores farão o efeito dos anjos no céu.
O anjo e os pastores saem de cena.
Escritora – Pronto! Agora falta a cena do Rei Herodes tentando convencer
os magos. Vou manter a mesma linha. E vou descrever um Rei Herodes bem
parecido com alguns figurões de hoje em dia, que tentam convencer
o povo a caírem na sua lábia desonesta. Legal...
Herodes – Podem entrar, meus magos queridos! Podem entrar no meu
suntuoso palácio. Eu, Herodes, o grande rei da Judéia faço
questão de tê-los comigo aqui. Estou sabendo da fama de astrólogo
que vocês têm, trazendo do Oriente bastante conhecimento sobre
essa área do saber.
Mago 1 – É o que dizem. O que nós sabemos perceber
de verdade é o sinal dado por Deus.
Mago 2 – É certo que conhecemos as estrelas e buscamos o
Deus que as criou.
Mago 3 – Mas não somos astrólogos. Nem muito menos
somos feiticeiros praticantes de magia que pretende entender o que os
astros podem nos dizer.
Herodes – Bom, seja como for, é de meu conhecimento que vocês
estão à espera de uma estrela que os conduzirá ao
caminho do local de nascimento de um novo rei, ou eu estou errado?
Mago 2 – Claro que não.
Magos 3 – Nós até mesmo já vimos a estrela
do Oriente indicando que o rei dos Judeus já nasceu. E queremos
adorá-lo, mas não sabemos ao certo o lugar onde ele está.
Herodes – Bom, eu os estimulo a continuarem procurando. Eu também
estou ansioso por encontrar tal lugar e tal rei. Como já perceberam,
também sou rei. E nada melhor do que um rei para homenagear outro
rei, mesmo que ainda seja um reizinho, pequenininho e tão engraçadinho...(ainda).
E, quando vocês encontrarem, não esqueçam de me chamar
também. Além disso, quero dar a esse rei uma oferta generosa.
Mago 1 – Não será preciso. Já temos presentes,
mesmo sem saber o significado. Eu trago comigo ouro.
Mago 2 – Eu, incenso.
Mago 3 – E eu, Mirra. No futuro, saberemos o porque de Deus ter
nos indicado esses presentes para oferta-lo, com toda a certeza.
Herodes – Ora, meus caros magos. Vocês também são
reis, ou não são?
Magos – Não! Somos apenas magos.
Herodes – Então deve ser por isso que vocês não
sabem que quanto mais reis num recinto, melhor. Posso fazer com que suas
ofertas, além de um potinho de ouro e uma quantidade mínima
de incenso e mirra, sejam transformadas num baú de tesouro com
toda sorte de pedras preciosas, além de uma perfumaria e de um
incensário de fazer inveja a qualquer negociante de substâncias
odoríferas que exista por aí. Fiquem tranqüilos. Eu
sou convosco (risos). Bom, podem ficar nas dependências do meu palácio
o quanto quiser. Vão decidindo aí o que é melhor.
Enquanto isso, eu vou ali no meu quarto fazer uma oração
ao Deus dos Judeus, pois além de gentio, também sou judeu.
Vou orar para que ele me mostre logo onde é que está esse
reizinho, pequenininho e tão engraçadinho.
Herodes sai de cena.
Mago 1 – Esse Herodes tem uma fala tão agradável.
Mago 3 – Hummm... Eu não achei o mesmo. Sei que ainda não
entendemos o significado desses presentes, mas tratam-se de ofertas simples.
E de simples, esse Herodes não tem nada.
Mago 2 – Concordo. Bem, magos amigos. Vamos embora daqui em busca
da indicação do caminho. (pausa) E me parece que, pra cá,
nós não voltaremos. Vamos.
Saem de cena
Cena 5
Escritora – Ai, Senhor, está chegando o grande momento. O
nascimento do Senhor! O que farei para descreve-lo na minha peça.
Posso escrever novamente a encenação de um presépio
lindo, cheiroso e vistoso. Não, acho que aí estarei indo
um pouco contra ao que a bíblia diz. (pega a Bíblia) Vamos
lá, segundo o evangelho de Lucas, no capítulo 2, versículos
6 e 7, Cumpriu-se o dia que Maria havia de dar à luz. E deu à
luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou numa
manjedoura. Bom (levanta-se) manjedoura é o tabuleiro onde, nas
estrebarias dos cavalos, se põe a comida para eles. Ah, Senhor,
eu preciso de inspiração. Acho que eu penso melhor fazendo
desse lugar aqui o próprio cenário da peça. Então
eu primeiro preciso de muita palha.
A menina traz um saco cheio de palha (objetos cênicos) e espalha
por todo o cenário.
Escritora – Não reparem não, pois escritora de peça
é um pouco doida. Agora, o que eu preciso para compor mais ainda
esse cenário. Ah, de animais. Vou encher de animais esse lugar,
para melhorar minha inspiração.
A menina introduz no cenário animais (objetos cênicos).
Escritora – Agora só preciso descobrir como eu vou descrever
a cena. (pausa) É claro! Por que não! Quase não vemos
peças de Natal encenando... o próprio parto de Maria. Excelente
idéia! Obrigada, Senhor, pela inspiração!
Maria entra em cena carregada por José, que a deita, com carinho,
na palha. Maria entra em trabalho de parto, bradando gritos de louvor.
José a ajuda. Quando ela tem o filho, ele se emociona. Quando Maria
dá à luz a Jesus a música instrumental “Quão
grande és tu” é executada ao fundo. Os três
magos e os três pastores entram em cena, cada um tendo a oportunidade
de embalar a criança, sendo observados por José e Maria,
que estão exibindo um sorriso largo de satisfação.
A criança é devolvida para Maria. Ela, embalando a criança,
e José percorrem a Igreja como estivessem apresentando a criança
no templo, enquanto a menina, durante o trajeto, lê em voz alta
sua concepção sobre a cena.
Escritora – E o mundo finalmente viu se concretizar a profecia de
Isaías. Não houve naquele momento só alegria, mas
muita magia! Não aquela magia que engana, finge ou ludibria. Magia
que não significa bruxaria, mas significa encanto. Um encanto universal,
que vem de Deus. O começo da libertação da humanidade.
O fim de um pessimismo que permitiu que novamente trouxéssemos
à memória aquilo que nos dá esperança. Ele
será maravilhoso-conselheiro, uma maravilha que não é
beleza aparente, e sim uma beleza diferente. Ele será Deus-forte,
não um deus falso, fraco e morto. Pai da eternidade, sendo o único
caminho para a vida eterna. Príncipe da paz! Da paz! Não
a que o mundo nos dá, mas uma paz repleta de amor verdadeiro, pois
ele nos amou primeiro. E por que não terminar essa peça
com o cântico de Simeão, que tomou em seus braços
o salvador para depois morrer em paz.
Simeão entra em cena, esperando que Maria e José entregassem
o menino em seus braços após percorrerem a Igreja.
Simeão – (recitando como poesia, com o menino em seus braços).
Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo, segundo a tua palavra.
Pois já os meus olhos viram a tua salvação,
A qual tu preparaste perante a face de todos os povos;
Luz para alumiar as nações e para a glória de teu
povo Israel.
Simeão, Maria, José e o menino Jesus saem de cena.
Cena final
Escritora – Pronto! Fim de peça! Agora eu vou reunir os papéis
e ver como ficou. Vamos lá, a cena convencional, a pantomima, a
musical... Ai meu Deus. Estou preocupada. Será que uma peça
assim, toda cheia de estilos, não vai escandalizar os irmãos.
Ah, sei lá. Eu estou achando que a peça está mais
parecendo uma colcha de retalhos. Uma verdadeira farofa. Ai, Senhor! O
que a Ministra do Teatro vai dizer? Ai, meu pai, me deu um abatimento
de repente. Daqui a pouco ela está aí, e eu não sei
o que eu vou dizer. Ah quer saber? Vou amassar tudo e começar tudo
de novo!
A campainha toca.
Escritora – Ai... Deve ser ela!
Escritora atende à porta, percebendo que se trata da Ministra do
Teatro.
Ministra – Oi, tudo bem. Como você está, minha amiga?
Escritora – Estou bem, mas...
Ministra – Como é, já preparou o texto?
Escritora – Bom, na verdade preparei, mas...Amassei tudo! Tudo,
tudo!
Ministra – Por que, menina? O que houve?
Escritora – É que na verdade fiquei preocupada em escandalizar
os irmãos, pois a peça estava muito eclética, sei
lá, cheia de estilos variados. Aí resolvi amassar e começar
tudo de novo.
Ministra – Bom, será que eu posso ver os papéis amassados.
Escritora – Claro, Ministra. Estão aqui. Toma! Uma cena,
eu fiz bem convencional, a outra, somente gestual. Tem uma musical, aqui...
Outra que parece uma comédia. Aí eu fiquei desanimada com
o resultado e resolvi amassar tudo.
Ministra – Mas por que, menina. Está ótimo!
Escritora – Você gostou, Ministra!
Ministra – Não só gostei como achei bastante apropriada.
Já está na hora da gente fazer alguma coisa diferente. E
o que são os evangelhos senão livros de óticas de
pessoas diferentes. Você sabe o que significa “Evangelhos
Sinóticos”, que são os livros de Mateus, Marcos e
Lucas?
Escritora – Não!
Ministra – Significa ver em conjunto. Com essa peça, você
vai abranger vários tipos de ponto de vista sobre o nascimento
de Jesus, sem é claro alterar a verdadeira mensagem, que é
a única coisa que não pode ser alterada: Jesus Cristo nasceu
para ser o Salvador da humanidade. Sabe, menina? Gostei da criatividade!
A gente tem que ser assim, renovada a cada dia, assim como as bênçãos
do Senhor.
Escritora – Acho que eu já ouvi isso antes.
Ministra – Então pronto. Olhe, eu trouxe uma surpresa. O
elenco todo veio aqui comigo para te dar uma força. E eles vão
ficar super felizes quando souberem que você já escreveu
a peça. Entra pessoal. Entrem! Entrem!
A menina escritora fica felicíssima com a chegada do elenco, já
sem maquiagem e figurino. Todos sentam de costas para o público,
um do lado do outro, observando as folhas do texto e papeando, vestidos
com camisetas que trazem, nas costas, letras impressas que trazem a mensagem
descrita abaixo. Pode se fazer o feito com luz negra (camisas pretas com
letras brancas – detalhe, o efeito só é possível
se as letras coladas na camisa forem de papel)
U M F E L I Z N A T A L
Fim
Flog
do autor
Flog
do autor II
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